Fazem as declarações de Luis Filipe Vieira sentido?


«Independentemente de saber que num ou outro caso vai sempre haver contestação, há todas as condições para que o vídeo-árbitro acabe com a contestação aos árbitros. Todas as pessoas que estão ligadas ao fenómeno desportivo devem ter uma postura positiva e saber que o vídeo-árbitro vai ajudar mas que ninguém pense que não vai haver erros. Com essa postura positiva irão acabar as polémicas constantes todos os domingos, que têm prejudicado o futebol, por vezes tentando encobrir os erros dos outros em prol de atacar o árbitro» – ín Zerozero.pt

É o que dá ter que falar sem cartilha. Quando o presidente do Benfica é obrigado a falar sem recurso ao encomendado discurso, por norma sai sempre asneira.
As declarações são francamente contrasensuais. Ou então, são o sinal percursor daquilo que se passará quando o VA for introduzido. Estaremos perante uma caldeirada de aldrabice ou perante um momento de futurologia? Quero acreditar que estamos perante um daqueles discursos típicos do presidente do Benfica, apesar de termos considerado há tempos, o nosso wishful thinking em relação à coisa, aqui e aqui.

Desmontemos as declarações: “apesar de saber que num ou noutro caso vai sempre haver contestação” (porque já sabemos que num ou noutro caso que envolva uma ou outra equipa, num ou noutro momento crucial da temporada, haverá um ou outro lance que suscitará a habitual interpretação subjectiva do lance em causa ou das regras do jogo) há todas as condições (mas quais condições? É que a FPF ainda não se pronunciou quanto ao pacote de “legislação” relativo às funções, atribuições, competências e modus operandi da figura que vai implementar daqui a sensivelmente 2 meses e meio) “para que o vídeo-árbitro acabe com a contestação aos árbitros. Todas as pessoas que estão ligadas ao fenómeno desportivo devem ter uma postura positiva e saber que o vídeo-árbitro vai ajudar mas que ninguém pense que não vai haver erros.”

Que existirão erros, todos sabemos. Agora o que não compreendemos de certa forma é a lógica do discurso do presidente do Benfica: se vão haver erros e se num ou noutro caso vai haver contestação, como é que estão reunidas todas as condições para que o VA acabe a contestação aos árbitros? E já agora, quais são as tais condições, se a FPF ainda não emitiu até hoje um único diploma para definir os princípios e critérios de actuação pelos quais se irão nortear os agentes que vierem a revestir a figura?

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