Declarações que ficam para a História


“eu espero que rapidamente a cidade perceba que se não estiverem todos unidos em torno do clube, o clube irá sempre andar ou para a esquerda ou para a direita… nunca irá ter um rumo certo. (…) A Académica é um clube de Primeira. Não basta dizer que é um clube de 1ª Liga, é preciso demonstrá-lo…”

1 ano em Coimbra chegou e sobrou para Costinha resumir numa breve declaração a história dos últimos 43 anos da Secção de Futebol da Associação Académica de Coimbra\Clube Académico de Coimbra\Associação Académica de Coimbra – Organismo Autónomo de Futebol – uma manta de retalhos (sistematicamente rota e falida) que anda ao sabor de vários poderes instituídos (alguns deles obscuros que trabalham na sombra; se hoje lhes dessem a possibilidade de governar os destinos do clube, fugiriam dessa responsabilidade, como tem fugido ao longo de vários anos, escudando-se nos seus lugares menores na direcção e nos Conselhos para continuar a exercer o seu catedrático poder sobre a coisa que possuem como se de um direito real se tratasse) e de mudanças “politiqueiras” que servem interesses de bairro. Já nem falo do demissionário presidente. Paulo Almeida entrou com a corda toda para sair sem qualquer tipo de corda porque os fios foram descarnando ao longo dos tempos, chegando este à evidente conclusão que não havia volta a dar: o clube está tecnicamente falido.

O mais grave é que este conjunto de treinadores-adeptos, de dirigentes-adeptos, de presidentes-adeptos que para além de não pescarem nada de futebol ou de gestão desportiva, continuam a não permitir que o clube se modernize e se possa adaptar às exigências financeiras do futebol moderno. Continuo a referir que foram essas as pessoas (eu conheço-os bem mas não cito nomes) que há uns anos atrás mataram o futuro da Académica ao votar favoravelmente a constituição de uma SDUQ em detrimento de uma Sociedade Anónima Desportiva, limitando por completo a possibilidade deste clube ter recursos financeiros mais vastos e alguém capaz de pensar uma estratégia a médio e longo prazo.

São essas as pessoas que não conseguem compreender que um clube que não recebe regularmente a entrada de capitais, que fica imediatamente impedido de ter um parceiro de negócio e que por conseguinte não tem portanto, alguém que veja o futebol como um negócio (o que implica obrigatoriamente a adopção de uma estratégia coerente; sem o percurso de um caminho uno, por mais certo ou errado que esse caminho se venha a provar, não pode obviamente existir sucesso) fica automaticamente limitado na sua acção: sem uma equipa capaz de praticar bom futebol de forma a poder lutar por objectivos coadunáveis com a sua história, as pessoas não compram o espectáculo. Se as pessoas não compram o triste espectáculo que lhes é oferecido, o clube jamais poderá ambicionar o quer que seja, ficando estagnado nas parcas receitas que obtém. Encaremos portanto os factos de frente: o clube está falido e não poderá inverter esta situação com recurso a receitas próprias porque neste momento, as receitas da Académica não podem competir com o poderio do investimento que é realizado pelos agentes que detém a propriedade das sociedades dos outros clubes. Logo, é altura de mudar. Aliás, como referi anteriormente, essas pessoas já o deveriam ter feito quando optaram pela “solução má”, ou seja, pela constituição de um modelo de gestão que colocou a Académica numa redoma (“orgulhosamente sós”) muito perigosa.

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