Quando a melhor e a única defesa possível, é o ataque


Se o “Benfica está forte, unido e coeso”, e “tem total abertura para facilitar acesso a toda a informação, tem as portas abertas e está tranquilo, quer que se investigue a fundo” (Luis Bernardo, Benfica TV, 16-06-2017) interrogo-me se realmente existe a necessidade de contra-atacar através da abertura de reabertura de processos do passado\novos processos na justiça desportiva e na justiça civil contra os rivais, quando uma bem preparada e executada defesa é um dos elementos basilares de um processo justo, e uma enorme garantia de transparência e idoneidade dos acusados se a acusação for dada analisada (ou até julgada) como desprovida de fundamento ou de provas que a justifiquem.

Para quem é acusado (correcta ou incorrectamente; justa ou injustamente, com argumentos válidos ou inválidos) a esperança de poder vir a provar que não cometeu o ilícito deverá ser o sentimento que norteia a sua acção. Por norma, num país minimamente civilizado, um cidadão que é obrigado a defender-se na justiça, não usa o ataque aos actos passados de outros como estratégia de defesa. Se o fizer, creio que está a cometer uma desonestidade completamente infantil que que não o ajudará a defender-se da acção concreta que visa esclarecer como “não praticada”, mas a tentar enquadrar determinado acto na mesma linha de actuação do seu. Uma espécie de branqueamento…

O que os responsáveis do Benfica pretendem (com a reabertura do processo Apito Dourado) é a criação de um vendaval mediático que só servirá para atirar areia para a engrenagem da justiça através da descredibilização da parte que fez a denúncia, com base em actos passados devidamente (e injustamente, face às provas que não foram validadas pelo Supremo) julgados no passado. Isso é certo e sabido. Numa última hipótese, creio até que caso estas denúncias de Francisco J Marques venham a ser legitimadas quanto à forma e provadas no seu conteúdo, o Benfica utilizará estes mesmos actos do passado para o estabelecimento de um conjunto de analogias que servirão para a criação de uma campanha clássica de vitimização. A nossa memória não é igual à de milhões de Portugueses. Não nos esquecemos que durante o tempo em que decorreu o processo Apito Dourado, Luís Filipe Vieira não só fez questão se auto proclamar- como o paladino da verdade desportiva, como patrocinou a acusação que foi movida contra o Porto e contra os seus dirigentes, quando ordenou a constituição do Benfica como assistente do processo e quando veio a público a informação de que este tinha financiado a edição do livro de Carolina Salgado. É aí onde a porca torce o rabo: o anti sistema tornou-se sistema, impossibilitando formalmente a possibilidade de se estabelecerem esse tipo de analogias. Por outro lado, para vincar ainda mais a questão e para afirmar que esta vida está cheia de incongruências, a defesa do Benfica nesta questão passará obrigatoriamente pela estratégia de defesa utilizada pelos juristas que representaram Jorge Nuno Pinto da Costa no caso Apito Dourado: a ilicitude da prova. Quem diria, hum?

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4 thoughts on “Quando a melhor e a única defesa possível, é o ataque”

  1. “…um cidadão que é obrigado a defender-se na justiça…” o que é que aconteceu ao termo tribunal? agora um cidadão defende-se “na justiça”? já abandonámos o conceito abstracto de Justiça? rais parta o Acordo Ortográfico…

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  2. Poderia dizer mil e uma coisas sobre este blog… mas seriam apenas adjetivos (interessante, plural, elevado, etc) para o sentimento que em mim vem crescendo desde que aqui comecei a aceder diariamente. Assim sendo o meu sentimento é que “este blog é muito bom!” Parabéns, é uma lufada de ar fresco em relação ao estilo dos que frequento.

    SL

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