Futsal: Benfica 3-3 Sporting – Um derby escaldante que terminou da pior forma


No multiusos de Gondomar, completamente cheio (2500 espectadores) Benfica e Sporting deram um autêntico show de futsal na primeira meia-final da edição 2016\2017 da Taça de Portugal. No derby dos derbys, as duas maiores potências portuguesas da modalidade cozinharam um derby intenso, com muita qualidade técnica e táctica de parte-a-parte, disputado até à medula, repleto de bons golos, de várias oportunidades de golo para ambos os lados e acima de tudo muita imprevisibilidade e emoção até ao final. Prova disso foi o golo do empate alcançado (3-3) por Alex Merlim a 6 segundos no final quando o Sporting já apostava desde os 4″ na utilização do italo-brasileiro como guarda-redes avançado. Na lotaria das grandes penalidades, o Benfica foi mais feliz!

Não fosse o facto do jogador ter sido manchado por pequenas quezílias entre vários jogadores dentro e fora da quadra, chegando a existir agressões entre atletas e dirigentes (Wilhelm e Eddy Varela foram expulsos da partida por agressão; no final da partida, o mesmo Varela esteve na origem, juntamente com Gonçalo Alves de uma escaramuça que envolveu jogadores e dirigentes das duas equipas; facto que obviamente lamentamos) esta meia final poderia ter proporcionado um daqueles cartões de vista que faz crescer a modalidade ao nível de praticantes. Os intervenientes acabaram por manchar o formidável jogo que praticaram dentro das 4 linhas, devendo ser, na minha opinião, severamente castigados pelo Conselho de Disciplina da secção de futsal da FPF. 
Joel Rocha fez crescer este Benfica no plano defensivo.

O primeiro dos factos que explica a razão pela qual o Benfica conseguiu subir o seu nível neste final de temporada. Ao longo da partida denotaram-se claramente os resultados do trabalho defensivo que o treinador do Benfica tem exercitado ao longo da época. Não sendo um portento ofensivo, este Benfica de Joel Rocha é neste momento a melhor equipa portuguesa no plano defensivo. Ao longo da partida, a esquemática de pressão alta exercida pelos encarnados dificultou imenso a saída para o ataque dos jogadores do Sporting, contrariando o jogo em que os leões se sentem efectivamente mais confortáveis dadas as características dos seus jogadores: a posse do esférico no meio-campo contrário de forma a promover as fantásticas e explosivas acções que Alex Merlim e Diogo conseguem realizar.

O Benfica entrou mais pressionante e mais perigoso no capítulo ofensivo. Sem comprometer o equilíbrio mantido ao longo da partida pelas duas equipas, não será justo para a atitude encarnada não mencionar que o (ligeiro) ascendente da partida pertenceu, na globalidade e salvo alguns momentos (quando o Sporting conseguiu empatar a partida a 2 com recurso a um GR avançado numa situação de 3×3 provocada pelas expulsões de Eddy Varela e Fernando Wilhelm) ao Benfica.

Com uma defesa individualizada que não deixou durante grande parte do jogo o Sporting aceder aos últimos 15 metros do reduto encarnado, a equipa encarnada conseguiu anular o grande perigo que representa este Sporting de Nuno Dias, realizando um jogo ofensivo que primou pela constante colocação de bolas no pivot Elisandro (excelentes rotações sobre o seu defensor directo João Matos), pela aceleração promovida essencialmente por Chaguinha nas situações de contra-ataques provocadas a partir dos erros na transição do adversário e nas acções individuais deste, tendo o jogador brasileiro feito um grande golo (empatando a partida a 1 bola) numa fantástica acção individual (a 4 minutos do fim; slalom individual sobre dois adversários no corredor central seguido de um fortíssimo remate sem oposição) após falha defensiva do seu marcador directo Eddy Varela.

Para finalizar a abordagem à primeira parte da partida, também merece destaque a exibição dos dois guarda-redes. Com 7 defesas no primeiro tempo, André Sousa e Bebé contribuiram para que o resultado espelhasse o equilíbrio verificado nos primeiros 20 minutos.

No início do 2º tempo, o Benfica haveria de operar a reviravolta com um golo de Fábio Cecílio numa jogada 3×2 muito bem conduzida no contra-ataque por Chaguinha. O Sporting não tardou a responder. Quando o encontro estava temporariamente reduzido a 3 jogadores de campo (as expulsões de Varela e Wilhelm num lance de dividida no meio-campo encarnado no qual os dois jogadores trocaram uns mimos) Nuno Dias arriscou tudo na colocação de um guarda-redes avançado. Numa acção rápida, Merlim foi o centro do terreno ajudar à transição, servindo na esquerda Rudolfo Fortino para um golo de belo efeito.

O Benfica voltou a responder a 8 minutos do fim com uma sensacional jogada na qual, perante a pressão alta verificada nas linhas 1 e 2 por parte do Sporting, Elisandro deu profundidade, colheu um passe longo realizado por Chaguinha, rodou sobre João Matos e atirou uma bola cruzada que André Sousa não conseguiu defender.

Nuno Dias demorou a apostar no 5×4. O treinador do Sporting só haveria de apostar na inserção de Alex Merlim a 4 minutos e 12 segundos do final da partida, quando convocou as suas tropas para o último timeout que dispunha. Com a colocação do italo-brasileiro na esquerda e a inserção de 2 jogadores na linha final (João Matos tentou por vezes desmontar o bloco defensivo encarnado com entradas aos 6 metros de forma a bloquear um dos defensores encarnados, permitindo que os jogadores da 1ª linha de ataque pudessem eventualmente construir situações de perigo em conjunto com os homens posicionados na linha de fundo) o Sporting haveria de chegar de forma dramática (após vários cortes importantes de Alessandro Patias e Bruno Coelho) ao empate a 6 segundos do fim com um remate em desespero do seu maestro, levando a decisão para as grandes penalidades, lotaria em que a felicidade sorriu ao Benfica.

O Benfica fica à espera do seu adversário na final de amanhã. Viseu 2001 e Burinhosa estão neste momento a disputar a 2ª vaga de acesso à final que se jogará amanhã à tarde no Multiusos de Gondomar.

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