Análise – Final da Coppa D´Italia – Juventus 2-0 Lazio


Um golo de Daniel Alves e outro de Leonardo Bonucci, deram, ainda no primeiro tempo, a 3ª dobradinha consecutiva dos bianconeri neste ciclo completamente devastador da formação de Turim. Num jogo da faces distintas (a 1ª primeira parte pertenceu quase por inteiro aos homens de Turim; na 2ª parte a Juventus concedeu algum domínio aos laziale) o resultado final pode, sumariamente, explicar-se por uma melhor entrada da turma de Allegri na partida, pela incapacidade demonstrada pela Lazio em pressionar as transições para o contra-ataque que a Juventus tão bem executa, pelos erros defensivos cometidos pela equipa de Simone Inzaghi no primeiro tempo e pela falta de eficácia na mão cheia de oportunidades que os romanos tiveram ao longo da partida. Perante uma equipa que é tão eficaz, qualquer erro cometido paga-se imensamente caro. 

Embalada por um final de época sensacional, a Lazio de Simone Inzaghi tentava na partida desta noite, colocar a cereja no topo do bolo de uma época muito bem conseguida em que a equipa conseguiu realizar uma belíssima campanha na série A, a praticar um futebol deveras ofensivo.

Perante um adversário ligeiramente diminuído em virtude das ausências da sua habitual dupla de médios titulares (Khedira e Pjanic; o alemão por lesão, o bósnio por castigo) a ideia de Inzaghi passava essencialmente por condicionar os médios da Juve nas transições para o contra-ataque, aplicando um forte pressing ainda no meio-campo contrário. No ataque, com algum dinamismo promovido por Keita Baldé e Milinkovic-Savic tanto no jogo exterior como no jogo interior, os romanos tentavam servir Ciro Immobile na área.

Nos primeiros minutos, a formação romana foi muito dinâmica nestes esforços (mesmo apesar de Marco Parolo não se encontrar nas melhores condições para enfrentar a duríssima missão que tinha em mãos, a missão de controlar as movimentações de Paulo Dybala no apoio às transições; Inzaghi optou por colocar vários homens no corredor central para congestionar as saídas dos nortenhos para o contragolpe) e até conseguiu dar um arzinho da sua graça no contra-ataque. Logo aos 6″, após recuperar uma bola na direita, o sérvio Milinkovic-Savic serviu a entrada na esquerda do veloz Keita Baldé, rompendo por completo a defensiva bianconera. Com Barzagli fora da jogada, Baldé evitou o 1×1 contra Bonucci e num remate relâmpago haveria de enviar a bola ao poste da baliza hoje defendida por Norberto Neto.

A irreverência inicial dos albicelestes haveria de ser sol de pouca dura. Com os habituais processos de jogo (transição para o contra-ataque devidamente apoiada pelo recúo de Dybala no terreno para suplantar a linha de pressão a meio campo; alas bem abertos a promover saídas rápidas pelos flancos: Dybala a aparecer numa 2ª vaga na carreira de tiro à entrada da área, aproveitando as movimentações de Higuaín para prender os centrais) a Juventus haveria de aproveitar uma menor eficácia dos “donos da casa” para colocar os seus perigosos contra-ataques, aproveitando as falhas defensivas que foram cometidas essencialmente pelos homens dos corredores Dusan Basta e Sead Lulic para criar várias situações de perigo para a baliza do albanês Thomas Strokosha.

Se aos 7″ Higuain tinha dado o aviso com um remate bombeado que foi defendido para a frente pelo albanês, aos 11″, numa saída rápida pelo flanco esquerdo em que Basta não foi rápido a contrariar Alex Sandro, o brasileiro serviu a entrada de Daniel Alves na área sem a marcação de Lulic, jogador que ficou a dormir na forma, não acompanhando a movimentação sem bola do seu adversário directo. Com muito espaço, o brasileiro finalizou a jogada com um fatal volley.

Sem baixar linhas, num momento em que a equipa sofreu uma contrariedade (a lesão de Parolo aos 20″, situação que obrigou Inzaghi a mexer na equipa com a entrada de Stefan Radu, fazendo subir Lulic para um meio campo onde Lucas Biglia estava a ser uma unidade pouco produtiva nos esforços de pressing e nas transições, especialmente porque o duplo pivot utilizado por Allegri, Marchisio e Tomás Rincón, era muito rápido a baixar e a pressionar imediatamente a transição sempre que a equipa perdia o esférico) a Lazio cometeu muitos erros fatais que permitiram recuperações de bola que davam azo ao desenrolar dos habituais processos da Juve: transições apoiadas em velocidade, colocação de bola no interior, essencialmente em Mandzukic, para que o croata pudesse suportar o esférico na sua posse até ao aparecimento de Paulo Dybala na carreira de tiro. Em duas ocasiões, o fortíssimo avançado argentino poderia ter aumentado o score com dois remates de fora da área, remates que foram em boa hora rechaçados por um guardião muito inspirado. Na 2ª destas situações, no ressalto da defesa de Strokosha, Daniel Alves, mais uma vez sem marcação, pode colocar uma 2ª vaga ao cruzar para a finalização de Higuaín na pequena área. Pressionado, o argentino não conseguiu melhor do que tocar para mais uma defesa de Strokosha. O guardião da Lazio foi portanto essencial para que o resultado não se avolumasse no 1º tempo.

O 2º golo da Juve não tardou. Num canto muito mal batido a meia altura por Paulo Dybala, a defensiva da Lazio falhou redondamente na marcação em 2 actos, ao permitir num primeiro momento um toque de cabeça de Alex Sandro ao primeiro poste (denunciando uma má cobertura e um mau ataque ao esférico) e num segundo, a finalização de Bonucci na cara de Strokosha.

A entrada de Lulic em terrenos mais interiores permitiu aos romanos voltar a estabilizar o jogo e tentar furar a defensiva torinese. Com versáteis entradas de Keita Baldé e Milinkovic-Savic entre linhas, face à ténue profundidade dada pelos alas Radu e Basta, a ideia dos comandados de Inzaghi passava por tentar servir com sucesso o seu ponta-de-lança Immobile. Nas 4 ou 5 situações em que o médio sérvio levantou cruzamentos para a área, só em uma é que Chiellini e Leonardo Bonucci permitiram veleidades ao seu antigo colega de equipa e colega de selecção. Num lance em que Immobile tomou as costas aos dois centrais (apanhando uma desconcentração de Chiellini quando este tentava subir para colocá-lo em fora-de-jogo) ainda conseguiu realizar um cabeceamento torto na cara de Neto. O cruzamento de Milinkovic foi bom mas o avançado chegou à bola num esforço descompensado em voo, o que não lhe permitiu de facto o melhor enquadramento.

Uma segunda parte de “domínio consentido”

A vencer por 2-0, a Juventus quis respirar. A turma de Allegri tratou de intensificar os mecanismos defensivos habitualmente utilizados quando a equipa se encontra em vantagem: tentar pressionar alto o adversário na fase de saída, para baixar imediatamente linhas assim que este conseguia entrar na fase de construção, concedendo até algum espaço para que a equipa contrária pudesse circular a bola até às alas…

Alas que foram dinamitadas por Felipe Anderson assim que o brasileiro pode entrar na partida para o lugar do central angolano Bastos. Com a troca, Inzaghi voltou a alterar o seu sistema táctico, colocando a equipa num 4x3x3 com Keita na ala esquerda e Anderson na ala direita. Com os laterais mais envolvidos por dentro, a entrada do criativo brasileiro traduziu-se de imediato na construção de 2 jogadas de perigo para a baliza da Juve: aos 53″, este foi ao meio receber para realizar um remate cruzado a meia altura que obrigou Neto a estirar-se, e aos 56, um 1×2 realizado com o lateral sérvio permitiu-lhe uma boa situação de cruzamento para a forte entrada de Immobile ao 2º poste sobre Barzagli, redundando o lance num cabeceamento fatal que Neto anulou sobre a linha de baliza (grande deslocamento do guardião brasileiro de um poste ao outro, realçando o enorme guardião que é apesar de ter passado as últimas duas temporadas na sombra de Gigi Buffon).
A Juve sentiu o perigo e tratou de colocar mais homens nos flancos, criando superioridade numérica defensiva, contexto que levou o jogador brasileiro a pular imediatamente para a ala esquerda.

Simone Inzaghi fez uma nova alteração táctica com a entrada do médio espanhol Luis Alberto para o lugar do holandês Stefan de Vrij, fazendo regressar a equipa ao sistema de 3 centrais com a descida de Radu para o eixo do sector e a incursão de Lulic para a sua posição original na ala. A alteração do treinador de 41 anos voltou a ser benéfica (o espanhol veio melhorar a interligação entre sectores, permitindo que a bola chegasse mais vezes e em melhores condições a Milinkovic-Savic, de forma a este procurar mais vezes os apoios frontais dados à entrada da área por Biglia e Keita Baldé) mas a Lazio não acertava com a baliza. No espaço de poucos minutos, a trote dos passes verticalizados do sérvio para as entradas de Biglia na área, Keita Baldé, vindo de trás, teve nos pés duas oportunidades de devolver a equipa à discussão pelo resultado, atirando por cima nas duas ocasiões.

Pelo meio, sem forçar muito o andamento, numa fase em que o jogo voltou, de certa forma a adormecer, a Juventus pode matar a partida em duas ocasiões: a primeira, quando Dani Alves deu um autêntico nó (bola por outro, jogador pelo outro) em Lulic antes de assistir Higuaín na entrada da área para um volley que foi desviado por Wallace e a segunda quando o mesmo Dani Alves, aos 87″ também numa fabulosa acção individual de penetração da direita para o miolo, isolou o avançado argentino na cara de Strokosha. O albanês foi muito rápido a sair aos pés do argentino, fechando-lhe as portas da sua sua enorme caixa.

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