Análise – Final da FA Cup – Arsenal 2-1 Chelsea


2 anos depois da última conquista da competição, Arséne Wenger volta a conquistar a Taça de Inglaterra. No maravilhoso palco de Wembley, as duas equipas de Londres ofereceram-nos um daqueles espectáculos de encher o olho. O Arsenal finalizou uma temporada muito difícil da melhor forma, realizando uma extraordinária exibição contra o campeão em título, o Chelsea de Antonio Conte. O resultado de 2-1 acabou por não espelhar a predominância dos Gunners numa partida em que a formação de Antonio Conte cometeu muitos erros defensivos e foi-se deixando enredar na fabulosa teia estratégica tecida pelo treinador gaulês do Arsenal.

Olivier Giroud e Aaron Ramsey acabaram por ser os heróis da partida, num desafio em que sinceramente foi-me bastante difícil atribuir uma menção honrosa em virtude da prestação incrível de várias unidades do Arsenal. Num dos primeiros toques na bola após a sua entrada para o lugar do desequilibrador Danny Welbeck, o francês assistiu o galês para o golo da vitória, quebrando por completo um ligeiro ascendente do Chelsea (reduzido a 10 por expulsão de Victor Moses) no jogo.

Gunners com a lição muito bem estudada

Wenger sabia decerto ao que vinha o Chelsea. É certo que o encaixamento táctico foi um dos factores que ajudou a implementação das ideias que o francês trazia para a partida. O cansaço acumulado nas pernas dos Blues também deu uma ajudinha mas não explica os vários erros defensivos nada habituais que foram cometidos pelos centrais, por exemplo.

Logo que a partida teve o seu início, os Blues tentaram imediatamente baixar o bloco defensivo de forma a capitalizar nas perdas de bola dos Gunners a meio-campo. Efectuando um pressing perfeito nos primeiros minutos nos corredores (alas a pressionar alas; Kanté a oscilar entre a  meia direita e o meio de forma a fechar imediatamente linhas de passe de Oxlade-Chamberlain para o meio) a formação de Antonio Conte pretendia que os alas contrários (Chamberlain e Bellerin) errassem na transmissão obrigatória de bola para o corredor central a que obriga este tipo de pressing. Criando um engodo no meio com a presença constante de 3 unidades (Pedro e Hazard tinham obrigação de vir fechar o meio-campo; Matic a tentar cortar o espaço entre linhas; Kanté a oscilar entre a meia direita e o corredor central) procuravam os Blues recuperar o máximo número de bolas para apanhar a equipa contrária em contra pé e sem capacidade de reorganização defensiva imediata, de forma a lançar os venenosos contra-ataques nos quais são prodigiosas as acelerações de Pedro e Eden Hazard ou os lançamentos para as desmarcações de Diego Costa para as costas dos centrais adversários.

O Arsenal soube contornar bem a estratégia de Conte. Servindo como um vagabundos no espaço existente entre as costas dos médios e os centrais, Alexis, Ozil e Aaron Ramsey ofereciam constantemente as suas linhas de passe a Granit Xhaka enquanto Danny Welbeck tentava colar-se a Marcos Alonso para impedir que o ala espanhol pudesse pressionar Bellerin, jogador que se viria a demonstrar fulcral na mecânica ofensiva dos gunners. Assim que a bola entrava entre linhas nos pés de um dos criativos do Arsenal a ideia era procurar imediatamente articular o jogo numa ou noutra combinação de forma a fazer a equipa progredir e entrar na área pelas costas dos centrais do Chelsea. O 1º golo dos gunners nasceria num desses lances, ou seja, numa combinação entre Ramsey e Alexis Sanchez

Um dos aspectos negativos do pressing que era feito pelos azuis nos minutos residia precisamente na permissividade que foi dada durante praticamente todo o jogo a Granit Xhaka na transição ofensiva em ataque organizado. Outro consumou-se na inoperância demonstrada essencialmente por Kanté para travar os esforços de transição realizados por Alexis. O chileno conseguiu sempre segurar a bola, rodar e servir a entrada (soltinha) de Bellerin pelo flanco direito dando velocidade e progressão ao jogo da sua equipa. Assim que a bola entrava nos pés de um dos criativos do Arsenal a ideia era procurar imediatamente articular o jogo numa ou noutra combinação de forma a fazer a equipa progredir e entrar na área pelas costas dos centrais do Chelsea. O 1º golo dos gunners nasceria num desses lances, ou seja, numa combinação entre Ramsey e Alexis.

Minuto 13 – Uma verdadeira cagada do videoárbitro em 2 actos

É correcto dizer que Ngolo Kanté fica verdadeiramente mal no lance mas também é correcto afirmar que ninguém, com os 5 aferidos na testa, valida este golo. Muito menos com recurso a várias repetições de vários ângulos. Pela primeira vez pudemos assistir a um erro grosseiro de um videoárbitro. Para além de me parecer que o chileno consegue ganhar vantagem com recurso a um toque com o braço, assim que Aaron Ramsey se faz à bola (partindo de posição de fora-de-jogo) deve ser assinalada a irregularidade. Pelo meio, Arsène Wenger gesticulava com as mãos um não enigmático que não foi facilmente apurada ao nível de intenções – ficamos na dúvida: terá o francês discordado do benefício granjeado pelo VA à sua equipa? Não estaríamos perante uma situação inédita no comportamento do técnico gaulês… visto que em 1999 mandou repetir um jogo depois da sua equipa ter ganho com um golo obtido numa situação em que o fairplay ficou a desejar.

15 minutos de massacre – falta de ideias do Chelsea. Pouca intensidade no capítulo da pressão.

Os Gunners subiram aos céus com o golo. Quando os seus “vizinhos” tinham a posse do esférico, a equipa já fazia questão de pressionar alto, colocando os centrais dos Blues numa situação muito incómoda quando tentavam sair a jogar a partir de trás. Com uma marcação individual bem estruturada, as saídas a partir de trás da formação de Antonio Conte transformavam-se rapidamente em ocasiões de golo para os londrinos. Aos 15″ Gary Cahill salvou sobre a linha de golo (pressionado por Welbeck nas costas) um remate defendido por Courtois aos pés de Alexis, aos 29″, numa das suas incursões à esquerda, numa situação conduzida no contra-ataque por Xhaka, Welbeck colheu o passe do suiço, fez um brilhante 1×2 com Bellerin (sempre que possível, quando a bola estava no flanco esquerdo, o ala espanhol veio ao meio, na medida em que Ramsey, Ozil e Sanchez desdobravam-se para as alas) e entrou na área para permitir a defesa de Courtois. Aos 31″ Granit Xhaka obrigou o guardião belga a uma extraordinária defesa a um volley de primeira de fora-da-área.

Cada perda de bola dos blues no seu meio-campo ou à entrada da área dava o direito aos comandados de Arsène Wenger de sair na transição rápida, denotando-se dois três factores irregulares na habitual mecânica da formação de Conte: incapacidade clara dos dois trincos em pressionar imediatamente a transição de maneira a estancá-la e lentidão na recuperação defensiva da equipa, situação que permitiu ao longo da partida a construção de várias acções de superioridade numérica no contragolpe aos gunners.

O Chelsea haveria apenas de construir uma oportunidade de golo num dos 2 erros defensivos do Arsenal – O 2º viria a ser curiosamente o lance do golo – num passe em diagonal para a tentativa de entrada de Diego Costa pelas costas de Mertesacker. O posicionamento do central dava a ideia que este tinha o lance controlado para aliviar correctamente. Assim que Ospina saiu da baliza percebi que tinha sido uma falha de comunicação entre o alemão e o colombiano. Diego Costa surgiu pelo meio e atirou para defesa do sul-americano para canto.

A 2ª parte começa com o recuo do bloco defensivo da turma de Wenger. A equipa de Conte apareceu mais rápida na circulação a meio-campo e sobretudo mais imaginativa, procurando colocar em marcha os processos ofensivos que conduziram a equipa à conquista do título. Diego Costa começou a vir atrás tentar buscar algum jogo inicial as fabulosas triangulações com os criativos, Hazard apareceu finalmente no espaço livre atrás dos médios, pronto a receber e pronto a acelerar o jogo, fazendo chegar a bola à direita ao desequilibrador Victor Moses. O nigeriano, até aí pouco projectado no ataque (Alonso projectou-se ainda menos; um dos pontos conquistados por Wenger residiu precisamente aí, ou seja, na projecção dos seus alas, devidamente acompanhados pelas diagonais sem bola de Welbeck e Ramsey para as faixas, e pela presença por dentro dos criativos, como forma de limitar a acção ofensiva dos alas do Chelsea) teve alguma liberdade para se projectar mais quando Conte colocou Kanté no seu corredor nos momentos defensivos. Ao tentar sistematicamente colocar a sua poderosa inflexão com bola para dentro a partir da direita, o nigeriano haveria de criar algumas situações interessantes, antes de ser burro que nem uma porta quando, num destes seus movimentos característicos, tentou ludibriar o árbitro da partida. Aos 51″ quase marcou num remate cruzado.

A expulsão do nigeriano em nada afectou a equipa num primeiro momento, apesar das mudanças tácticas que vieram a ser protagonizadas pelo técnico italiano com a redução da defesa a 4 através da colocação de Azpilicueta na direita e a perda de lateralidade e profundidade que o nigeriano oferece quando se projecta para o último terço. Entretanto, o italiano também já tinha abdicado de Matic e de Pedro fazendo entrar para os seus lugares Cesc Fabrègas e Willian. Conte procurava os passes em diagonal do espanhol e os magníficos cruzamentos que o brasileiro oferece à equipa.

Reduzidos a 10 elementos, os Blues haveriam de empatar numa geométrica jogada que só está ao alcança dos grandes génios do futebol. Uma triangulação de sonho entre Hazard, Fabrègas e Willian garantiu ao brasileiro liberdade para cruzar sem oposição. Repare-se porém no trabalho que é concedido pelas entradas e saídas sem bola de 3 jogadores do Chelsea no lance, facto que quanto a mim permitiu adormecer a defesa do Arsenal. Recepção fantástica do brasileiro num lance em que Rob Holding lhe deu espaço a mais. Com espaço, o hispano brasileiro é fatal. Erros de principiante.

Wenger tratou de colocar Giroud em campo.

O passe que desmarca Giroud nas costas de Cahill é de Alexis. Palavras para quê?

P.S: Gary Cahill foi lesto a atacar a bola, deixando-se papar pelo francês.

Com o 2-1 feito, os gunners voltaram a recuar as suas linhas, tentando capitalizar no jogo da ratice. Se aos 87″ Ozil poderia ter fechado a contagem quando, na sequência de um contra-ataque, recebeu a bola, entrou na área, tirou Azpilicueta da frente com um bonito antes de atirar de forma incrível ao poste com Thibault Courtois batido…


um minuto antes foi Diego Costa quem desperdiçou a oportunidade de matar quando no ressalto de uma bola para a área, o avançado fez uma recepção orientada de todo o tamanho que o fez passar de mota sobre Per Mertesacker de maneira a finalizar para uma defesa providencial de David Ospina.

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