Volta à Suiça – Etapas 1 e 2


A 81ª edição da Volta à Suiça arrancou no passado sábado. A sobreposição de provas (as primeiras duas etapas da prova helvética sobrepuseram-se ao momento de todas as decisões no Criterium Dauphiné)  levou-me a demonstrar alguma preferência pela cobertura da parte final da prova francesa para depois me dedicar em exclusivo até ao próximo domingo na cobertura da outra grande prova de preparação para o Tour.

A Volta à Suíça é desde há muitos anos uma das principais antecâmaras de preparação para a Grande Boucle pelo carácter exigente do seu traçado (2 contra-relógios e 4 etapas de média e alta montanha) em conjunto com o Criterium Dauphiné e com a Route Du Sud. Estabelecida como o último balão de ensaio para todos aqueles precisam de melhorar a sua condição antes da prova francesa, a prova helvética reserva a todos os participantes um grau de dificuldade alto na montanha. Com um historial de vencedores muito rico (o nosso Rui Costa já venceu a geral individual da prova em 3 ocasiões nos anos 2012, 2013 e 2014) vários foram os nomes sonantes da história do ciclismo que já ergueram a camisola amarela no final dos 9 dias de corrida de prova. Entre os vencedores absolutos da prova helvética podemos encontrar nomes históricos do ciclismo como de Gino Bartali, Eddy Merckx, Roger de Vlaeminck, Giuseppe Saronni, Sean Kelly, Pavel Tonkov, Stefano Garzelli, Alex Zulle, Alexandre Vinokourov, Jan Ullrich, Roman Kreuziger, Fabian Cancellara, Frank Schleck, Levi Leipheimer ou Rui Costa.

A defender o título conquistado na edição de 2016, o colombiano Miguel Angel Lopez aparece novamente na prova a comandar a Astana perante um chuva de de estrelas onde se destaca Tom Dumoulin, o vencedor da edição de 2017 do Giro de Itália. A Volta à Suiça marcou o regresso à estrada do trepador holandês de Sunweb. No entanto, a parada de estrelas presente não se esgota no foguete de Maastricht. À procura da amarela e da camisola verde dos pontos estarão nas estradas suíças estarão nomes sonantes da actualidade do ciclismo como Michael Matthews (Sunweb), Tejay Van Garderen, Rohan Dennis e Greg Van Avermaet (BMC), Domenico Pozzovivo e Mathias Frank (AG2R), Peter Sagan (Bora), Michael Woods (Cannondale), Sebastien Reichenbachg (FDJ) Simon Spilak e Rein Taaramae (Katusha),  Tim Wellens (Lotto-Soudal), Carlos Alberto Bettancur (Movistar), Michael Albasini e Ruben Plaza (Orica), Phillipe Gilbert e Zdenek Stybar (Quickstep), Jon Izaguirre (Bahrain-Mérida), Jarlinson Pantano e John Degenkolb (Trek), Stevan Kruisjwijk (Lotto-Jumbo), Rui Costa (UAE) Lars Petter Nordhaug (Aqua Blue), Jan Hirt (CCC), Sylvain Chavanel (Direct Energie) e Pieter Weening (Rompoot).

Feita uma breve apresentação sobre as presenças na edição de 2017 e sobre o histórial da prova, vamos começar a esmiúçar as primeiras 3 etapas:

Na primeira etapa deste evento, a organização de prova ofereceu aos ciclistas um curto prólogo de 6 km em Cham. A curtíssima batalha contra o cronómetro desenrolada na pequena cidade de 13 mil habitantes do cantão de Zug (parte alemã do país helvético) poderia ser apelativa para um conjunto de ciclistas explosivos (sprinters e contrarelogistas) como são Greg Van Avermaet, Rohan Dennis, Peter Sagan, Jan Barta e Maciej Bodgnar (Bora), Taylor Phinney (Cannondale), Tim Wellens, Jelle Walays (Lotto-Soudal), Jonathan Castroviejo e Alex Downsett (Movistar), Michael Albasini e Luke Durbridge (Orica), Tom Dumoulin e Michael Matthews, John Degenkolb, Matthias Brandle e Fabio Felline (Trek), Bert Lindeman (Lotto-Jumbo) ou Lasse Norman Hansen (Aqua Blue). Desta lista acabei por prever grande parte do top10 constituído no final do prólogo.

Rohan Dennis foi o mais rápido a cumprir o contra-relógio, superizando-se ao suíço Stephen Kung por 8 segundos e a Matthias Brandle, Michael Matthews e Tom Dumoulin por 9 segundos. Rui Costa foi 61º, registando uma perda de 29 segundos para o australiano da BMC.

2ª etapa

A 2ª temporada ofereceu ao pelotão a oportunidade de correr um circuito fechado de 4 voltas na distância de 170 km de grau de exigência média\alta na região de Cham. Num terreno para todos os gostos, os ciclistas teriam que subir por 4 vezes ao alto de Horben, uma subida com rampas máximas de 8,8% nos últimos 2 km que levaria o pelotão até aos 786 metros de altitude. Não sendo uma subida muito dura para os sprinters (Peter Sagan venceu uma etapa idêntica na edição do ano passado em Baar) esperava-se que a corrida pudesse terminar com um grupo muito reduzido de ciclistas na frente composto por trepadores, puncheurs e alguns sprinters. Foi o que aconteceu, numa etapa marcada por uma enorme carambola de acontecimentos e movimentações ofensivas.

2 quedas na aproximação ao Horben tiraram Rohan Dennis da corrida. Na primeira, a queda de um ciclista da CCC levou a um corte pequeno no pelotão. A 2ª, mais à frente, haveria de retirar o australiano da frente da corrida na aproximação à última contagem de montanha do dia. A Sunweb pareceu interessada em atacar a corrida. Com Tom Dumoulin na frente, devidamente vigiado pelo nosso Rui Costa (mais uma extraordinária prestação do ciclista português) a equipa visava eventualmente lançar um ataque com o vencedor do Giro ou então preparar o caminho para um eventual ataque de Michael Matthews numa movimentação que teria decerto o objectivo de levar a corrida para outro desfecho que não um desfecho final em sprint com ciclistas como Gilbert, Avermaet ou Peter Sagan.

No Horben, a corrida foi mexida por um ataque de Jan Bakelants. A 22 km da meta o ciclista belga da AG2R teve a resposta imediata de um grupo de ciclistas, entre os quais Rui Costa. A BMC não demorou a reagir ao incidente de Rohan Dennis, lançando Damiano Caruso. Steven Kruisjwij e Carlos Alberto Betancur também viram na rápida mexida uma oportunidade para o sucesso na etapa. O pelotão virou para a Bora. A equipa de Peter Sagan não pretendia ver fugir a etapa para o grupo onde militava o português da AG2R. No entanto assim que o pelotão voltou a reaproximar-se da frente, Jan Bakelants saiu do grupo com Rui Costa e Caruso.

O trio chegou a conquistar uma preciosa vantagem de 23 segundos durante a descida final. A vantagem acabou por não ser suficiente. Jay McCarthy fez um excelente trabalho de perseguição em prol das ambições de Peter Sagan. O grupo viria a ser apanhado bem perto da meta. Rui Costa manteve-se perto da cabeça do pelotão, assistindo com um certo privilégio à rápida saída de Greg Van Avermaet. A BMC atacava com todas as unidades disponíveis: Caruso, Kung e Avermaet

McCarthy também não deixou o belga esticar-se. Com um repelão, a Bora queria mesmo levar a discussão para os últimos metros. Até quando Phillip Gilbert saiu com um grupo de ciclistas a 1,5 km da meta (entre os quais o perigoso campeão nacional francês Arthur Vichot). Nessa movimentação, Sagan foi o primeiro a realizar os esforços necessários para fechar o espaço que se tentou criar.

A corrida caminho portanto para o sprint final, departamento onde Phillipe Gilbert pode novamente relembrar os seus primórdios enquanto ciclista. O ciclista belga da Quickstep juntou mais uma vitória à sua colecção pessoal, batendo de forma retumbante Patrick Bevin da Cannondale e Anthony Roux da FDJ. Respectivamente 8º, 10º e 13º da etapa, Peter Sagan, Michael Matthews e John Degenkolb acabaram por ser os grandes derrotados da jornada.

Stefan Kung (BMC) pode substituir Rohan Dennis na liderança da prova. O suíço lidera a sua prova natal no ano em que conseguiu vencer uma etapa no seu país natal em Maio na Volta à Romândia. Rui Costa ascendeu à 25ª posição da geral a 25 segundos de Kung.

Amanhã irei publicar a análise da 3ª etapa (corrida ontem dia 12) e da 4ª etapa. 

 

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