Todos os anos é assim


O rastilho foi aceso por Bruno de Carvalho no domingo. Assim que o presidente do Sporting soletrou as silabas das palavras “tudo”, “tem”, “de”, “ser”, “diferente”, tocaram os habituais sinais de alarme. Todos nós sportinguistas estamos carequinhas de saber que tudo tem que ser diferente. No entanto, o presidente do Sporting não contextualizou programaticamente o sentido da sua declaração. Tudo tem que ser diferente como? Mudaremos a política de contratações do clube? Apostaremos mais nos jovens? Teremos finalmente um bom director desportivo capaz de observar bem, comprar bem e barato e realizar a indispensável ligação entre os jogadores e a equipa técnica e a direcção? Os arautos da desgraça vieram imediatamente atirar as suas achas para a fogueira da pura especulação. Está encontrado o guião para a nova novela que irá decerto animar o verão e alimentar todos aqueles que infelizmente ficam vários meses sem poder ganhar o seu pão assim que termina a temporada. Sem bola a rolar, não existem motivos suficientes para se dar à língua.

O argumento destes, dos linguarudos que ao longo destes últimos dois anos tem barrado o futebol português com a mais asqueirosa manteiga de nojo é básico: se Jesus sair, a sua saída significa o fracasso do corolário de 4 anos de mandato de Bruno de Carvalho. Se Jesus ficar, os próximos 4 anos de mandato do presidente do Sporting também não trarão nada de positivo. Podemos até concordar com as críticas ao presente e ao passado, mas não conseguimos de forma alguma inverter a lógica em que assenta o ser humano na sua relação com o imprevisível futuro. Para os jornalecos da treta e associados da televisão, tanto a permanência do técnico em Alvalade como a sua saída fazem parte de um cenário conjectural win\win que visa acima de tudo, vender na off-season e atirar mais umas larachas contra Bruno de Carvalho.

 “O treinador não fica” e o Porto “já está em cima de Jesus” rematando inclusive que o Porto não quer pagar os 16 milhões de indemnização pela rescisão de contrato que o treinador terá que realizar se eventualmente quiser mudar-se para o Dragão. O Record já mandou executar a crucificação, o funeral, o enterro na lápide e as condições em que se vai efectuar a ressurreição. Por outro lado, segundo as notícias a que já nos habituámos noutros rosários (a infindável novela da “permanência de Jesus” no Benfica durante o verão de 2013, curiosamente ocorrida numa situação similar à que ocorreu na presente semana) indicam que em caso de rescisão promovida pelo clube de Alvalade, o técnico não abdica dos 16 milhões para não “assinar por um rival” – por outro lado, os desportivos e a CMTV (inenarráveis noites de estupidez profunda do pichote do Zé Calado) já avançam um conjunto de nomes para suceder a Jesus. Ao teimoso Jesus. Ao teimoso Jesus que só sairá de Alvalade se lhe apresentarem uma proposta superior a 5 milhões de euros. Ao teimoso Jesus, que muito dificilmente, terá mercado lá fora. Ao teimoso Jesus que, a meu ver, deve estar danadinho para reveter à fonte tudo o que foi dito sobre si na presente temporada.

Todos os anos é assim…

Pausa.

Depois de ler tanta futurologia, pergunto eu, muito calmamente: tomando as declarações proferidas no passado domingo pelo presidente do Sporting, qual é a base que sustenta este conjunto de notícias?

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