Análise: West Bromwich Albion 0-1 Chelsea – Batshuayi torna-se o herói do 6º título dos Blues


O futebol também é feito de heróis improváveis! O belga Michy Batshuayi acabou de escrever o seu nome em mais uma página de história do Chelsea, ao apontar o golo que garantiu, com alguma emoção à mistura, o título dos londrinos. Quando todos já previam (face à excelente postura defensiva apresentada durante toda a partida pelo West Bromwich Albion de Tony Pulis) o adiamentos dos festejos dos londrinos para a próxima segunda-feira, dia em que o Chelsea cumpre o jogo que tem em atraso frente ao Watford, o belga, jogador que andou grande parte da época escondido no banco de António Conte durante o seu ano de estreia na Premier, saltou deste, na 2ª parte, para marcar o golo de uma vitória que conquista o 6º título de campeão para a formação londrina.

Drama no The Hawtorns

Cabia ao West Bromwich Albion, equipa comandada por Tony Pulis, a missão de travar “o aspirante a campeão da Premier”. A passar por um momento terrível nos últimos 2 meses (sem vencer), a equipa das West Midlands, formação que andou até ao início do mês de Março a lutar pelos lugares europeus, chegando inclusive a derrotar o Arsenal no The Hawtorns, não queria decerto servir de salão de festas aos Blues. Ninguém gosta nestas andanças de ser “o bombo da festa” – sem grandes objectivos que não a manutenção da sua posição na parte superior da tabela da Premier, este era um dos objectivos do seu treinador para a partida. O outro era obviamente voltar às vitórias após 6 jogos sem vencer.

A equipa correspondeu ao desiderato do seu treinador. Os jogadores do WBA fizeram uma exibição sublime no capítulo defensivo, criando muitos problemas aos jogadores do Chelsea até ao lance que garantiu o triunfo aos 82″. Apesar de Ngolo Kanté ter recuperado a tempo de uma lesão para se constituir como opção para Antonio Conte, o técnico italiano reiterou a aposta em Cesc Fabrègas, jogador que vinha ao The Hawtorns embalado pela excelente exibição realizada na segunda-feira contra o Middlesbrough.

Após o apito inicial dado pelo árbitro Michael Oliver, os comandados de Tony Pulis provaram ao que vinham, recuando imediatamente as linhas defensivas nos seus últimos 30 metros. A estratégia defensiva bem delineada para o jogo pelo treinador do WBA provou ser uma das mais eficazes para travar a equipa de Conte. Os jogadores da casa deram a posse de bola aos Blues (dando algum espaço para Fabrègas construir) mas trataram de apresentar linhas defensivas bem próximas e bem compactas no centro do terreno de forma a anular imediatamente o jogo nas “entrelinhas” de Pedro Rodriguez, Diego Costa e Eden Hazard através da pressão imediata sempre que estes conseguiam mover-se nas imediações da área para recolher os passes vindos de Fabrègas ou Nemanja Matic. Muito vigilante às movimentações dos criativos dos londrinos estiveram o veterano Darren Fletcher (a jogar mais recuado no triângulo do meio-campo, o irlandês passou grande parte do primeiro tempo a fechar a entrada da área, colocando-se por vezes aos 2 centrais Gareth McAuley e Johnny Evans) e o seu colega de meio-campo Jake Livermore. Sem recuar muito a última linha defensiva, os Baggies também tentaram de imediato impedir que os Blues pudessem construir lances de perigo através dos passes diagonais de Fabrègas para as entradas de Pedro, Diego Costa e Marcos Alonso na área, oferecendo em contrapartida algum espaço para que os londrinos pudessem atacar pelas alas, coisa que veio a acontecer a partir da meia hora quando Victor Moses (devidamente apoiado por dentro por César Azpilicueta; quando o central entrou na interior direita, criou ali um problema de superioridade numérica ao qual o WBA soube responder de imediato com a colocação de mais unidades) encetou uma série de duelos individuais em drible contra o médio ala James McClean, visto que Allan Nyon estava essencialmente hipotecado na ajuda por dentro aos centrais.

 A estratégia adoptada acabaria por redundar numa primeira parte em que os Blues tiveram muita posse de bola (75%) mas em contrapartida, essa diferença abismal na posse de bola não se traduziu na conquista de situações que incomodassem a baliza de Ben Foster. As únicas situações que levaram algum perigo à baliza do guardião inglês acabariam por ser um remate em arco de Pedro após uma boa inflexão do espanhol da direita para o centro e um remate cruzado de meia distância de Cesc Fabrègas da interior direita, fazendo a bola passar a milímetros do poste direito da baliza de Foster.

Ainda durante o primeiro tempo, no capítulo das bolas paradas, reconheceu-se o esforço dos blues em primar pela execução de lances estudados face ao maior poderio no jogo aéreo da equipa contrária, principalmente dos seus centrais. Assim sendo, nos livres em que a equipa foi conquistando, Cesc Fabrègas tentou, sem sucesso, servir as entradas de Gary Cahill ao 2º poste ou o desenho de remates de meia distância, capítulo onde a equipa tem excelentes executantes.

Se no plano defensivo, a equipa da casa ia criando um turbilhão de problemas à equipa de Conte, no plano ofensivo, digamos que a acção dos Baggies resumiu-se no primeiro tempo, à míngua de outras ideias quando a equipa foi obrigada a realizar ataques em ataque organizado, às constantes solicitações de que foi alvo Salomon Rondon (muito sozinho na frente de ataque o venezuelano procurou explorar o adiantamento de Azpilicueta para cair na ala esquerda) e a um ou dois contra-ataques que não criaram perigo de maior à defesa londrina.

Na 2ª parte, assim que a equipa da casa subiu as linhas de pressão até ao meio-campo dos Blues (para o efeito muito contribuiu a substituição realizada por Tony Pulis quando tirou da partida o jovem Sam Fields para permitir a entrada do “pitbull” Claudio Jacob, fazendo subir Darren Fletcher no terreno para condicionar os esforços na transição de Cesc Fabrègas) começou a criar mais perigo nas suas investidas ofensivas sem descurar o equilíbrio defensivo pretendido inicialmente pelo seu treinador. Aos 70 e 72″, os homens da casa chegaram inclusive a rondar a baliza de Thibault Courtois naquele que foi o seu melhor período na partida.

No primeiro lance, Solomon Rondon recebeu uma bola no meio-campo, tirou David Luiz da jogada com um bonito por debaixo das pernas do central brasileiro, galgou 40 metros com bola até à área perante a pressão de Gary Cahill mas na hora de finalização não revelou a compostura necessária para o momento, desperdiçando a ocasião com um torto remate que saiu para a bancada. 2 minutos depois, o mesmo Rondon, em nova solicitação para o meio-campo adversário, conseguiu fixar 4 jogadores dos Blues na sua acção de controlo do esférico, libertando posteriormente a bola no momento correcto para a desmarcação na esquerda de Jake Livermore numa das raras aparições do centrocampista no último terço dos Blues. O médio recebeu bem o passe efectuado pelo avançado, desmarcando com uma enorme classe Nacer Chadli no outro lado do terreno. O belga terminaria a jogada com um remate rasteiro que não tomou a melhor direcção.

Conte queria mais. Uma substituição dourada!

Durante o 2º tempo, a equipa do Chelsea tentou projectar-se de vez no último terço adversário. Eden Hazard caiu deliberadamente para as alas (posicionando-se na quina da área para receber e acelerar de forma a ganhar a linha de fundo para efectuar cruzamentos) e Pedro tentou em duas ocasiões surpreender com a execução de remates à entrada da área. Quando os londrinos já tentavam o tudo por tudo para tentar suplantar a exímia cobertura de espaços defensivos que estava a ser promovida pelos jogadores da casa (lançamentos para a área à procura de Diego Costa, investidas 1×1 no flanco direito por parte de Victor Moses, um remate de meia distância de Azpilicueta na interior direita do meio-campo) Antonio Conte decidiu aos 75″ lançar Willian e Michy Batshuayi para o assalto final à baliza contrária.

O minuto 82″ deste jogo ficará na história. Num lance confuso na área do WBA, servido por um passe para a entrada da área, Nemanja Matic aplicou uma rosca na bola quando pretendia decerto almejar a baliza contrária com um forte remate. O enroscado remate do internacional sérvio acabaria por criar a feliz situação que redundaria no único golo da partida quando César Azpilicueta na ressaca, conseguiu manter viva a jogada, servindo com um cruzamento a antecipação de Michy Batshuayi ao guardião Ben Foster. Com um toque na bola, o belga foi mais feliz que o guardião inglês, fazendo rejubilar de felicidade os seus companheiros, o seu treinador e os cerca de 5 mil adeptos que se deslocaram ao Oeste de Inglaterra para celebrar o 6º título nacional da história do clube londrino!

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