Bloco de Notas da História #21 – Lars Ricken – Dois golos que não me saem da cabeça


De vez em quando vem-me à memória, fazendo-me prender 30 ou 40 minutos numa viagem ao passado. 20 anos decorridos (como o tempo passa) sobre a grande vitória do BVB (leia-se em língua alemã BfB) na primeira edição do formato moderno da Liga dos Campeões frente à Juventus, ainda recordo com algum carinho a campanha da pragmática (para não dizer cínica; mais cínica que a Juve de Marcelo Lippi) equipa orientada por Otmar Hitzfeld.

Recordamos com algum carinho e com alguma nostalgia a veia goleadora do ponta-de-lança suíço Stefan Chapuisat, um autêntico rato de área. A constante energia caracterizadora do jogo de Lars Ricken ou Karl Heinze Riedle. A solidez, equilíbrio e capacidade de distribuição de Paulo Sousa. Os cruzamentos e a fantástica capacidade de passe do escocês Paul Lambert, um dos raros tecnicistas puros que aquele país viu nascer para o futebol. A elegância eficaz de Matthias Sammer no desarme. O constante dinamismo de Matthias Sammer (o alemão foi um jogador tão mas tão completo que por vezes é difícil qualificá-lo com os termos mais correctos). A dureza de Jurgen Kohler. Implacável. A criatividade de Andreas Moller. A velocidade de Andreas Moller. O cruzamento de Andreas Moller. Os remates de Andreas Moller. Os livres de Andreas Moller. O alemão foi provavelmente um dos maiores génios não reconhecidos da história do futebol. Por último, como não nos podemos esquecer da elasticidade de Stefan Klos, o homem das defesas impossíveis? Nos anos 90, na Alemanha, melhor que Klos só Andreas Kopke. 

Existem alguns momentos que ficam eternamente gravados na nossa imaginação. Um deles foi o enorme desespero a que chegou Christian Vieri durante a partida. Outro foi o jogaço de Zidane nessa final. Outro que ficou gravado para toda a eternidade foi a dificuldade que uma autêntica carraça (Didier Deschamps) teve para travar o cínico fel que era destilado no contra-ataque por outra carraça (Paulo Sousa). O golo de Lars Ricken é até hoje, para mim, o melhor golo de sempre de uma final da Champions. Assim como, o que apontou René Tretschok nas meias-finais contra o Manchester United é um dos melhores de sempre da história da competição.

Qualquer hierarquização de preferências é sempre subjectiva. Acreditamos sempre que o passado nos trouxe mais do que o presente. Continuamos a acreditar que os jogadores do passado eram bem mais completos que o do presente e que os duelos do passado tinham um gosto bem mais apurado que o presente. No entanto, também acredito que um dia mais tarde, iremos recordar com a mesma nostalgia os feitos de Cristiano Ronaldo ou de Lionel Messi como recordamos alguns dos feitos de outro jogador no passado. A retrospectiva é algo absolutamente normal e fundamental no mundo do desporto. É através da retrospectiva que podemos compreender o contexto de evolução das condicionantes (controlo da bola, frequência de concretizações, abordagem aos espaços e aos alvos, princípios de jogo, tarefa dos jogadores, metodologia de ensino\treino, metodologia de preparação física e motora) do jogo, para, num segundo momento, podermos efectuar todo o tipo de comparações sobre a evolução ocorrida durante o período temporal que norteia o nosso estudo com relativo, parcial ou total conhecimento de causa.

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2 thoughts on “Bloco de Notas da História #21 – Lars Ricken – Dois golos que não me saem da cabeça”

  1. Acho que precisa de voltar a ler o post. Em parte alguma encontra qualquer referência ao “golo de Zidane” que me “quer imputar” no texto -mas sim à exibição de Zidane nessa partida da final da Champions de 1997 quando escrevo:

    “Existem alguns momentos que ficam eternamente gravados na nossa imaginação. Um deles foi o enorme desespero a que chegou Christian Vieri durante a partida. Outro foi o jogaço de Zidane nessa final. ” – “Jogaço” – não misture as farinhas.

    E sim, o outro golo, o de Tretschok é relativo ao jogo da primeira mão da meia final contra o United. Mais explícito não poderia estar.

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