Giro de Itália – Etapa 10 – Tom Dumoulin dinamita a concorrência no crono e arremata a camisola rosa


Que prova do holandês! Que prova fantástica que o chefe-de-fila da Sunweb realizou no crono individual de 39,8 km disputado durante a tarde de hoje!

A prestação individual de Tom Dumoulin no crono era efectivamente um dos maiores senão o maior foco de interesse para a etapa. Para além de o considerar o principal favorito à vitória na etapa, sabia perfeitamente que o holandês poderia ganhar 1 minuto\1 minuto e meio a Nairo Quintana, diferença que lhe permitiria no final da etapa chegar à liderança da geral individual. Contudo, não previa, nem mais optimista das previsões a possibilidade deste cavar uma diferença abismal para todos os favoritos, dando 2 minutos e 7 segundos a Vincenzo Nibali (o ciclista da Bahrein-Mérida até acabou por se defender muito bem no contra-relógio) 2 minutos e 17 segundos de avanço a Bauke Mollema, 2:42 a Thibault Pinot, 2:53 a Nairo Quintana e 3:07 a Domenico Pozzovivo. A história de um contra-relógio que estabeleceu diferenças significativas na geral individual

Com tempos intermédios fabulosos nos 2 pontos intermédios de cronometragem, Bob Jungels (Quickstep) e Geraint Thomas (Sky) destronaram na linha de chegada o melhor tempo verificado até então, o surpreendente tempo de Luis León Sanchez da Astana. Com um dos principais candidatos fora da discussão pela etapa devido a uma queda na parte final (Vasil Kyrienka), os tempos registados pelo galês e pelo luxemburguês (perdeu apenas 7 segundos para o homem da Sky) colocavam alguma pressão nos primeiros da geral.

Sem dar qualquer hipóteses à concorrência, Tom Dumoulin haveria de voar para a maglia rosa, conquistando um tempo que lhe permite uma abordagem muito confortável às próximas etapas de montanha. No primeiro ponto intermédio de cronometragem, aos 9,8 km, o holandês já tinha anulado a diferença de 28 segundos relativa a Nairo Quintana na geral individual. O colombiano ainda conseguiu defender-se bem na primeira parte do percurso. Com um percalço após a passagem pelo primeiro ponto intermédio de cronometragem, o foguete de Boyacá, acabaria por acusar fadiga nos quilómetros finais. Face à prestação exibida por Dumoulin no Blockhaus, se o holandês conseguir manter a consistência na alta montanha, poderá vir a ser um osso muito duro de roer para Quintana, Mollema, Nibali e Thibault Pinot. No entanto, nas próximas etapas de montanha, o holandês terá obrigatoriamente que ir ao choque se quiser conservar a vantagem para a qual trabalhou durante o dia de hoje. A ascensão deste à liderança da prova também abre, na minha humilde opinião, uma janela de interrogações para as próximas etapas: terá a modesta Sunweb capacidade para comandar a prova?  Dumoulin será o alvo a abater de uma estratégia de “alianças” entre a Movistar, a Française des Jeux e a Bahrain-Merida?

Classificação da etapa

Em alta

– Tom Dumoulin – Vencedor em toda a escala deste crono, o chefe-de-fila da Sunweb conquistou uma almofada que lhe permitirá abordar as próximas etapas de montanha com um conforto assinalável. 2 minutos e 23 segundos de diferença para Nairo Quintana poderão permitir-lhe uma mais eficaz gestão de esforços mas não serão garante de nada. O holandês terá obrigatoriamente que ir ao choque nas etapas de montanha se o colombiano atacar porque como vimos no Blockhaus, Quintana facilmente poderá retirar 30 a 40 segundos em cada ataque. Na difícil etapa que se correrá dentro de dias nos Apeninos, veremos se o holandês tem a tarimba necessária para gerir a fantástica vantagem que dispõe.

– Geraint Thomas – Representou bem o seu papel no crono. Na luta contra o relógio, o galês soube dirimir as perdas somadas na terrível queda que sofreu no Blockhaus. Ainda não é uma carta fora do baralho para a geral, podendo vir a crescer muito nas etapas de montanha se efectivamente não padecer de um azar similar aquele que veio a padecer no domingo. Lutará com todas as forças para fechar um lugar no pódio.

Bob Jungels – O luxemburguês também fez um tempo formidável que lhe permitiu a reentrada no top 10 e a reconquista da liderança no prémio da juventude. Os objectivos do ciclista da Quickstep passarão obviamente por manter Adam Yates longe da camisola branca e por um lugar no quadro principal da prova.

Luis León Sanchez – Entre os possíveis candidatos à vitória na etapa, não figurava o nome do espanhol. Vasil Kyrienka ou Jan Barta eram na minha opinião aqueles que poderiam lutar pela vitória na etapa. O espanhol fez portanto um magnífico tempo, fechando no 4º lugar da etapa.

Vincenzo Nibali – Dos favoritos foi aquele que se defendeu melhor nos 39,8 km. Com uma escolha perfeita de linhas de corrida, apesar do italiano ter perdido 2 minutos para Dumoulin, ganhou tempo a toda a concorrência. Vai crescer na 3ª semana da prova. Em Oropa poderemos ver “o melhor Nibali da prova”.

Bauke Mollema – O 10º lugar registado pelo holandês da Trek permite-lhe continuar a ter todos os objectivos em aberto. Subiu ao 3º lugar do pódio. Terá que ser mais ofensivo nas etapas de montanha se quiser eventualmente discutir a vitória na prova.

Rui Costa – O 21º lugar obtido pelo português mantém-o dentro do top 20 na 18ª posição. Ainda não é altura para o português tentar uma fuga porque ninguém no seu perfeito juízo deixará o ciclista da Póvoa do Varzim sair do pelotão quando este soma 8 minutos para a liderança.

Em baixa

Nairo Quintana – A exibição do colombiano no Blockhaus indiciava um aumento de forma considerável do colombiano nos últimos dias, bem como um incentivo extra para a etapa de hoje. Todos os que tem seguido a prova sabiam que o colombiano não conseguiria manter a camisola durante o dia de hoje. Os 28 segundos de diferença para Dumoulin na geral seriam facilmente anuláveis pelo holandês numa prova tão longa como a que teve lugar esta tarde. Porém, ninguém esperava que o colombiano, ciclista que se defende muito bem no contra-relógio pudesse perder 3 minutos para o holandês. Terá que voltar a contar com a ajuda da sua equipa no desbravamento de caminho para a maglia rosa. A Movistar está bem e recomenda-se. A aceleração promovida no início da subida a Blockhaus indica que a formação espanhola está de boa saúde e poderá efectivamente replicar esforços já nos Apeninos. Quando o esforço de eliminação deixou toda a gente sem apoios a meio da subida para o Blockhaus, e o trabalho nem sequer chegou às pernas do escudeiro Winner Anacona, está tudo dito sobre as potencialidades desta Movistar.

Ilnur Zakarin – Não sendo um ciclista especialista mas também não sendo um ciclista que tem dificuldades na luta contra o cronómetro, os 2 minutos e 19 segundos averbados pelo chefe-de-fila da Katusha foram excessivos para as suas capacidades. Poderia ter feito um tempo similar ao de Geraint Thomas porque tem capacidades para isso. Se o tivesse feito, o russo estaria agora a morder os calcanhares a Vincenzo Nibali na 5ª posição da geral.

Tejay Van Garderen – O Norte-Americano é para já a maior desilusão da prova. Os 4 minutos e 21 segundos somados na etapa de hoje e o péssimo estado de forma física que este tem vindo a exibir na prova, deixam-no praticamente fora da discussão pela vitória na geral individual e até da luta pelos lugares do pódio. O Norte-Americano terá portanto que redifinir os seus objectivos para a 2ª metade da prova. Ou lutará por um posto no top10, um objectivo muito modesto para as expectativas depositadas pelos responsáveis da sua equipa, ou tentará acumular minutos na próxima etapa de montanha para eventualmente poderá vir a discutir vitórias em etapas na 3ª semana.

Domenico Pozzovivo – O italiano foi outro dos maiores derrotados no cromo. Um ciclista que almeja vencer provas de 3 semanas tem que conseguir defender-se melhor nos contra-relógios. Ainda não está fora da luta, mas, terá que recuperar muito tempo nas montanhas se quiser discutir a vitória na geral.

Geral Individual

Outras classificações

Pontos\Regularidade – Mais um dia tranquilo para Fernando Gaviria. O colombiano soma os mesmos 191 pontos contra os 160 de Jasper Stuyven da Trek.

Montanha – Jan Polanc (Team UAE) continua na liderança com 44 pontos, mais 9 que Nairo Quintana.

Sprints – A liderança dos sprints continua na posse de Daniel Teklehaimanot (Dimension Data)

Combatividade –
Fernando Gaviria (Quickstep) continua a liderar este prémio com 34 pontos, mais 5 que Jasper Stuyven e mais 11 que Daniel Teklehaimanot

Juventude – Bob Jungels conseguiu aumentar a diferença para os seus mais directos perseguidores. O ciclista da Quickstep tem agora 2 minutos e 23 de diferença para Davide Formolo da Cannondale, 2:55 para o surpreendente Jan Polanc (continua dentro do top 15 na geral) e 3 minutos e 2 segundos para Adam Yates na Orica. O australiano fez um mau registo no crono, registo negativo que era de resto esperado pelo fraco desempenho que o britânico costuma ter neste departamento.

Por equipas – A Movistar continua na liderança da geral colectiva. A Astana conseguiu aproximar-se da formação espanhola. Os bons tempos de Luis León Sanchez e Tanel Kangert permitiram à turma casaque reduzir o tempo de diferença para a formação de Nairo Quintana para 4:31. A UAE continua a ser a 3ª da geral colectiva, averbando mais de 10 minutos de diferença. Na quarta posição está a Cannondale a mais de 17 minutos.

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