Está por aí a prova em como certos treinadores não são nada sem as ditas “estruturas”

Conhecemos por aí um treinador, agente que até tem sido vagamente apontado como possível treinador de 2 grandes para a próxima temporada, que acabou de descer à 3ª divisão alemã com um plantel que tinha nomes como Sebastian Boenisch (internacional alemão em 14 ocasiões), Abdoulaye Ba (até há pouco tempo era o central de um clube de Liga dos Campeões),  Filip Stojkovic (internacional sérvio), Karim Matmour (habituée na selecção argelina nos últimos anos), Victor Andrade, Amilton (uma das grandes revelações da Liga 2015\2016) e o veteraníssima Ivica Olic, que, apesar dos seus extensos 37 anos, foi um dos melhores avançados dos últimos 15 anos do futebol alemão. O plantel continha também jogadores muito tarimbados ao nível de presenças no principal escalão do futebol alemão.

Esse treinador, bicampeão nacional, em parte à conta de alguma sorte face ao medonho futebol praticado pela equipa durante essas duas temporadas, e até, em virtude das suas limitações como treinador, não conseguiu, desde o momento em que saiu desse clube, ganhar títulos em 3 dos 4 clubes por onde passou, vencendo “simbolicamente” um campeonato nacional num clube que é o hegemon de um determinado país, tendo vencido 19 das últimas 21 edições desse mesmo campeonato. Nesse triunfo, no Olympiacos, esse treinador só teve literalmente que confirmar o excelente trabalho realizado por outro na metade mais dura da temporada, a 1ª, ou seja, aquela em que uma equipa tem que ser trabalhada com afinco ao nível de processos.

Posto isto, ainda existem por aí alguns dummies que vendem este treinador como um Bom Treinador quando provavelmente nem mediano Treinador é. Foi um treinador que venceu porque estava inserido em “estruturas” vencedoras. Aquele tipo de estruturas que levaram muitos a dizer, há uns anos a esta parte, que a existência de uma estrutura é mais que garante para a conquista de títulos. A partir daí, esse treinador somou bola. Até quando lhe deram literalmente um Ferrari para as mãos no Fenerbahce.

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C´est le monde du foot, Waldemar!

“Não entendo isto, não entendo. Ele está a abandonar-me. Organizámos tudo à volta dele para a próxima temporada” Waldemar Kita, presidente do Nantes, quando inquirido sobre o facto de Sérgio Conceição estar a forçar a saída do clubes francês para poder assinar pelo FC Porto.

O mundo do futebol é assim Waldemar. Quando determinados agentes tem a sua cotação em baixa e vêem as portas dos clubes a fechar-se de par em par, são capazes, de literalmente, humilhar-se para terem uma oportunidade. Assim que conseguem reerguer-se, os mesmos que outrora se venderam por uma uva mijona para poderem ter uma oportunidade, sentem-se demasiado confortáveis para poderem passar por cima de todas as pessoas que apostaram neles quando estavam na mó de baixo. No futebol moderno, uma grossa parte dos agentes estão-se a marimbar para os símbolos, para o futuro dos clubes, para as expectativas ou para os esforços financeiros realizados pelos dirigentes. O que interessa no fundo é o dinheiro, em primeiro lugar, e a glória, em segundo lugar. Se eventualmente conseguir forçar a saída para assinar pelo Porto, Sérgio Conceição irá marimbar-se para o futuro do clube. Quer lá ele saber se vais descer de divisão ou se o teu clube vai à falência. Um dia, quando ele voltar a ser despedido, ainda utilizará o ano que passou no vosso clube como cartão de visita para o trabalho dele. Sê portanto bem vindo à era do mercenarismo.

Alonso e o carro de mão (ou carro na mão?)

A 21 voltas do fim quando era 7º e ainda estava na luta pela vitória das 500 milhas de Indianapolis, numa corrida (de Indy Car) que foi ganha por Takuma Sato. Oops, esperem lá: o Takuma Sato não foi o piloto mais perigoso da história da Fórmula 1?

Balanço do Giro de Itália – as grandes surpresas e as decepções da 100ª edição da prova italiana (1ª parte)

Quando o holandês Tom Dumoulin chegou à Sardenha para iniciar a sua prestação na 100ª edição do Giro de Itália, não estaria decerto convicto que poderia lutar pela vitória na geral individual. Na verdade, poucos foram aqueles previam nas suas mais optimistas previsões, a possibilidade do ciclista holandês poder vir intrometer-se na luta particular que se iria decerto travar nas estradas italianas entre Nairo Quintana, Vincenzo Nibali, Mikel Landa e Thibault Pinot. Tal cenário estava reservado, na melhor das hipóteses, a ciclistas como Ilnur Zakarin, Tejay Van Garderen ou Steve Kruijswijk. O holandês da Lotto-Jumbo era, dentro deste lote de possíveis outsiders, aquele que reunia mais consenso entre os especialistas na modalidade em virtude dos resultados obtidos pelo ciclista nas últimas edições da prova. O 7º lugar alcançado na geral em 2015 e o brilhante 4º lugar arrancado na edição do ano passado, prova em que esteve efectivamente muito próximo da conquista de um feito épico, não fosse a queda sofrida na recta final da mesma, colocavam imensa pressão (pressão à qual este não soube responder a preceito no decurso da prova) sobre os ombros do trepador holandês. Kruisjwijk viria a desistir na 20ª etapa numa fase da prova em que ainda lutava por uma posição nos 10 primeiros da prova. Na montanha, o ciclista da Lotto-Jumbo realizou exibições muito aquém das suas capacidades.

Tom Dumoulin, por sua vez, já tinha provado ser capaz de poder lutar por um lugar no top 10 de uma prova de 3 semanas. Com um excelente desempenho na edição de 2015 da Vuelta, prova em que andou durante várias etapas com a camisola vermelha, fechando a geral na 6ª posição, o holandês pode calar todos os críticos que consideravam que este jamais passaria de um excelente rolador com alguma propensão para o ataque em etapas de média montanha. Muitos consideraram portanto que o holandês dificilmente poderia assumir-se como um contender à geral individual porque teria muitas dificuldades para brilhar na alta montanha face à enorme concorrência dos trepadores puros como NairoMan, Thibault Pinot ou o Tiburon de Messina Vincenzo Nibali.

As baixas expectativas depositadas por vários analistas acabaram por funcionar muito bem a favor das pretensões que foram geradas pelo ciclista no decurso da prova. A partir do momento em que este conseguiu passar as duas primeiras grandes dificuldades montanhosas da prova (Monte Etna e Blockhaus) sem ceder tempo perante os principais favoritos, o holandês começou a ser mais respeitado dentro do pelotão. Quintana, Nibali e Pinot chegaram inclusive, na última tirada da prova, a unir esforços para tentar cavar uma diferença aceitável que lhes permitisse não terem que lidar com a ameaça que o holandês representava no contra-relógio final. Afinal de contas, o traçado desenhado pela organização para a 2ª metade da prova jogava parcialmente a seu favor. Com um contra-relógio longo (de altíssimo grau de dificuldade técnica) e outro de média distância a finalizar a prova, o holandês só precisava de não perder tempo na montanha.

Feita esta pequena introdução ao tema, e, relembrando a cobertura quase “exaustiva” (faltaram as duas etapas finais da prova, por manifesta falta de tempo) da prova ao longo das 3 semanas, este post visa essencialmente fazer um balanço global sobre a mesma, utilizando para tal uma estrutura crítica dividida em 3 partes assente no rendimento daqueles que consideramos terem sido as principais surpresas e as principais decepções da prova italiana. Continuar a ler “Balanço do Giro de Itália – as grandes surpresas e as decepções da 100ª edição da prova italiana (1ª parte)”

Falamos de um guarda-redes de 51 milhões ou de 51 tostões?

Acredito piamente que para se vender um guardião por 51,6 milhões de euros, mais 2 do que o valor pago pelo Bayern há uns anos pelo melhor guarda-redes da actualidade, Manuel Neuer, e menos 1,4 milhões que o melhor guardião da História do Futebol, é preciso, em primeiro lugar, a presença na negociata um super negociador como Jorge Mendes. Dar o corpo ao manifesto (as chamadas defesas de instinto; providas de muita fé e de alguma rapidez na leitura da jogada e no tempo de reacção mas muito escassas ao nível de verdadeira técnica de guarda-redes quando analisamos ao nível de agilidade e flexibilidade; Não é que a técnica seja algo muito importante num remate à queima roupa, porque nesse tipo de remates, o mais importante é efectivamente conseguir anular um golo, mas a sua existência ajuda por vezes a distinguir um guarda-redes mediano, aquele que dá o corpo, de um guardião ágil a erguer-se aos pés do rematador) e realizar uns chutões largos lá para a frente são “duas características” que ainda não vendem guarda-redes por 51,6 milhões de euros. Os guarda-redes podem efectivamente ajudar a fazer a diferença (ofensiva) com um ou dois pontapés longos para a frente, mas convenhamos que neste momento, a sua função no futebol ainda não é, por enquanto “viver para as assistências”, apesar de já termos visto alguns exemplos históricos de keepers que batiam prodigiosamente as bolas paradas.

Olhe-se o golo do Vitória. O guardião viu a falha de marcação do central. Para além da falha de comunicação para com o defesa (um grande guarda-redes tem de ser em primeiro lugar um excelente comunicador) e de ter sido lento a fazer a leitura da situação em causa, Ederson também falhou redondamente em dois itens técnicos naquele lance: não foi ao esférico com determinação e coragem. Qualquer guarda-redes que valha 51 milhões tem que demonstrar determinação e coragem na abordagem ao lance, saindo imediatamente com todo o vigor possível com os punhos à frente. A pequena área protege a sua acção e tem de ser, em qualquer situação de bola parada, sua. O que vimos foi uma péssima abordagem do guardião encarnado ao lance, ficando completamente nas covas.

Desculpem lá meus amigos, mas um guarda-redes com este tipo de falhas, demonstra num só lance a razão que me leva a defender que não vale os 51,6 milhões. Nem 20.

O futebol de sonho dos Iniciados do Anadia

https://streamable.com/s/w44xx/ojzatk

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Garanto-vos que vale os 20 segundos de uma vida. E resumem tudo sobre a qualidade destes jogadores e do treinador Tiago Pereira. Podíamos estar aqui a falar de uma equipa de seniores de 1ª divisão ou de uma jogada fantástica realizada por uma equipa de juniores de um dos 3 grandes. Podíamos até mesmo dizer que se tratava de um highlight da Uefa Youth League mas não, foi uma jogada realizada em Alcochete pelos iniciados do Anadia frente ao Sporting. Posso-vos garantir que em todos os jogos, esta equipa proporciona-nos uma situação desta qualidade. Qualidade.

Vejam, vejam como miúdos de 14 anos conseguem sair de uma situação de pressão alta intensa até à área adversária através de várias triangulações a um toque. Vejam a inteligência de todos os participantes na acção face à pressão intensa que era feita pelos jogadores leoninos. Vejam as constantes movimentações sem bola. Desde o avançado que sai das marcações para vir tocar a bola para o seu companheiro poder realizar à abertura para as alas, às incursões sem bola para a área de vários jogadores que integraram a acção, de forma a ceder mais “soluções” para o cruzamento. Vejam só. Vejam novamente.

Tiago, lamento ter que te dizer que tenho pena que este país não proporcione algo que mereces desde há algum tempo a esta parte: o profissionalismo. És um génio a montar equipas. Um país a sério que pretenda ter um desporto a sério, tem que oferecer condições para que tu e várias centenas se possam dedicar aquilo que melhor sabem fazer! Muitos parabéns! Este futebol da tua equipa é de sonho!

Adeus Imperador! Sem ti, não teremos mais divertimento

No Totti, no Party! Parte um jogador que me acompanhou ao longo do meu crescimento enquanto ser humano. Vi-o pela primeira vez em campo aos 8 anos. Vi-o pela última vez num momento em que estou a escassos dias de realizar 30. Pelo meio, vi 22 anos de maravilhas. Vi 22 anos de puro romantismo, carisma e de pura liderança em campo. Vi um dos grandes fenómenos do futebol, um daqueles futebolistas que irá perdurar para sempre no Olimpo da modalidade. Um daqueles capazes de realizar façanhas que nos levarão daqui a uns anos a contar aos nossos netos: sim, vi este jogador jogar várias centenas de vezes. Sempre bem. Direi sempre aos meus filhos e netos que jogou bem. Até mesmo não fazia um vistão, jamais poderíamos dizer que jogava mal.

Totti era um daqueles que tinha sempre uma palavra a dizer, uma presença que impunha respeito a qualquer adversário, um passe a colocar no momento certo, uma cartola cheio de truques de magia, um sinistro remate pronto a beijar as redes adversárias.  Continuar a ler “Adeus Imperador! Sem ti, não teremos mais divertimento”