Giro de Itália – Etapas 5 e 6


Etapa 5

fernando gaviria

Na chegada a Messina, terra natal de Vincenzo Nibali, Fernando Gaviria voltou a desafiar a ordem de André Greipel, levando para casa a sua 2ª vitória neste Giro, num sprint em que foi muito bem lançado pelo outro sprinter da equipa, o argentino Mauro Richeze. 
A 5ª etapa do Giro foi efectivamente “a mais calma” de todas aqueles que temos vindo a assistir. No entanto, na mente de todas as equipas com aspirações à liderança da geral individual ainda estava bem fresca na memória a chegada a Cagliari na 3ª etapa. Sendo o final da etapa corrido num circuito final de 2 voltas (total de 12 km) bem próximo do mar, todas as equipas preocuparam-se em primeiro lugar na colocação dos seus líderes na frente do pelotão para evitar eventuais dissabores que pudessem a ser provocados pelo vento ou pelas terríveis viragens que a parte final da prova oferecia.

Num dia marcado por uma fuga de 144 km por parte de Maciej Paterski da CCC-Polsat (a equipa polaca está a procurar imenso uma vitória em etapa) e Evgeny Shalunov da Gazprom, fuga que de resto foi anulada pelo pelotão a 15 km da meta com alguma naturalidade, a Bora (a trabalhar para o seu sprinter Sam Bennett; o irlandês sentia-se totalmente recuperado do problema intestinal que o tinha afectado nas primeiras etapas) e a Lotto assumiram as despesas do pelotão na parte final da corrida, bem secundadas pela Bahrein, pela Movistar, pela Orica e pela Lotto-Jumbo-NL, equipas que se chegaram à cabeça do pelotão para tentar proteger bem os seus líderes.

A Bahrein chegaria inclusive a lançar o ataque do esloveno Luka Pibernik. Com um excelente andamento no final da primeira volta ao circuito final, o ataque do esloveno até deu a entender que este poderia causar muitas dificuldades à Bora. Contudo, o jovem ciclista esloveno de 23 anos haveria de nos brindar com o “momento de humor no dia” quando, na primeira passagem pela linha de meta, ao passar na frente, ignorou por completo a sinalização habitual da organização para indicar que ainda faltava uma volta e festejou a passagem como se da vitória na etapa se tratasse o momento. Quando se apercebeu que ainda faltava uma volta de 6 km ao circuito, Pibernik deverá ter ficado zangado com a figura ridícula que acabara de protagonizar…

A prova seguiu. Bora, Orica (Caleb Ewan ainda não somou qualquer triunfo na prova apesar de ter conseguido figurar no top 5 em duas ocasiões) Quickstep e Lotto-Soudal formaram os habituais comboios nos km´s finais pertencendo à primeira a oportunidade de lançar em melhores condições Sam Benett. Recuado nos metros finais em relação ao irlandês e Greipel, Fernando Gaviria teve a ajuda preciosa de Mauro Richeze no lançamento do sprint. A alta velocidade, o argentino galgou terreno na cabeça do pelotão, deixando o seu companheiro de equipa na cara da vitória, perante uma certa apatia de André Greipel. Explosivo, o colombiano acabaria por ser mais forte no sprint final, batendo o alemão da Lotto-Soudal e um ciclista da Selle Italia, num sprint em que Sasha Modolo (UAE) e Giacomo Nizzolo (Trek) voltaram a não conseguir discutir. O sprinter italiano da equipa de Rui Costa está efectivamente a ser a grande desilusão destas primeiras etapas visto que não está sequer a conseguir intrometer-se na ponta final das etapas.

Etapa 6

Na etapa que terminou na técnica chegada a Terme Luigiane (a tal que apresentei no post de antevisão como uma etapa susceptível de ser atacada na parte final pelos puncheurs visto que nos seus 6 km finais tinha duas inclinações de curta distância separadas por uma técnica descida) o ciclista suíço Silvan Dillier da BMC levou a sua primeira vitória em provas de 3 semanas, entronizando pela 2ª vez no pódio a vitória de uma fuga. No sprint final, o ciclista da BMC bateu os seus companheiros de fuga Jasper Stuyven e Lukas Postlberger.

Alguns dos puncheurs (para os leigos na modalidade, um puncheur é um ciclista capaz de ter um bom andamento em terrenos planos e em curtas subidas que exigem explosividade) presentes na prova aproveitaram o momento para atacar desde cedo. Silvan Dillier (BMC), Jasper Stuyven e Mads Pedersen (Trek), o vencedor da primeira etapa e primeiro maglia rosa do evento Lukas Postlberger (Bora) e o italiano Simone Andreeta saíram do pelotão nos quilómetros iniciais da etapa, chegando a ter 9 minutos de avanço sobre o pelotão comandado durante a primeira parte da etapa pela Cannondale. A equipa Norte-Americana nunca quis dar muito tempo de avanço à fuga visto que o final da etapa de hoje assentava que nem uma luva às características de dois dos seus corredores: David Villela e Michael Woods. Assim que a equipa norte-americana se apercebeu que nenhuma outra equipa estava interessada em ajudar na perseguição, a sensivelmente 25 km da meta quando o grupo de fugitivos ainda levava uma confortável vantagem de 4 minutos, retirou-se da frente do pelotão entregando o mesmo a quem quisesse trabalhar para anular a fuga. Alguns ciclistas da Movistar, Orica e da Quickstep acabaram por diminuir o tempo de vantagem dos homens da frente mas não conseguiram anular a fuga.

A fuga seguiu intacta até aos quilómetros finais. Mads Pedersen foi o primeiro homem a desistir. Simone Andreeta também conseguiu resistir até bem tarde, baqueando apenas quando Jasper Stuyven deu um abanão na corrida a 5,6 km da meta. Com o ciclista belga conseguiram ir Lukas Postlberger (o homem que mais trabalhou que a fuga tivesse sucesso) e Silvan Dillier, ciclista que se tem evidenciado dentro da equipa da BMC no ano 2017. Apesar da parte final (em ligeira ascensão) ser mais benéfica à ponta final de Jasper Stuyven, o ciclista da Trek quis arrumar com o assunto antes da técnica descida que levaria os ciclistas ao Km final.

Foi já dentro desse km, precisamente a 200 metros da linha de chegada que o ciclista suíço lançou o seu poderoso sprint vencendo Stuyven em cima da linha.

Lá atrás, no pelotão, as coisas manteram-se bem calmas até aos quilómetros finais. A técnica descida obrigou mais uma vez a Bahrein-Mérida a assumir a dianteira do grupo para salvaguardar Vincenzo Nibali de qualquer infortúnio que pudesse existir no meio do pelotão. As curvas da técnica descida que conduziria os ciclistas à meta obrigaram no fundo todas as equipas dos contenders a ter que tomar a dianteira do pelotão, pelotão que se fragmentou em pequenos grupos na subida final. No último quilómetro, o nosso Rui Costa evadiu-se do grupo dos favoritos para ver se conseguia recuperar algum do tempo perdido no Monte Etna. Os esforços realizados pelo ciclista da UAE acabariam por não surtir efeito visto que os presentes no pelotão não lhe permitiram a veleidade.

Geral Individual

As últimas duas etapas não provocaram qualquer alteração no top 20. Bob Jungels continua a ser o rei e senhor da maglia rosa.

Pontos – Os pontos somados por Fernando Gavíria nestas duas etapas (50 da vitória no dia de ontem + 18 pontos somados em sprints intermédios) permitiram ao colombiano assumir a camisola do prémio da regularidade. Os 75 pontos marcados por Jasper Stuyven na etapa de hoje, somados aos 64 que este já possuía, permitiram-lhe subir de forma surpreendente na tabela desta classificação, ficando agora a 3 de Gaviria. Conseguirá o ciclista belga lutar pela classificação que é tradicionalmente ganha pelo sprinter mais regular? Com 105 pontos está o alemão André Greipel. Lukas Postlberger somou 41 pontos, quedando-se agora pela 4ª posição com 91.

Montanha –
Jan Polanc (UAE) continua a liderar esta classificação com 43 pontos. A tabela desta classificação não sofreu alterações de maior durante estas duas etapas. Daniel Teklehaimanot (Dimension Data) continua a 20 pontos de Polanc.

O mesmo Teklehaimanot continua a ser o líder dos sprinter intermédios, detendo ainda a mesma vantagem de 7 pontos para o segundo, o albanês Eugene Zhupa da Selle Italia.

Combatividade – Jasper Stuyven assumiu a liderança desta classificação. O ciclista da Trek tem agora 25 pontos contra os 23 de Fernando Gaviria da Quickstep e os 22 de Teklehaimanot.

Bob Jungels continua a liderar o prémio da Juventude. Esta classificação manteve-se inalterada.

Na classificação colectiva, a Cannondale saltou para a liderança. A equipa norte-americana tem agora 5 segundos de vantagem sobre a UAE de Rui Costa, equipa que liderou até hoje. A Movistar está na terceira posição a 32 segundos. A 2 minutos e 59 encontra-se a Astana. Para termos uma noção da realidade da Bardiani na prova após a desclassificação prévia de Stefano Pirazzi e Niccola Rufoni na véspera do seu início, a equipa italiana está na última posição da geral colectiva, tendo já acumulado 1 hora e 23 minutos para a Cannondale.

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