Remissão tardia?


“A única coisa que vos peço para a próxima época é que me deixem em paz, que me deixem trabalhar como eu achar melhor para depois poderem viver as alegrias que tanto merecemos. A próxima época será assim mais um momento crucial da minha passagem pelo Clube, e não existirá ninguém mais motivado do que eu para a Glória que tanto merecemos”

Nós deixamos, presidente! Aliás, não temos feito outra coisa desde 2013, voltando a eleger-te em 2017 para mais 4 anos. Durante os últimos 4 anos suportámos tudo: as tuas guerras (algumas da mais inteira e elementar justiça, outras que mais pareceram birras infantis), a tua postura de presidente-adepto, os gozos e clichés com que nos brindaram os rivais à guisa das palavras que proferes mas cujo alcance não medes, a falta de títulos, as tuas críticas aos atletas das modalidades, gente que honra o clube perante a desgraça que se vê no futebol, assim como as tuas famosas (e ridículas) selfies. Suportámos tudo e apoiámos-te a ti, ao teu treinador, às tuas equipas, à malta das modalidades, com um espírito de resiliência ímpar porque acreditámos e continuamos a acreditar. Não és tu nem ninguém que nos há de tirar essa esperança porque como a nossa cor e o nosso passado nos indica, somos provavelmente os adeptos mais inquebrantáveis do mundo: um dia, até podemos cair numa 2ª distrital e olha que se não fossem os teus esforços, estivemos bem perto de lá cair, mas até aí, nas catacumbas, no maior dos ocasos, estaremos sempre lá. E sabes porque é que estaremos sempre lá? Porque queiras ou não, o Sporting é parte de nós. Uma parte muito importante das nossas vidas. Desculpa lá presidente: enquanto escrevo isto vem-me algumas lágrimas ao rosto. Nós não sabemos viver sem o Sporting! Essa é a mais crua das verdades da nossa modesta existência.

Outra coisa são as acções que tu praticas e que prejudicam o Sporting. Por várias vezes fizemos questão de te aconselhar: remete-te ao silêncio. Remete-te ao silêncio porque com essa postura agressiva, estás a prejudicar o nosso grande amor. Tenta eventualmente falar nos momentos certos. Naqueles momentos em que uma palavra arrasa por completo 1000 injustiças. Remete-te ao silêncio porque por vezes o silêncio é a melhor arma para calar os cretinos. Não queríamos incentivar-te a falar menos ou a adoptar a postura passiva que os outros presidentes adoptavam. Os resultados dessa postura foram ao longo de anos por demais evidentes: éramos pisados e repisados com o maior do sadismo. Queríamos, com esses conselhos, aconselhar-te a seres mais cínico do que eles sem teres para tal que usar uma máscara.

Devemos amar mais a nossa camisola do que odiar a do rival. Felizmente amo mais a camisola do meu clube até do que amo a minha namorada, apesar de a amar muito. O ódio de grande parte dos benfiquistas é transcendente à Instituição Sporting. É meramente pessoal, é um sentimento feio e primário que ataca as entranhas e que causa um mal estar físico e psíquico nocivo a médio\longo prazo. Eles tem medo da verdade. Sempre tiveram. Não queiras portanto ser como eles. O ódio ao rival tolda-te o essencial: tratar da vida do nosso clube.

Agora, peço-te que não o faças em relação à prestação dos jogadores da nossa equipa de Futsal porque mal ou bem, durante estes 4 anos, eles foram os únicos que souberam o que é ser campeões. Bi-campeões. Não o faças em relação à nossa equipa de andebol porque eles andam todos os anos a lutar pelo título e por conquistas europeias. Não o faças para com os jogadores das nossas equipas de hóquei porque eles deram-te a tua maior conquista no primeiro mandato. Não o faças perante quem ama o clube tanto ou mais que tu e para com aqueles que provavelmente poderiam estar bem melhor na vida noutras paragens e continuam a preferir dar um passo atrás porque amam o Sporting e abdicam de dinheiro, glória e fama para poderem continuar a lutar pela História do nosso clube. Fica-te mal.

E sinceramente, a título pessoal, deixo-te um conselho: expõe menos a tua vida privada. Estas situações acontecem porque tu expões ao ridículo a tua família. Num país de parolos, existe sempre quem esteja disponível a tomar-te pela rama. Depois, já sabes como é: a um conto é sempre acrescentado um ponto. A um rumor segue-se outro. Tu sabes como é que a máquina funciona: eles precisam de vender e tu dás-lhes motivos para encherem páginas e páginas de assunto. No fim, és tu que apanhas as canas da festa deles.

Esperemos que esta remissão ao silêncio não seja tardia e seja benéfica para os objectivos que todos querem que tu alcances. Na minha modesta opinião, não haverá ambição maior do que sair à rua no próximo ano com o meu cachecol e poder dizer na tromba de muita gente que “o Bruno de Carvalho” foi finalmente Campeão!

 

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