Voleibol – Liga Mundial – Egipto 3-2 Portugal – morrer na praia


O poder da força mental em equipas de alta competição. Durante alguns minutos, assim que a jovem formação portuguesa conseguiu transformar uma inerte desvantagem de 2 sets a 0 num empate a 2 sets no final do quarto parcial, este foi o título que estive a congeminar na minha cabeça para este post. Na República Checa, a equipa nacional voltou a não ser feliz contra a selecção egípcia na 2ª jornada da Liga Mundial 2017. Faltou-nos um pouco mais de cabeça e de felicidade no 5º set para consumar a reviravolta operada no 3º e 4º set numa partida em que a selecção nacional conseguiu ter forças para inverter uma falsa partida nos primeiros 2 sets. 

Com um parcial de 10-2 a abrir, os egípcios tomaram o controlo (mental) da partida, criando um muro que parecia ser intransponível. Nos primeiros dois sets, a formação orientada por Hugo Silva teve muitas dificuldades para entrar na discussão da partida em virtude dos problemas que não conseguiu resolver em vários níveis completamente distintos: por um lado, a formação nacional não conseguia resolver os problemas que o adversário colocava nas suas acções ofensivas (os remates de zona 2 do oposto Ahmed Shafik e o poder de concretização do central Mohammed Dola) aliada a uma certa inoperância portuguesa nos blocos à rede, e por outro, o desenho atabalhoado das nossas acções ofensivas. Perante o intenso bloco dos africanos, Marco Ferreira não teve grandes hipóteses para brilhar. No primeiro período foram raros os pontos que Portugal obteve através de acções de remate.

A luz veio no 3º período. O melhor pontuador português da partida, Lourenço Martins, jogador que foi há 2 anos uma aposta de risco de Hugo Silva (foi chamado à selecção pela primeira vez com apenas 16 anos) conseguiu, a meio de um set que estava a ser bastante equilibrado, puxar dos galões para inverter um jogo que parecia estar destinado a uma vitória egípcia por 3-0 para um 2-2 que conduziria o jogo para uma negra, com um par de acções bem sucedidas no bloco e no remate. A forma electrizante como o jogador do Castêlo da Maia festejou o ponto que nos concedeu uma vantagem por 14-12 no 3º set galvanizou o rendimento de todos os companheiros, seguindo-se um crescimento ímpar ao nível das acções de remate (Alex, Valdir; Valdir viria porém a baquear no último set com 2 remates para fora que deram pontos importantíssimos para a selecção africana), de defesa (quer no bloco, quer ao nível do rendimento do líbero Ivo Casas e de jogadores como Alexandre Ferreira ou ) de serviço e de distribuição com a entrada de Tiago Violas na partida. Valdir e Lourenço Martins começaram a puxar dos seus serviços agressivos. Os egípcios tremeram, começaram a cometer mais erros e a selecção portuguesa começou a ficar por cima no plano mental.

A discussão foi levada para a negra. Com um arranque muito positivo (a formação nacional chegou a estar a vencer por 10-7) que obrigou o seleccionador da formação africana a pedir dois timeouts colados ao habitual tempo técnico, a equipa nacional parecia ter o jogo na mão. Um par de ataques para fora voltaram a permitir a reentrada dos egípcios na partida, levando a discussão para um tie break onde a formação africana foi mais feliz. No entanto, não nos podemos esquecer que esta é uma equipa em construção com muita juventude. É natural que a juventude que Hugo Silva tem vindo a lançar na selecção ainda não esteja devidamente calejada para o nível de pressão que este tipo de situações naturalmente gera nos jogadores. Para já o balanço tem sido positivo: os miúdos estão a conseguir disputar os jogos contra selecções com muito mais traquejo ao nível de experiência, não lhes devendo muito ao nível de técnica e espírito de luta.

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