Breve Análise – Campeonato do Mundo de sub-20 – Portugal 1-1 Costa Rica


Uma pobreza franciscana. Patrocinada pela constrangedora escolha feita num treinador que de facto não é nem nunca o será, pelas escolhas realizadas por esse treinador e pela estratégia traçada pela FPF para a participação no torneio, excluindo a participação aos atletas mais desenvolvidos do escalão de sub-20.

Esta é a expressão popular que mais se adequa ao que ao que a selecção nacional de sub-20 acabou de fazer frente à Costa Rica no jogo que acabou de terminar em Jeju. O empate (1-1) acabou por coroar o fraco (no nosso caso constrangedor) desempenho de ambas as equipas na partida. A formação de Emílio Peixe tem obrigação de fazer melhor, não existindo desculpas possíveis (humidade, diferença horária, cansaço acumulado nas pernas nesta altura da temporada) para justificar o mau desempenho realizado nestes dois jogos: esta equipa está muito mal trabalhada ao nível de processos embora o facto de ter um treinador que a acompanha e que a trabalha regularmente há vários anos. Vivendo dos fogachos individuais de um grande talento (o lateral Diogo Dalot), a equipa somou um mau desempenho à atitude perdulária demonstrada no domingo frente à Zâmbia no passado domingo.

A falta de tudo. De rigor posicional tanto nos momentos ofensivos como defensivos, de critério na circulação de jogo, de dois centrocampistas capazes de quebrar o rigor táctico dos seus oponentes directos de forma a vir procurar jogo e rapidamente colocar a bola nos flancos, de dinâmica ao nível das movimentações sem bola (para além de Dalot, os únicos que procuram sistematicamente quebrar linhas através de constantes movimentações sem bola são os dois avançados).

Frente a um adversário muito rude tecnicamente, agressivo q.b nas disputas e razoavelmente equilibrado do ponto de vista posicional num sistema 3x5x2, a equipa portuguesa entrou melhor na partida e criou as primeiras duas situações de golo: a primeira quando Xande Silva teve a bola na zona de penalty após uma atrapalhação da defesa da formação centro-americana e a segunda quando isolado na cara do guardião Erick Piñeda, o avançado do Vitória de Guimarães, filho do antigo jogador do FC Porto Quinzinho, permitiu uma grande intervenção ao guardião costa-riquenho. Até aí nada de especial: repetia-se o cenário verificado no jogo contra a Zâmbia. Até à primeira meia-hora, altura em que Portugal chega ao golo com alguma justiça através de uma grande penalidade cobrada por Diogo Gonçalves, a castigar um toque com o braço de um jogador tico a cruzamento de Diogo Dalot numa das múltiplas incursões do lateral do Porto até ao último terço (uma das tónicas verificadas nos processos de construção ofensiva por parte da selecção portuguesa, com o apoio directo de Miguel Luis) Portugal conseguiu o maior ascendente da partida. A selecção costa-riquenha não tinha melhores argumentos ofensivos, praticando um futebol semi-directo em profundidade no qual eram solicitadas com uns valentes chutões as incursões dos seus avançados Jimmy Marin e Barlon Sequeira para os corredores.

Na 2ª parte tudo descambou. Os jovens lusitanos entraram mal na partida, sofrendo logo aos 3″ (48) também de grande penalidade. A partir daí, a selecção portuguesa tornou-se irreconhecível, perdendo por completo a posse de bola e o domínio do jogo. Na 2ª parte foram, a meu ver, vários os momentos em que a formação de Emílio Peixe perdeu por completo o norte e não deu qualquer nexo ao seu futebol. Excepção feita a um ou dois lances construídos novamente por Dalot no capítulo do cruzamento (aos quais Erick Piñeda teve que recorrer a soco para afastar a bola), a equipa não teve simplesmente ideias para fazer melhor porque a sua dupla de médios (Hélder Rodrigues do Vitória de Guimarães e Bruno Xadas do Sporting de Braga) não conseguiu ser pragmática (quando conseguem suplantar a pressão imediata a um dois toques, conseguem gerar progressão e fluidez; quando não o fazem, travam imediatamente o ímpeto ofensivo acabando por levar à perda do esférico) e criteriosa na transição para o ataque.

Para ajudar à miséria, pudemos também assistir a uma execrável arbitragem do Qatari Abdulrahman al Jassim. O árbitro qatari é um daqueles fenómenos promovidos pela FIFA para tentar dar a entender ao mundo que existe desenvolvimento na arbitragem nos países menos evoluídos. Al Jassim quis ser literalmente o protagonista do jogo. Sem qualquer critério a nortear a sua actuação no capítulo técnico e disciplinar, o qatari é um daqueles árbitros que não compreende a inevitável ocorrência de contacto físico na modalidade e que gosta de parar o jogo por tudo e por nada para marcar faltas e faltinhas e para dar autênticas lições de moral aos jogadores. Durante a partida, o árbitro deverá ter falado em largos monólogos com os jogadores mais de 20 ocasiões, mostrando cartões atrás de cartões ao mínimo contacto (faltoso ou não) existente entre os jogadores. Tal atitude, veio-se a provar como nociva para a qualidade de jogo que se pretendia. Aos 70″ acabaria por expulsar Rúben Dias com a mostragem do segundo amarelo, num lance banal de disputa entre o central do Benfica e um costa-riquenho. O primeiro amarelo mostrado ao central também já se tinha verificado excessivo. Al Jassim pode portanto, com esta expulsão, prolongar a inoperância portuguesa e dar alguma moral aos costa-riquenhos para os 20 minutos finais, podendo-se dizer que estes só não ganharam a partida porque faltou qualidade técnica aos seus jogadores nas 2 ou 3 situações de finalização criadas na grande área portuguesa.

O resultado obriga Portugal a ter vencer o Irão no sábado. Os iranianos perderam hoje contra a Zâmbia por 4-2. Estando a Zâmbia apurada com 6 pontos e o Irão com 3 (Portugal e Costa Rica somaram hoje o seu primeiro ponto), os comandados de Emílio Peixe precisarão de vencer o Irão, podendo até esse resultado não ser suficiente para alcançar o 2º lugar se a Costa Rica vencer a Zâmbia por uma diferença de golos que permita ter um melhor goal average que a selecção portuguesa. Em todo o caso, uma vitória sobre o Irão dará (creio) uma presença nos oitavos-de-final da prova por via da obtenção de um dos 4 melhores 3ºs dos 6 grupos em disputa.

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