5 pontos sobre a partida do Vicente Calderón


1. Entusiasmo. A esperança, o veículo transportador de sonhos, natureza viva na mente de todos os adeptos de futebol. O Vicente Calderón mostrou o seu orgulho, acreditou, vibrou, cantou e no final aplaudiu o esforço dos seus guerreiros. Para os adeptos colchoneros pouco interessou o resultado da primeira mão ou a insuficiente exibição realizada pela equipa no jogo disputado no outro lado da capital espanhola. A alegria romântica típica dos adeptos motivou-os a irem ao Calderón declarar o amor eterno que sentem pelo clube, galvanizando a equipa para 20 minutos diabólicos que me fizeram lembrar aquele jogo mítico realizado frente ao Barcelona nos quartos-de-final da Champions 2013\2014. Por momentos, acreditámos todos que a remontada era possível. Diego Simeone e os adeptos do Atlético de Madrid terão obrigatoriamente que estar orgulhosos da prestação dos seus atletas na partida de hoje A péssima imagem deixada na primeira-mão no Bernabéu foi emendada no Calderón com uma primeira parte de pura voracidade.

2. Uma entrada de leão. Diego Pablo Simeone consegue sempre surpreender. Quando toda a gente acreditava que estávamos perante um fim de ciclo no clube(e até poderemos estar, nunca se sabe) e que o Atlético arriscar-se-ia na melhor das hipóteses, na partida de hoje, face ao banho de futebol que “levou” na primeira mão, a tentar lutar pela vitória no encontro sem contudo reabrir\discutir a eliminatória, eis que o argentino “saca” da sua maior arma: a galvanização que consegue prover aos seus atletas nos momentos mais difíceis, rastilho de pólvora que voltou a fazer detonar a maior bomba que esta aqui do Atleti possui desde que o argentino tomou conta dos seus destinos pela 2ª vez: a sua intensidade, a agressividade nas fases em que a equipa procura recuperar a bola, o seu rigor táctico e a sua paixão pelo jogo.

Da entrada dos colchoneros na partida ficaram na retina as exibições de Filipe Luis e de todas as unidades do meio-campo e da frente de ataque. O lateral brasileiro voltou a ser aquele lateral profícuo nas transições e devidamente balanceado no processo ofensivo. Gabi voltou a ser aquele médio certinho que pressiona no osso. Saúl voltou a ser aquele médio mágico capaz de ver soluções onde elas se esgotam, ajudando por outro lado Gabi a lidar com os problemas “Modric” e “Isco”. Koke e Ferreira-Carrasco foram criativos até à medula nos flancos, enfrentando sem medo 1, 2,3 adversários no seu drible. Bem apoiados pela dinâmica posicional constante oferecida por Griezmann (a vir atrás no corredor central criar o engodo que fez concentrar várias unidades, libertando as linhas de passe para os flancos; inventando espaço para os alas criarem jogo; as diagonais oferecidas a ambos os alas para dar profundidade e chegar à área) o belga foi na minha opinião o elemento mais desequilibrador da partida.

3. O Real tremeu. Os merengues não estariam decerto avisados para a avalanche ofensiva que sofreram naqueles primeiros 20 minutos. Zidane sabia que o Atlético iria entrar “muito forte” e muito ofensivo na partida para dar uma resposta à altura dos acontecimentos. No entanto, nem o francês nem ninguém previam uma entrada tão forte e tão eficaz por parte do Atlético.

Isco e Modric foram a partir dos 20 minutos autênticas boias de salvação deste Real. Tanto o médio espanhol como o médio croata aperceberam-se que a única forma possível de “congelar” a partida seria através da suplantação em drible das linhas de pressão a meio-campo do Atlético. Com vistos slaloms individuais, os dois carregaram o jogo para a outra margem e o Real pode pela primeira circular a bola pacientemente a toda a largura do terreno, obrigando o Atlético a recuar as suas linhas defensivas para os últimos trinta metros. Neste esforço, esforço que durou 10 minutos, os merengues aplicaram a velha máxima: “equipa com bola, equipa que manda no jogo. Equipa com bola, adversário acantonado lá atrás” – foi este esforço que fez culminar o fim do sonho dos colchoneros.

4. A mobilidade de Benzema e Ronaldo

Muitos perguntam: Como é que uma equipa consegue furar um bloco defensivo baixo? 

O futebol é um jogo de uma multiplicidade de variáveis infinitas. Um jogo que parece tão simples é na verdade um jogo demasiado complexo. Se multiplicarmos as características técnicas, tácticas, físicas, mentais de 22 intervenientes pela multiplicidade de milhares de acções e de milhares de pequenas fracções de pensamento ao milésimo de segundo, somando também para o efeito as próprias condicionantes oferecidas pelo jogo na forma de “regras” e o posicionamento, comportamento e acções de 5 árbitros, o resultado será uma infinitude de comportamentos possíveis em determinada acção. Muitos são aqueles que consegue vê-lo mas poucos são aqueles que conseguem vislumbrá-lo e desmistificá-lo.

Qualquer equipa poderá furar um bloco defensivo baixo utilizando para o efeito:

1 – Jogo directo para a área.
2 – Circulação a toda a largura do terreno com amplas variações de jogo à procura de espaço livre nas faixas através do passe longo.
3 – Circulação a toda a largura do terreno com amplas variações de jogo à procura de espaço livre nas faixas através do jogo apoiado em passe curto.
4- Circulação a toda a largura do terreno com amplas variações de jogo à procura de espaço livre nas faixas através do jogo apoiado em passe curto, com recurso a jogadores enfiados entre as linhas de pressão do adversário.
5 – Criação de superioridade numérica nas alas. Combinações\triangulações.
6- Criação de superioridade numérica no corredor central, através da colocação de várias unidades em terrenos interiores.
7 – Progressão individual com bola.

Qualquer um destes processos visa essencialmente um objectivo: abrir uma defesa de forma a gerar progressão à equipa que ataca.

 

Se Isco e Modric estavam a progredir bem com bola, queimando a linha de pressão dos médios do Atlético, tem sido tónica nas movimentações de Ronaldo e Benzema cair imediatamente para as alas de forma a garantirem imediatamente que a equipa tem progressão. Se não caem para as alas, os dois avançados apoiam frontalmente a circulação da equipa, obrigando a equipa adversária a concentrar muitas unidades em seu redor, facto que permitirá à equipa ter espaço para jogar nos flancos. Os dois avançados fizeram-no na perfeição no jogo desta noite assim como também conseguiram entrar muitas vezes entre as linhas do adversário para receber o primeiro passe dos médios e encaminharem imediatamente a bola para as alas. No entanto, a sua acção no jogo não se ficou por aqui. Os dois avançados do Real foram os elementos criativos “que não costumam ser” durante a presente temporada. A tarefa tem sido mais entregue durante a presente temporada aos laterais, a Luka Modric, a Isco e à dupla Asensio\Vazquez.

A prodigiosa acção individual do francês no meio de 3 adversários no golo de Isco fez Zidane chorar de alegria e respirar de alívio. Foi um momento de pura genialidade num momento crítico do jogo, arrematando por completo a final de Cardiff.

4. A necessidade das bolas paradas. Tornou-se uma necessidade ao longo da época para a equipa merengue ganhar o máximo número de bolas paradas possível. As bolas paradas são, em virtude dos múltiplos especialistas de área que a equipa dispõe, um dos pontos fortes desta equipa.

5. A influência de Sérgio Ramos e de Keylor Navas na 2ª parte.

No preciso momento em que o Atlético conseguiu criar situações de ruptura no contragolpe eis que o costa-riquenho realiza as defesas do ano da prova, e o central (com 2 magníficos desarmes na área; um deles à boca da baliza quando Kevin Gameiro se preparava para fazer o 3-1, podendo efectivamente reabrir a eliminatória) impede novamente que o Atlético se agigantasse na partida.

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