Volta à Suíça – Etapa 6 – Pozzo confirma o seu actual momento de forma na intempérie de La Punt


Com um fantástico ataque nos km´s finais da extensa e exigente subida para a estância de ski de La Punt, o italiano da AG2R pode obter a diferença que lhe permitiu conquistar a vitória na 6ª etapa da prova suíça e chegar à liderança da prova. Numa etapa de montanha que voltou a ser marcada por vários ataques e contra-ataques dos contenders, Rui Costa conseguiu realizar uma extraordinária corrida que lhe permitiu coleccionar mais um 2º lugar na presente temporada. Não obstante o facto de ter falhado novamente a vitória de etapa, o português pode angariar alguns segundos preciosos em relação aos rivais que lhe permitiram reentrar na luta pela vitória final.

O dia foi marcado pela existência de uma fuga que foi aproveitada por várias equipas para lançar algumas cartas importantes para a subida final. A AG2R foi a equipa que mais apostou na fuga. Ao lançar o belga Jan Bakelants, 14º da geral à partida para a etapa a sensivelmente 2 minutos de Damiano Caruso, a equipa francesa pretendeu obrigar a BMC a um rigoroso trabalho de desgaste na perseguição que poderia facilitar um ataque de Matthias Frank ou Domenico Pozzovivo, deixando obviamente Damiano Caruso sozinho sem apoios. Estando o belga a 2 minutos, a fuga poderia ganhar proporções que colocariam o belga na liderança virtual da prova. Com a inserção de Antonio Pedrero e Matvey Mamykin na fuga por parte da Movistar e da Katusha, ambas as equipas pretendiam que os seus gregários pudessem aguentar na frente ou em posição intermédia em condições de auxiliar eventuais ataques que pudessem surgir por parte de Marc Soler ou Simon Spilak.

Para além destes naturais jogos tácticos, havia nesta fuga quem tivesse apenas a vitória da etapa em mente. Michael Woods (Cannondale), Simone Petili (UAE) ou Carlos Verona (Orica) eram ciclistas que poderiam chegar isolados ao alto de La Punt se os favoritos lhes dessem espaço para perdurar na frente da corrida.

Woods esteve próximo de o conseguir. O canadiano foi o último elemento da fuga a resistir na subida final, numa altura em que lá atrás, no grupo dos favoritos, o moralizado Larry Warbasse (Aqua Blue Sport; vencedor da etapa de ontem), Tao Geoghegan Hart da Sky e Jan Hirt da CCC saíram do grupo dos favoritos. O prodigioso trepador checo da equipa polaca, ciclista cuja prestação no Giro já tivemos oportunidade de elogiar, tentou capitalizar sobre toda a concorrência num ataque (ocorrido após uma movimentação realizada pelo próprio camisola amarela quando a BMC concluiu o seu trabalho de endurecimento da corrida) que não viria a ter êxito.

Assim que Hirt foi apanhado pelo grupo dos favoritos, vários foram aqueles que tentaram colocar em risco a liderança do ciclista italiano. O primeiro foi Steven Kruisjwijk. Quando o holandês atacou, Rui Costa passou temporariamente por dificuldades, conseguindo recolar ao grupo dos favoritos através da colocação do seu próprio ritmo. Jon Izaguirre (Bahrain-Mérida) também tentou mexer com a corrida com um ataque. Quando o espanhol tentou ir à procura de Michael Woods, Pozzovivo e Caruso puderam dar uma resposta à altura. Já Simon Spilak, vencedor da prova em 2015, passou grande parte da subida na corda bamba. Sempre que existiam mudanças de ritmo, o ciclista eslovaco da Katusha descolava do grupo principal sem contudo o perder de vista. O eslovaco desenvolveu imensos esforços para perecer na frente numa etapa em que foi obrigado a sofrer para se manter na discussão pela vitória na prova.

Domenico Pozzovivo foi o único cujo esforços foram bem sucedidos. O trepador italiano não só conseguiu ganhar uma apreciável diferença de 20 segundos no que restava da subida como, na terrível descida que se seguiu até à meta, alcançou e ultrapassou (com muita coragem) o ciclista canadiano da Cannondale. Se Pozzovivo tivesse corrido o Giro no actual estado de forma em que se encontra, estou certo que o italiano poderia ter alcançado um lugar no pódio. Na Volta à Suíça estamos a ver um Pozzovivo muito mais ofensivo, muito mais solto, muito menos calculista e muito menos pragmático do que aquele que vimos no passado mês de Maio nas estradas italianas.

A mesma descida deu uma janela de oportunidade a Rui Costa. Passando no 2º grupo na contagem de montanha, o português arriscou imenso na descida realizada debaixo de uma intempérie brutal com o piso extremamente molhado. Na companhia de Jon Izaguirre e Matthias Frank, o ciclista luso usou todas as energias que lhe restavam para tentar alcançar o “leve” Pozzovivo. Anulando uma diferença considerável de 40 segundos em poucos quilómetros, posso afiançar sem qualquer pejo que se a etapa tivesse mais 1 km, o português teria alcançado Pozzovivo e teria decerto festejado a vitória no final da etapa.

Com a vitória na etapa, o ciclista italiano da AG2R assumiu a liderança da geral individual com o mesmo tempo de Damiano Caruso.

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