Desconstruir as certezas de Rui Vitória


“Acho que não. Mas lembrem-se lá de um jogo em que o Benfica ganhou por causa do árbitro. Não vejo nenhum jogo em que eu diga ‘houve um penálti, ganhámos 1-0, foi um erro’ 

Nas entrevistas concedidas nas últimas 48 horas à BTV e à SIC, o treinador do Benfica iniciou um ritual que já pode ser considerado e classificado como um clássico do clube da Luz nesta fase específica do ano: o habitual cacarejar de papo cheio. Durante a temporada, o treinador pouco fala (e quando fala escuda-se sempre num conjunto de metáforas, para não que a sua mensagem não seja entendida explicitamente) enquanto o presidente Luís Filipe Vieira utiliza, como estratégia de comunicação, um alegado silêncio mascarado por uma comunicação multi modal na qual sobressaem vários rostos, todos externos ao clube encarnado.

A afirmação em epígrafe, chocou-me por completo. Não é para menos. Sabemos de antemão que o técnico encarnado, como exemplar funcionário que é, teve obviamente que passar a tarde do dia de ontem debruçado nos mandamentos da cartilha que lhe foi escrita à medida da ocasião. A missão arrolada ao técnico na cartilha era, a meu ver, muito simples: “Rui tens que ir lá papá-los de cebolada, tratá-los como se os gajos (do Sporting e do Porto) fossem gajos mesmo muito estúpidos” – o Rui lá leu o que alguém lhe escreveu e foi ao programa dar aquela imagem de Santinho do Paoco que toda a gente lhe parece reconhecer, à falta de dois palminhos de testa para lhe topar a recorrente sonsice que o treinador do Benfica exala. O mister da t(r)eta, sujeito que neste momento é tido e achado no mesmíssimo patamar em que Jesus era tido e achado quando conquistou o seu bi (porque no reino dos encarnados, o melhor do mundo passa a pior do mundo assim que se muda para o outro lado da 2ª circular; a mesmíssima coisa poderá um dia acontecer com Rui Vitória se o técnico eventualmente assinar pelo Sporting) acabou portanto por abrir com a dita afirmação uma caixa de pandora muito perigosa, que qualquer um poderá portanto aproveitar, como se de uma caça ao tesouro se tratasse. Erros de arbitragem a favor do Benfica transformados em vitórias? Nah! Que ideia! Ou o Rui nos quis tomar como plenos estúpidos (utilizando a extremosa táctica da massificação de ideias como verdades universais que os adeptos dos outros clubes tem que engolir sem pestanejar) ou então, estamos perante um sinal claro de mitomania: Rui Vitória acredita mesmo nas mentiras e nas ficções que nos vai narrando, como se verdades se tratassem.
Como ninguém gosta que alguém lhe tente passar a perna, tratámos de escrever um post para desmistificar a ideia que os encarnados tentam passar por osmose. Foi ou não o Benfica vencedor em jogos em que possa ter sido beneficiado pela arbitragem? Foi. Ponto Final. Venham os exemplos. Rui Vitória só pediu um. Eu dou-lhe, pelo menos, 6. Muitos mais poderia dar se tivesse o acesso às imagens de outros jogos:



Jornada 2 – Estádio da Luz – 
O Benfica “ganha” um ponto com esta simulação forçada de Gonçalo Guedes.

Jornada 13 – Estádio da Luz –  O Sporting visita a Luz em condições de saltar para o primeiro lugar do campeonato em caso de vitória no reduto dos encarnados. Na primeira parte não são assinaladas duas grandes penalidades claríssimas a favor dos leões, um por domínio de Pizzi com recurso aos dois braços (domínio que lhe permite iniciar uma acção rápida em contra-ataque que culmina em golo para o Benfica) e outra num corte com o braço de Nélson Semedo que evita um “golo de canto directo” cantado de Bruno César.

A derrota na Luz não só afastou o Sporting da justa liderança do campeonato como teve o condão de iniciar a fase negra de resultados que afastaria os leões do título.

23ª Jornada – Benfica 3-1 Chaves –  Mitroglou inaugura o marcador com um golo totalmente irregular aos 16″. O golo bem como o penalty que ficou por marcar aos 49″ sobre Perdigão (falta de Eliseu; poderia consumar a cambalhota no marcador) leva o presidente do Sport Lisboa e Benfica a declarar algo profundamente antagónico às declarações do seu treinador. Vejamos o que declarou LFV à CMTV durante essa semana:

Como? Pode voltar a repetir, Luis Filipe Vieira? Pode voltar a repetir o que disse, Rui Vitória? Há aqui uma certa incongruência entre o discurso proferido pelo presidente em Março e as declarações do treinador em Maio. O treinador diz que nunca foi beneficiado. O presidente declarou-se beneficiado há uns meses atrás… A cartilha em que o treinador se apoio para discursar na SIC não derá estar a ser escrita com “uma moleta para auxiliar a memória” nos anteriores escritos.

29ª Jornada – Estádio da Luz – Benfica 2-1 Estoril – O primeiro golo dos encarnados surge deste penalty fantasma sobre Nelson Semedo.

 

Moreirense 0-1 Benfica – Quando o marcador se encontrava a zeros, Luisão tem esta entrada dura para vermelho directo sobre o Boateng que colocaria o Benfica a jogar com 10 aos 30″, obrigando o seu treinador a ter que tirar um jogador do meio-campo ou do ataque para colocar um central. O Benfica venceria a partida pela margem mínima.

O golo irregular de Mitroglou que valeu o apuramento para a final da Taça de Portugal.

Vila do Conde – Estádio dos Arcos – 32ª Jornada – Penalti claro de Rafa Silva sobre Rafa Soares. O extremo carrega o lateral esquerdo do Rio Ave dentro da área aos 39″. O jogo estava empatado a 0 bolas quando este lance ocorreu.

Se analisasse a fundo os jogos do Benfica 16\17, mais lances poderia obter para corroborar que Rui Vitória mente descaradamente. Nos empates contra o Boavista (em casa), FCP (2 jogos), o Benfica conseguiu pontos à conta de benefícios claros por parte das arbitragens. Já são 9. Estamos a falar de um universo pontual de 27 pontos em que 19 foram conquistados com recurso às decisões do apito. Assim como foi prejudicado num ou noutro jogo como o de Setúbal ou até o de Alvalade. No entanto, as vantagens somadas à custa de “erros” de arbitragem foram maiores do que os pontos perdidos à conta de erros de arbitragem. Parece-nos algo por demais evidente. Algo portanto que o treinador do Benfica jamais poderá escamotear.

Um pensamento em “Desconstruir as certezas de Rui Vitória”

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