Momentos da jornada de qualificação europeia para o Mundial


 

O mágico Stevan Jovetic. A carreira do internacional montengrino atingiu nos últimos anos um terrível ocaso. Pode-se até mesmo dizer que a transferência realizada em 2013 da Fiorentina para o Manchester City teve o efeito inverso (e por conseguinte perverso) em relação às expectativas que todos os verdadeiros connaisseurs desta arte depositavam no jovem montenegrino: ao invés de se tornar um jogador mais regular, característica (regularidade) que lhe permitiria finalmente ascender à elite do futebol mundial, estatuto que seria mais coadunante com o ´brilhantismo técnico apresentado pelo jogador nos anos em que representou a Fiorentina, o jogador esteve adormecido durante algum tempo, acordando na parte final do empréstimo ao Sevilla, clube que não irá accionar a sua opção de compra junto do Inter no final deste mês.

Na vitória da selecção montenegrina frente à selecção armena (num grupo em que a Polónia não está a dar hipóteses a ninguém como se esperava, os montengrinos estão a lutar pelo lugar que lhes poderá conceder uma oportunidade no playoff), o jogador voltou a dar-nos um fogacho do seu talento individual. Jovetic é o que eu chamo um jogador de flashes: se está bem mentalmente, o montenegrino é um jogador “terrível” para qualquer defesa, destruindo-a por completo com a vistosa criatividade (não é prática; o jogador perde-se em alguns devaneios, cometendo por vezes excessos no seu drible) aliada à rapidez de processos, em especial, no drible, de preferência numa estratégia de jogo mais vocacionada para o contra-ataque. Do ponto de vista estético não existem características que sobressaiam mais num jogador de futebol que a sua velocidade aliada a uma fantasiosa criatividade. Contudo, o futebol chegou a uma fase em que a estética por si não garante o quer que seja. A estética deve ser sempre dotada de uma certa dose de pragmatismo. Todos gostamos de ver uma equipa a jogar bem, mas acima de tudo, também queremos que ela obtenha bons resultados. Se a equipa obtiver resultados e jogar bem, o espectáculo atinge a sua plenitude. Se o jogador montenegrino liga o seu “complicometro”, é um jogador que compromete uma equipa inteira pelos desequilíbrios que não cria e pelas inúmeras bolas que perde.

Frente aos arménios, o jogador fez um vistoso hat-trick onde não poderiam faltar as acções que são a sua melhor imagem de marca: a paragem de drible após uma mudança de velocidade seguida do seu técnico remate. Para finalizar o bolo, o jogador colocou a cereja no seu topo com uma “clássica” bicicleta.

Leigh Griffiths! O avançado de 26 anos do Celtic é neste momento a figura de proa do futebol escocês. Veloz, fisicamente forte, forte no drible, técnico, relativamente forte no jogo aéreo face à sua média estatura (1,73m) embora tenha um poder de elevação que lhe permite ombrear facilmente contra centrais 10 a 15 cm mais altos, oportunista e finalizador q.b. Óptimo para uma estratégia de jogo mais vocacionada para um futebol em profundidade graças a outra das suas características primordiais: a sua capacidade de desmarcação para as costas da defesa, jogo que representa seguramente 60 a 70% dos 148 golos que já apontou enquanto profissional.

No jogo de ontem frente à Inglaterra, o avançado criou grande parte dos problemas defensivos com que se deparou a equipa orientada por Gareth Southgate. Isolado na frente de ataque da selecção escocesa sempre que recebeu a bola (em profundidade) junto aos defesas ingleses, o avançado do Celtic tentou partir para o drible (de forma a conseguir ter o enquadramento para colocar o seu poderoso remate) ou tentou segurar o esférico de forma fazer subir o recuado bloco escocês, servindo a entrada (em remate) dos seus companheiros à entrada da área. Num desses processos, a Escócia poderia ter aberto o marcador (de forma surpreendente em virtude do massacre a que foi sujeita no seu último terço) quando o avançado conseguiu servir Andrew Robertson à entrada da área.

Num livre conquistado no meio-campo adversário, o jogador de 26 anos haveria de empatar a partida com este maravilhoso pontapé certeiro, voltando a carregar a baliza de Joe Hart 3 minutos depois, aos 90″(colocando em autêntico estado de euforia colectiva os 48 mil escoceses que assistiram ao jogo no Hampden Park) com outra maravilhosa cobrança.

Harry Kane estragou a festa escocesa (num final de loucos), marcando o golo que permitiu à Inglaterra dirimir perdas em relação às vitórias da Eslovénia e da Eslováquia e impedir que a Escócia (8 pontos) pudesse reentrar na luta directa pelo apuramento no grupo F de qualificação.

 

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