Giro de Itália – Etapa 8 – A vitória de Gorka Izaguirre na chegada do Giro à costa do Adrático


A 8ª tirada da prova, com final marcado para a dura subida de 1km ao centro de Peschichi, pequena vila turística de 4500 habitantes na região da Puglia (pronvincia de Foggia) com vista privilegiada para o azul claro do mar Adriático convidava, devido à “ondulação” do terreno (188 km de puro sobe e desce) à eventual saída numa fuga de puncheurs ou de gregários de luxo das várias equipas.

Nas 3 fugas do dia, saíram homens com algum estatuto dentro das suas respectivas equipas. Se um dos fugitivos se tratou do próprio chefe-de-fila da Astana na prova italiana (o caça etapas Luis León Sanchez ), outros foram nem mais nem menos do que os principais gregários de luxo dos principais candidatos à vitória na geral individual, casos de Gorka Izaguirre (gregário de Nairo Quintana na Movistar) e Giovanni Visconti (gregário de Vincenzo Nibali na Bahrain-Mérida). Na subida final Gorka Izaguirre haveria de somar o seu primeiro triunfo no Giro, igualando o pecúlio particular na prova do seu irmão Ion Izaguirre (actualmente na Bahrain-Mérida). 

Muitas unidades tentaram a sua sorte em fugas.

Numa primeira fase, nos primeiros quilómetros, o pelotão viu sair os seguintes corredores: Jan Barta (Bora), Laurent Didier (Trek), Kristian Sbaragli (Dimension Data) Maciej Paterski and Branislau Samoilau (CCC Polsat), Jasper De Buyst (Lotto-Soudal), Viacheslav Kuznetsov (Katusha), Roberto Ferrari (UAE Team Emirates), Mirco Maestri and Vincenzo Albanese (Bardiani), Iljo Keisse (QuickStep), Chris Juul-Jensen (Orica), and Alex Howes (Cannondale). Dos 13 fugitivos envolvidos na primeira fuga do dia, Jan Barta era um ciclista a ter em conta visto que poderia facilmente resistir ao pelotão. Os restantes não colocavam grande ameaça sobre o pelotão. A Quickstep foi controlando os acontecimentos lá atrás sem forçar muito o andamento, permitindo que esta fuga pudesse ganhar alguns minutos.

O problema para a equipa belga deu-se quando um pouco antes da passagem pela 2ª categoria do Monte San Angelo, Luis León Sanchez decidiu tomar a companhia dos Bora Lukas Postlberger e Gregor Muhlberger para ir em busca do grupo de fugitivos que rolava na frente. Tendo chegado ao grupo da frente, o all-arounder espanhol decidiu investir por sua conta e risco no final da subida, tomando a dianteira da corrida na descida. Entretanto, lá atrás, as equipas dos principais candidatos aperceberam-se que poderiam tentar dar alguma emoção à corrida de hoje, lançando duas cartadas muito importantes que poderiam ajudar ao desgaste da Quickstep na perseguição. Foi com base nessa expectativa que Visconti e Izaguirre, antigos colegas de equipa na Movistar, saíram num lote de 12 corredores à procura daqueles que já circulavam na frente.

O figurino final das 3 fugas ocorridas durante o dia de ontem acabaria por redundar na formação de um quinteto na frente, secundado por um grupo em posição intermédia: Valerio Conte da UAE, Luis León Sanchez, Giovani Visconti, Muhlberger e Gorka Izaguirre haveriam de discutir a etapa entre si.

Numa parte final muito técnica com pequenas inclinações com rampas interessantes (4 a 9%) e descidas muito técnicas, o quinteto da frente sentiu-se à vontade para por e dispor visto que a perseguição que era movida pela Quickstep não estava a ser feroz. Quando Fernando Gaviria ficou para trás, a equipa belga chegou inclusive a retirar-se da frente, o que permitiu a Mikel Landa realizar um ataque, no mínimo, enigmático. Com uma peugada fácil, o chefe-de-fila da Sky, ganhou facilmente 20 segundos ao pelotão (comandado pela Movistar e pela Katusha) antes de ser apanhado, dando a entender a todo o pelotão, na minha opinião, que não deve ser por ora descartado em virtude das melhores prestações que tem sido realizadas pelo seu colega Geraint Thomas. O espanhol quis com isto dizer que está com rastilho fácil, podendo dinamitar a qualquer momento com a “maior das facilidades”.

Enquanto Landa punha em sentido várias equipas, na frente, o quinteto ameaçava ruir com os ataques que todos os ciclistas realizaram à excepção de Muhlberger. O austríaco era efectivamente o elo mais fraco deste quinteto, ficando imediatamente para trás assim que um dos “cabecilhas” atacava ou acelerava o ritmo. Para Visconti, Izaguirre ou Conti, o importante seria excluir Luis León Sanchez de uma eventual chegada ao sprint visto que o ciclista espanhol teria à partida uma ponta final melhor que a dos restantes.

Com Muhlberger em definitivo para trás, o quarteto que remanesceu teve que se aplicar a fundo na aproximação à subida final visto que a FJD de Thibault Pinot decidiu intensificar o ritmo na frente do pelotão. Chegados ao último km, na hora de todas as decisões, na curva que antecedia ao início da ascensão, Valerio Conte caiu a curvar em subida e abriu espaço ao “ataque” de Gorka Izaguirre. Com um andamento muito fácil, o espanhol forçou o andamento e deixou para trás a concorrência, vencendo a sua primeira tirada no Giro.

No pelotão, o andamento colocado na parte final pela FDJ fragmentou por completo o grupo, grupo que de resto já vinha a perder unidades nos 20 km finais. Nenhum dos candidatos ao top10\top20 perdeu tempo.

Mais um dia sem sobressaltos de maior para o líder da Quickstep Bob Jungels. O luxemburguês segue de rosa para o grande desafio às suas capacidades no dia de amanhã, na etapa que termina com a chegada dos ciclistas a uma 1ª categoria no alto de Blockhaus.

Pontos\Regularidade – Fernando Gaviria (Quickstep), Jasper Stuyven (Trek), André Greipel (Lotto-Soudal) e Caleb Ewan (Orica) não puderam somar qualquer ponto nos sprints intermédios visto que nas duas contagens, os pontos foram todos somados por elementos das fugas. Gaviria teve portanto um dia sossegado. O final de etapa não encaixava de todo nas suas capacidades se bem que o colombiano aguentou até perto do final da etapa no grupo principal.

Montanha – Dia de descanso para Jan Polanc. O esloveno só deverá voltar às fugas a seguir à passagem pelo Blockhaus visto que a primeira categoria é a única que irá ser ultrapassada no dia de amanhã. Luis León Sanchez subiu com os 18 pontos acumulados nas 2 categorias do dia à 3ª posição. Não acredito que a montanha seja um objectivo para o Astana.

Sprints – Tudo na mesma. Daniel Teklehaimanot (Dimension Data) lidera com mais 9 pontos que Eugene Zhupa (Selle Italia). A etapa de amanhã é uma boa etapa para voltarmos a ver Teklehaimanot em acção depois de vários dias em que o eritreu esteve escondido no pelotão a recuperar forças.

Combatividade – 
Fernando Gaviria continua a liderar com 34 pontos, mais 5 que Jasper Stuyven

Bob Jungels continua a liderar a classificação da Juventude.

Por equipas, a UAE lidera com mais 27 segundos de vantagem sobre a Movistar. A Cannondale passou da segunda para a terceira posição, estando agora a 30 segundos. A 3:32 está a Astana. 

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