O golo do dia


Dia de aniversário, a quanto obrigas! França e Inglaterra realizaram provavelmente um dos jogos do ano no amigável disputado esta noite no Saint Denis. Pelo que amiúde que pude ver na tv enquanto fazia de de convidado na festa de anos com que fui brindado, pareceu-me ter sido um jogo de uma qualidade técnica e física (pelo pace a que se disputou o jogo) sensacional, contrariando os aborrecidos amigáveis de final de temporada em que as pernas (e a cabeça dos artistas) estão longe do relvado e muito próximas dos exóticos destinos que irão preencher as suas vidas nas próximas semanas. No pouco que pude ver, confesso ter adorado as “rabetas de área” de Kylian Mbappé e Ousmane Dembelé sobre os centrais ingleses, a forma apoiada dos franceses no contra-ataque com recurso aos apoios frontais oferecidos por Olivier Giroud (2 minutos e 52 deste vídeo) como uma forma bastante válida de poder colocar Pogba a lançar o avançado do Mónaco em profundidade nas alas e a assertividade táctica com que os franceses executaram os momentos de pressão alta (altíssima) em cima da área do adversário, “secando” todas as linhas de passe a um trio de centrais (a um quarteto se considerarmos a entrada de Aaron Cresswell) que já não é por si muito seguro a sair a jogar a partir de trás.

Quando um jogador (Oxlade Chamberlain, neste caso) não é rápido a decidir numa fracção de segundo o que vai fazer com o esférico, arrisca-se naturalmente a ficar sem a bola. Neste frame, o inglês deixa-se antecipar quando tem duas linhas de passe seguras.

Voltemos porém ao vídeo em epígrafe para escalpelizar o primeiro golo da partida, apontado por Harry Kane.

O primeiro golo dos ingleses surge numa perda de bola na transição de Lemar. O médio ala\extremo do Mónaco demonstrou ao longo da temporada ser um jogador que comete alguns erros na transição em virtude de algumas precipitações, sendo porém, um jogador fantástico na forma em como, recebendo ligeiramente mais à frente (na interior esquerda) no terreno de jogo, consegue galgar rapidamente vários metros com bola para a libertar no terreno correcto para o aparecimento exterior de Mendy. Lemar é portanto um prodigioso acelerador de jogo na transição ofensiva, não obstante o facto de ter criado ao longo da temporada uma sintonia perfeita no último passe com Mbappé.

No entanto, a perda de bola do jogador do Mónaco (e consequente passe de Dier para a direita) tem o dom de apanhar os companheiros relativamente mal posicionados. Veja-se a forma em como Raheem Sterling está a ganhar a alta velocidade as costas a dois franceses, deixando portanto a situação dos centrais num autêntico lodo. Ox só tem que virar o jogo para o local onde vai cair o extremo do City. Pogba desiste de acompanhar a movimentação do jogador do City, fiando-se na hipótese de Sidibé ter a coisa minimamente controlada.

Quando o médio chega ao “controlo defensivo” ao inglês já é tarde. Sterling contemporizou porque estava a ver a chegada de Ryan Bertrand. Esta é a acção que faz toda a diferença na jogada. Com um preciosismo fantástico tira os dois franceses da jogada e abre caminho para o cruzamento do lateral do Southampton.

O lateral (a jogar a ala) já sabia que Harry Kane queria a bola para a zona da morte do avançado. Samuel Umtiti comete um erro grave, deixando que o avançado lhe tome as costas. O central do Barça acredita que consegue fazer o deslize para cortar a bola, algo que foi naturalmente aproveitado pelo “rato” avançado do Tottenham.

 

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