Fear the Beard

Lembram-se quando perguntei há cerca de 2 meses atrás se este poderia ser o ano de James Harden?

Na altura, a poucos jogos de terminar a fase regular, a propósito do rendimento exibido pelo jogador e da sua capacidade em jogar (bem) e fazer jogar (bem) os shooters e os jogadores interiores da equipa comandada por Mike D´Antoni, realcei que acreditava que a equipa de Houston poderia “ombrear” taco-a-taco com os Spurs.  Continuar a ler “Fear the Beard”

Análise: Real 3-0 Atlético – Uma orgia de futebol do Real

Hat-trick feito. Eliminatória que nunca o chegou a ser. Orgia de futebol colectivo, a essência do futebol, polvilhada com a frieza do suspeito do costume na hora de atirar à baliza. Uma equipa que chega às meias-finais de uma competição como a Champions, a jogar fora perante a equipa que está em melhor forma no cenário europeu, sem qualquer intensidade (nos momentos de pressão, nos momentos de construção), sem ideias para contrariar o sistema defensivo montado pelo adversário, incapaz de se reinventar face aos problemas colocados pelo adversário, inoperante e cheia de problemas no sector defensivo e na sala de máquinas do meio-campo, jamais poderá sonhar com o quer que seja. Essa equipa, completamente descaracterizada face aos moldes trabalhados e apresentados (com distinção) nos últimos anos foi a equipa de Diego Simeone. A extraordinária equipa que conhecemos nos últimos anos pela sua enorme capacidade de subir e baixar linhas conforme o momento do jogo, de rapidamente de se organizar defensivamente num intransponível bloco baixo, intensa na pressão, agressiva no capítulo de recuperação da bola, assertiva nos duelos na área, eficaz no alívio, e muito criativa e eficaz na transição para o contra-ataque com recurso a poucas unidades nesse processo, já não existe.

O caso ficou completamente sentenciado na 1ª mão.  Continuar a ler “Análise: Real 3-0 Atlético – Uma orgia de futebol do Real”

O inegável talento de Bruma

Confesso que há 4 anos atrás fui um dos que afirmou (por mágoa, porque efectivamente todos depositávamos muitas esperanças neste jogador) aquando da conflituosa saída do jogador do Sporting (situação onde se provou praticamente que o jogador não teve uma única palavra a dizer em relação ao assunto, sendo movido pela ganância dos seus agentes) que este jogador poderia ter perdido uma oportunidade de ouro para poder ser trabalhado de maneira a alcançar, mais tarde ou mais cedo, o estrelato do futebol europeu. Os primeiros anos no Galatasaray comprovaram-no, apesar de considerar que o talento de Bruma é inegável. Se conhecerem um jogador no futebol mundial com maior explosividade no drible que o luso-guineense, avisem-me. Continuar a ler “O inegável talento de Bruma”

Bloco de Notas da História #17 – O Adeus do Sr. Verdade

Jogadores deste calibre deveriam ser eternos.

O jogo 7 da série (de 1ª ronda) Clippers vs Jazz marcou a despedida de um dos grandes ícones do basquetebol “da minha geração” – Paul Pierce despediu-se da modalidade aos 39 anos. O base Chris Paul ainda tentou, no sábado, à última da hora, perante o cenário de adversidade colocado pela equipa do Estado de Utah, tentar sossegar a nação dos Clippers na antevéspera do decisivo jogo contra os Jazz, ao afirmar que Pierce poderia estar descansado porque este não seria o seu último jogo na Liga. The Truth, deixa para trás um rasto indelével de uma carreira marcada pelo título conquistado em 2008 com o chamado “Big Three” (com Kevin Garnett e Ray Allen; eu cá chamo-lhe Big Four porque não nos podemos esquecer da influência que Rajon Rondo adquiriu dentro da equipa durante essa campanha) de Boston, pela distinção como MVP das finais desse ano e por várias presenças em All-Star Games. Ao mesmo tempo, o jogador retira-se como o 18º jogador com mais pontos somados na história da NBA.
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A vitória dos processos simples

A vitória do Nice sobre o PSG, vitória que garante praticamente a conquista do título (merecida) para o Mónaco de Leonardo Jardim, é um dos destaques do fim-de-semana. Esta vitória traz no entanto algum sentimento de injustiça para a equipa da riviera francesa: se a equipa não tivesse deslizado recentemente com os empates somados frente a Toulouse, Nantes (apesar do Nantes estar a realizar uma razoável campanha com Sérgio Conceição na presente temporada) e Caen, poderia estar neste momento a lutar pelo título com as “mesmas armas” do Mónaco, premiando de certa forma o enorme trabalho do seu treinador Lucien Favre na construção de uma equipa (de processos simples, de recuperação e lançamento do contra-ataque) que tinha tudo para dar “errado” – aliás, que tinha tudo para dar errado pela quantidade de jogadores inadptados (para não dizer “perdidos para o futebol”) noutras paragens do futebol europeu.

Dante, Ricardo Pereira, Younés Belhanda, Mario Balotelli e Valentin Eysseric são os exemplos mais crassos de jogadores que foram “recauchutados” para o futebol pelo técnico suiço de 59 anos, constituindo uma equipa de processos simples que cumpre os básicos do futebol: defende bem (é a 2ª melhor defesa do campeonato com os mesmos golos sofridos que o Mónaco, 29), tem uma capacidade de pressão admirável a meio-campo (Belhanda é um dos responsáveis pela capacidade de pressão e recuperação da bola a meio-campo) e consegue criar sempre perigo no lançamento do contra-ataque com poucas unidades porque a equipa está formatada para um conjunto de processos que lhe permite contra-atacar de forma eficaz com poucas unidades: assim que a bola é recuperada, os médios tendem a servir as entradas dos homens dos corredores (Dalbert e Ricardo), ficando a expensas destes a criação de desequilíbrios no drible e\ou o serviço dos homens da frente, sem que a equipa perca contudo uma noção muito objectiva do jogo que é rematar. É portanto uma equipa constituída por jogadores que não tem medo de rematar, de rematar muito, mesmo que a percentagem de sucesso seja diminuta face ao número de remates. Claro que nesta mecânica haverão jogos em que a taxa de sucesso é alta. O jogo de ontem foi um dos exemplos.

Roglic foi o mais forte no contra-relógio mas a vitória na Romândia pertenceu a Porte

No lançamento do crono que marcou o final da edição de 2017 da Volta à Romândia, apontei um conjunto de favoritos à conquista da etapa que teve o seu final em Lausanne e tracei um conjunto de conjecturas possíveis na classificação geral individual final face ao desfecho da geral individual após a etapa de ontem. Do lote de favoritos nos quais “apostei” (Richie Porte, Primoz Roglic, Jonathan Castroviejo, Alex Downsett, Jon Izaguirre, Alex Edmondson, Vasili Kyrienka, Andriy Grivko, Stefan Kung, Victor Campanaerts) existiram ciclistas que confirmaram o “favoritismo” que lhe atribuí (Roglic venceu a etapa, Porte foi 2º, Izaguirre 4º, Castroviejo 7º) enquanto outros casos, como os de Kyrienka, Downsett ou Edmondson desiludiram por completo.  Continuar a ler “Roglic foi o mais forte no contra-relógio mas a vitória na Romândia pertenceu a Porte”