Análise: Juventus 2-1 Mónaco – Mais uma lição de bom futebol


Splendido! Suntuoso! Perfetto lavoro! A Juventus chega pela 2ª vez nas últimas 3 temporadas à final da Champions, carimbando a maravilhosa exibição no Stade Louis II com uma excelente primeira parte no Juventus Stadium. O Millenium de Cardiff será o palco onde os bianconeri jogarão novamente os sonhos de uma década.

A vitória da Juve nesta eliminatória, frente um Mónaco que ficou aquém das expectativas que foram naturalmente depositadas em função dos resultados que a turma de Leonardo Jardim acumulou nas anteriores eliminatórias, alicerçou-se essencialmente em factores: comportamento defensivo, rigor táctico e uma ampla capacidade de fazer a diferença no ataque através do “ataque posicional” (os jogadores aparecerem nas posições em que devem estar) nas saídas rápidas para o contra-ataque.

Montado na primeira mão o entusiástico cenário com a vitória por 2-0 no Stade Louis II, o “novo” Juventus Stadium sentiu o momento. Num palco em que os tiffosi respiram paixão e em que o actual elenco de jogadores é o combustível que alimenta essa mesma paixão, a equipa de Allegri voltou a fazer uma primeira parte de encher o olho (futebolisticamente falando) frente a um Mónaco que até começou melhor, em virtude das alterações promovidas pelo seu treinador Leonardo Jardim tanto no onze titular como na operacionalidade desse onze.

Com o regressado Benjamin Mendy na esquerda da defesa, o técnico português decidiu mexer novamente na esquemática da equipa com as saídas do onze de Thomas Lemar e Fabinho para as entradas de João Moutinho e Sidibé. Ficando o lateral na direita da frente de ataque (Raggi a defesa direito), Bernardo Silva encarregou-se de ficar numa posição mais interior e por conseguinte mais próxima da construção de João Moutinho, ficando portanto, por outro lado, Bakayoko mais entregue às tarefas de recuperação de bola a meio-campo. Quis com esta alteração o português, dar mais definição à construção a meio-campo com a entrada de Moutinho (no jogo da primeira mão, o Mónaco ganhou mais critério quando o médio português entrou na partida) e interligar a fase de construção com as alas através do transporte de Bernardo Silva. Com uma estratégia deliberadamente assente na colocação da bola nos flancos, Sidibé e Mendy pretendiam tentar colocar o máximo número de cruzamentos para a área à procura das finalizações de Falcão e Kylian Mbappé.

Por outro lado, o Mónaco subiu as suas linhas e tentou pressionar a Juve na sua saída de bola. Os italianos conseguiram quase sempre sair a jogar com uma mecanica efectiva, retirando a bola das zonas de pressão, o que permitiu a construção de vistosos ataques nos quais as unidades preponderantes voltaram a aparecer nos sítios correctos.

Os monegascos tentaram reentrar na eliminatória

O susto inicial provocado pelo caudal ofensivo que os monegascos criaram (que Chiellini tão bem resolveu dentro da área) levou a Juventus a mudar de postura rapidamente. A cada saída rápida, a equipa de Allegri espantava o perigo e ficava mais perto do tranquilizador golo que poria fim a qualquer desiderato que o adversário ainda equacionasse para a eliminatória. Apesar de pelo meio ter existido a lesão de Sami Khedira logo aos 10″, a equipa não perdeu balanceamento no ataque.

Com Paolo Dybala posicionado perto de ambos os alas (Alex Sandro e Dani Alves), o argentino voltou a ser o playmaker de serviço que permitia a construção de jogadas interiores e exteriores que culminavam quase sempre na criação de oportunidades na cara de Danijel Subasic. Dele é o passe que fixa defesas e permite nas costas da defensiva monegasca um cara-a-cara entre Higuain e o guardião croata, num lance em que o argentino tentou sem sucesso finalizar com um artístico chapelinho sobre o guardião monegasco. Dele também foi o serviço interior que permitiu ao argentino, passados 2 minutos, fixar defesas à entrada da área antes de libertar a bola para a desmarcação que colocou Mandzukic na cara do seu compatriota Subasic resolvendo este a situação com uma arrojada defesa. Assim como dele (de Dybala) também foi o momento excepcional de contemporização que permitiu a subida dos dois médios e Dani Alves no lance do primeiro golo, fazendo subir o bloco na transição rápida iniciada por Alex Sandro, lance que culminou na maravilhosa assistência do veterano lateral brasileiro para a entrada do 2º poste de Mandzukic. Naquela contemporização, quando puxou a bola atrás perante um lote de opositores, o argentino criou toda a situação de desequilíbrio ao permitir a subida de Pjanic e Alves no terreno num primeiro momento, e a existência de espaço para o brasileiro cruzar com todo o à vontade para a entrada do croata nas costas de Raggi. O central adaptado a lateral por Jardim sentiu imensas dificuldades ao longo da partida para travar as entradas do croata nas suas costas nos lances em que a Juventus procurava o 2º poste através de cruzamentos. Por outro lado, o croata inseriu-se novamente a 100% no rigor táctico defensivo pedido por Allegri, auxiliando mais uma vez Alex Sandro na cobertura do flanco.

O Mónaco tentou de imediato responder ao golo sofrido com mais uma investida de Mendy pelo flanco esquerdo. O possante lateral francês foi um bocado entregue à sua sorte durante toda a partida. Mesmo contra 2 (Dani Alves e Barzagli) foram inúmeras as vezes em que este conseguiu ganhar a linha de fundo de forma a servir Falcao. Numa destas investidas do lateral esquerdo, Chiellini voltou a valer com um exímio posicionamento, tirando o pão da boca ao colombiano à boca da urna, num lance em que Kilyan Mbappé ao primeiro poste não chegou por centímetros ao esférico.

Com muita qualidade na suplantação das linhas de pressão altas dos monesgascos, os italianos voltaram a conseguir carregar o jogo para o meio-campo contrário. As deliciosas trocas de bola em espaços curtos de terreno faziam o Mónaco cheirar, entrando mais uma vez nesta equação a presença de Paulo Dybala no rendilhado mas estético futebol que se praticou. Na sequência de um canto viria o 2º golo, num lance em que Subasic esteve na minha opinião manifestamente infeliz quando socou a bola para os pés do mortífero Dani Alves. Naquela situação, o guardião croata tinha todas as condições para tentar encaixar a bola visto que não estava pressionado.

Um golo, duas jogadas e 15 minutos de escaramuças no 2º tempo

João Moutinho voltou a pegar efectivamente na construção do jogo ofensivo do Mónaco. Perante um autêntico muro consentido por uma equipa que estava completamente confortável na partida (como vimos no logo no início do 2º tempo, se a Juve acelerasse no contra-ataque, criava situações de perigo; Cuadrado pode imediatamente fazer o 3º num lance em que ficou claramente a seu gosto na cara de Subasic) o português voltou a pegar no esférico a meio-campo, procurando encontrar soluções que permitissem à equipa criar oportunidades de golo. A tarefa do português ficou algo facilitada com a subida de produção de Bakayoko e com a entrada de Thomas Lemar na partida visto que Bernardo Silva não estava a ser tão criativo como costuma ser na abordagem ao último terço. Foi dos pés de Lemar que saiu o “último passe” para a desmarcação de Mbappé nas costas de Barzagli e Daniel Alves, provendo ao jovem francês a oportunidade de bater o seu “ídolo” Buffon. Com uma finalização ao primeiro poste, o italiano negou mais uma vez (na primeira mão tirou dois golos cantados ao avançado) os intentos do francês, não conseguindo porém, aos 69″, impedir que as redes da Juve continuassem invioladas nesta fase final da prova, quando João Moutinho sacou de toda a sua genialidade num canto curto, para, em dois toques, ganhar a linha (fugiu bem ao fora-de-jogo porque a defesa da Juve não subiu atempadamente) e servir a emenda de Mbappé ao primeiro poste. O avançado traduziu com o seu 6º golo em 9 jogos o melhor momento dos monegascos na eliminatória.

Empolgados com o golo, os monegascos até tentaram instalar-se de vez no último terço dos italianos nos últimos 20 minutos de forma a reparar a honra perdida. Champions é champions e 500 mil euros de um empate fazem falta a qualquer clube. Contudo, o novelo desenhado em alguns dos mais intensos duelos evidenciados durante a partida acabou por gorar as intenções da equipa de Jardim.

O semi-caos foi instalado quando numa dividida entre Higuain e Fabinho, assim que o argentino caiu ao chão (sem falta), o central Kamil Glik quis deixar-lhe uma recordação dos seus cortantes pitons de alumínio no joelho. Completamente enfurecido com a atitude criminosa do polaco, atitude que de resto escapou à vista de Bjorn Kuipers, o argentino teve que morder o lábio assim que entrou em campo para não responder na mesma moeda, de maneira a não cometer uma loucura que não lhe permitisse jogar a final de Cardiff. Glik bem tentou arrastar o argentino para fora da competição, pecando por palavras e por uma agressividade ímpar nos lances que teve de disputar frente ao argentino. Assim como, noutro duelo intenso, temeu-se o pior quando Alex Sandro e Andrea Raggi entraram em pequenas escaramuças pela disputa do esférico sempre que o brasileiro a carregava para a zona da bandeirola de campo.

Parole cá parole lá, falta aqui, falta ali. Nos últimos 20 minutos assistimos a pouco futebol. As próprias câmaras da transmissão televisiva estiveram até nos últimos minutos mais interessadas em mostrar as golfadas de água que Paulo Dybala atirava dos bidons existentes no banco de suplentes dos italianos aos seu treinador e aos seus colegas.

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