Criterium Dauphiné – Etapa 7 – Peter Kennaugh vence no Alpe D´Huez; Bardet dá espectáculo na montanha; Porte capitaliza sobre os rivais


A prometedora etapa de 6 contagens de montanha que terminava no mais emblemático dos cumes da história do ciclismo, o Alpe D´Huez, acabou por ser uma etapa algo insípida face ao que todos os amantes do ciclismo previam. A subida final ao Col de Sarenne\Alpe D´Huez era tida por muitos como uma oportunidade de ouro para ver uma daquelas diabólicas corridas de ataque\contra-ataque entre os melhores trepadores em prova, ainda para mais quando as curtas diferenças registadas entre os 9 primeiros (posso incluir Romain Bardet) da geral à partida para a etapa acrescentavam um factor adicional à espectacularidade desejada.

Numa jornada em que se previa que Valverde, Contador, Valverde, Aru ou Froome pudessem jogar cartadas de tudo ou nada, o espectáculo oferecido acabou por ficar aquém do esperado. Numa tirada ganha por um dos fugitivos do dia (Peter Kennaugh da Sky), Richie Porte e Romain Bardet foram os vencedores do dia. Com um ataque demolidor no final da Sarenne, Bardet galgou que nem um leão montanha acima à procura de se redimir das perdas obtidas nos últimos dias. O trepador da AG2R conseguiu recuperar 32 segundos a Porte numa jornada em que chegou a ter 1 minuto e 15 de vantagem para o líder. Os ganhos foram insuficientes para amenizar as perdas obtidas no CRI por exemplo, mas Bardet pode subir lugares na geral. Já o australiano da BMC conseguiu não perder tempo para nenhum dos rivais, adicionando um conjunto de segundos preciosos que lhe darão um incremento de conforto para a dura etapa de amanhã, a última da prova. 

Numa etapa marcada por mais uma vitória de um fugitivo (Peter Kennaugh superiorizou-se a Ben Swift da UAE nos quilómetros finais, vingando uma fuga que teve elementos interessantes como Diego Ulissi da UAE, Alexis Vuillermoz da AG2R, Jesus Herrada da Movistar, o líder da montanha Koen Bouwman, Romain Sicard da Direct Energie,  o nosso bem conhecido Delio Fernandez da Delko Marseille, Jelle Vanendert da Lotto-Soudal, entre outros; quem diria que Ben Swift, um sprinter, teria a oportunidade de um dia lutar pela vitória numa etapa com final marcado para o Alpe D´Huez?!; o britânico entrou na fuga para trabalhar para Diego Ulissi, sendo obrigado a lutar pela vitória na etapa quando o credenciado trepador italiano rebentou no Col de Sarenne) voltarei a isolar a fuga da equação para escrever umas breves linhas sobre a luta pela geral.

Andrew Talansky foi o primeiro a mostrar credenciais. Em forma, o ciclista norte-americano de 28 anos, corredor que está a passar por um excelente momento de forma (recentemente foi 3º no Tour da Califórnia, vencendo uma etapa) e que quer voltar a ser o corredor que um dia fechou o Tour na 10ª posição e a Vuelta na 5ª (entre outros feitos) foi o primeiro a mexer com a situação de corrida passiva que se encontrava no pelotão no Col de Garcin, o antepenúltimo do dia. Com um ataque suave que rapidamente se transformou num andamento de genica considerável, o ciclista da Cannondale chegou a ter 1:40\2 minutos de vantagem para o pelotão comandado pela BMC. A formação do líder Richie Porte só se preocupou com Talansky quando o americano começava a colocar em perigo a liderança do australiano. Assim sendo, se exceptuarmos um ou outro momento em que a equipa teve obrigatoriamente que alterar o ritmo para voltar a ganhar segundos ao americano, o ritmo no pelotão foi bastante calmo até ao final do Col de Sarenne….

… Calmo demais

Até quando Romain Bardet saiu do grupo que nem uma flecha. Ninguém respondeu ao 9º da geral individual a 2:49 de Porte. Com uma cadência fantástica, o francês foi à procura de Talansky e do seu colega Alexis Vuillermoz, fantástico corredor que estava há muito em posição intermédia à espera do seu líder para o ajudar na espinhosa missão de recuperar o que perdeu essencialmente no contra-relógio da 4ª etapa. O francês haveria de ter a companhia de Vuillermoz no final da subida e no início da descida, alcançando Talansky mais à frente numa altura importante em que estava a ganhar cerca de um minuto e 15 segundos ao grupo dos favoritos. Diplomático, o francês tentou encetar um diálogo com o americano para ver se tinha ali um ciclista capaz de alinhar numa estratégia win\win que interessava a ambos: ganhar tempo a toda a concorrência. A parceria durou na perfeição ao início da carga final para o Alpe D´Huez (3,7 km a uma pendente média de 7%), hora em que o francês disse adeus ao ciclista da Cannondale.

Quando ataca Valverde…

Saem todos. O espanhol tentou surpreender no final do extenso e duro Col de Sarenne com um ataque que teve imediata resposta por parte de Fabio Aru e Richie Porte. O australiano teve literalmente que responder por si visto que já não contava há muito com o seu gregário Nicolas Roche. Chris Froome não foi ao choque e meteu Michal Kwiatkowski a guiar os esforços de perseguição. O polaco foi extremamente eficaz, caçando os aventureiros com relativa rapidez. Contador não mexeu uma única palheta enquanto tudo isto acontecia à sua frente. Na cauda do grupo, o espanhol espalhava o seu habitual charme com aquela redondinha e gingona forma de pedalar, sinal que por norma indicia que o espanhol está com pernas para atacar.

Porte tornou-se um às da gestão de corridas

O australiano foi gastando energias mediante a satisfação das necessidades urgentes. O seu chip só ligou quando Valverde quis sair da sua companhia no final do Sarenne e quando o líder da Juventude Emmanuel Buchmann (Bora) lançou um interessante ataque que captou imediatamente a aceitação de Fabio Aru. Porte não quis deixar Aru à solta a sensivelmente 3 km do final. Se o australiano permitisse tal veleidade ao italiano da Astana, sujeitava-se a perder 20 ou 30 segundos que lhe podem fazer falta na etapa de amanhã. Assim que percebeu a extensão do ataque do italiano, o BMC colou imediatamente ao italiano na companhia do dinamarquês Jakob Fuglsang (Astana) e Alberto Contador. Daniel Martin tentou colar mas não conseguiu. Já Christopher Froome e Alejandro Valverde não conseguiram de todo encontrar a energia e a mudança certa para responder na hora. O cenário montado viria a permitir outro ataque, mais certeiro. O australiano queria mesmo ganhar tempo a toda a gente. Com um eficaz ataque ao qual só respondeu o dinamarquês da Astana, Porte conseguiu conquistar segundos que podem ser muito importantes na gestão da etapa de amanhã.

A última etapa da prova traz-nos um poço compacto de dificuldades em 115 km de extensão. A tirada entre Albertville e Plateau de Solaison tem 4 contagens de montanha – 1 de 2ª, 2ª de 1ª categoria e uma de categoria especial à chegada, em alto – sendo que as duas últimas são de grau de dificuldade máximo. A 35 km da meta teremos uma subida de média extensão (11,3 km a 6,9% de inclinação média) no Col de la Colombière, para depois se descer até ao início da subida final que encerra o pano da prova no Plateau de Solaison, rampa de 11,3 km a uma percentagem de inclinação média de 9,2%.

 

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