Volta à Suíça – Etapa 7 – Simon Spilak: o imprevisível ciclista dos 1000 momentos de forma


O dia em que a imprevisibilidade do ciclismo de Simon Spilak veio ao de cima. Ainda anteontem, o chefe-de-fila da Katusha, vencedor da edição de 2015 da Volta à Suíça sofria a bom sofrer para conseguir resistir no grupo dos favoritos na subida para La Punt. As dificuldades sentidas pelo ciclista eslovaco numa etapa em que até acabou por ser muito feliz, se tomarmos em conta que não perdeu tempo de maior para todos os adversários directos na luta pela geral, contrastaram com o vigor com que ganhou a etapa de ontem num dia em que Katusha detonou toda a concorrência na subida que finalizou a etapa.

O manhoso Spilak, ciclista cuja qualidade na montanha é indiscutível, voltou a apresentar-se numa das suas 1000 formas. A sua imprevisibilidade é provavelmente uma das suas maiores qualidades e ao mesmo tempo um dos seus maiores defeitos. Ao longo de anos nunca percebemos bem do que é que o ciclista eslovaco é capaz. Sabemos que é um dos melhores corredores de 1 semana do panorama velocipédico actual pelo número de conquistas e feitos que já alcançou neste departamento peculiar de competições (duas vitórias, uma na Volta à Romândia e outra na Voltas à Suíça; vários top5 na Volta à Eslovénia, nos 3 dias de Panne, no Paris-Nice, na Volta à Andaluzia, na Volta à Romândia e na Volta ao País Basco). 

Na 7ª etapa da prova, a organização suíça resolveu ir fazer uma perninha de subida à Áustria. Numa tirada maioritariamente plana com final marcado para o alto de Solder, a pacata estância balnear enfiada no Glaciar de Tiefenbach (Estado do Tirol Austríaco), os trepadores foram postos à prova numa extensa e dura subida de 14 km com percentagens médias de inclinação a rondar os 8,6% e máximas de 10,7%. Perdão, os grandes trepadores foram postos à prova numa extensa e dura subida de 14 km  com percentagens médias de inclinação a rondar os 8,6% e máximas de 10,7% acelerada desde o seu prelúdio pela Katusha de Simon Spilak.

A fuga do dia, protagonizada por um conjunto de especialistas em todos os terrenos (podemos ver Matteo Trentin, Peter Sagan e Michael Matthews envolvidos na luta pelos sprints intermédios enquanto ciclistas como Tim Wellens da Lotto, Tsabo Grmay da Bahrain-Mérida ou Jonathan Restrepo da Katusha saíram com o intuito de tentar a vitória na etapa) foi um verdadeiro assunto de lana caprina face ao que se veio a passar na parte final da etapa.

Mal começou a subida, a Bahrain-Mérida de Jon Izaguirre tentou pegar nos destinos do reduzido grupo que se naturalmente se pré-seleccionou nos primeiros metros desta. Enrico Gasparotto, homem pouco habituado às lides do “gregarismo de alta montanha” ainda tentou, no espaço de 1 km, tentar colocar um ritmo que permitisse ao seu líder realizar um ataque consistente de longe. A inexperiência e a manifesta falta de pernas do puncheur para tamanha aventura haveria de conduzir Matvey Mamykin para a frente do pelotão assim que o gregário de Izaguirre arredou para o lado. Quando o talentoso ciclista russo de 22 anos tomou conta da dianteira do grupo principal, o ritmo que este (e que se o seu colega Rein Taaramae, homem que se seguiu) colocaram permitiu uma autêntica corrida de eliminação que garantiu de bandeja a vitória na etapa ao seu chefe-de-fila Simon Spilak. Rui Costa, Pello Bilbao, Matthias Frank e o camisola amarela Domenico Pozzovivo descolaram numa primeira vaga. O camisola amarela chegou a ficar sozinho durante alguns quilómetros, sendo rebocado até ao final da tirada por Matthias Frank assim que o camisola vermelha, camisola criada para premiar o melhor ciclista nacional na geral, conseguiu chegar à companhia do italiano vindo de trás. Após ter vencido a etapa rainha da prova na 6ª etapa é caso para dizer que o trepador italiano da AG2R ficou literalmente parado na sua bicicleta. No entanto, nessa fase da corrida, o camisola amarela já somava 2 minutos de diferença para o ciclista da Katusha. Numa 2ª, o chefe-de-fila Jan Hirt (CCC) e Marc Soler da Movistar também não conseguiram aguentar o ritmo imposto quando faltavam 10 km para a meta. Soler rebentou por completo a meio da corrida, facto que o levou a ser ultrapassado pelos seus companheiros de equipa Carlos Alberto Betancur e Victor de La Parte. Na 3ª fase desta corrida por eliminação ficaram Damiano Caruso, Steven Kruijswijk e Jon Izaguirre, restando na companhia do ciclista eslovaco e do seu gregário estónio o valente Joe Dumbrowki da Cannondale. O único problema é que Dumbrowski ali permaneceu porque tinha descansado as pernas em virtude dos 35 minutos acumulados para a geral individual nas etapas anteriores.

Assim que a dupla da Katusha se livrou da presença do ciclista da Cannondale, Spilak foi em solitário serra acima, parando em cima da linha de meta para festejar a vitória que lhe abriu imensas probabilidades de vir a triunfar pela 2ª vez na geral individual da Volta à Suíça. A diferença cavada pelo eslovaco em relação aos rivais poderá ter sido determinante se considerarmos que no domingo há um contra-relógio individual de 28 que poderá estabelecer diferenças interessantes na casa do minuto\minuto e meio entre ciclistas.

Tomando em consideração a inaptidão dos ciclistas que estão posicionados entre o 2º e o 4º lugar da geral, o único ciclista capaz de ganhar tempo a Spilak no CRI é Rui Costa mas a possibilidade de lhe recuperar os 2 minutos e meio de diferença em 28 km é muito remota.

O português voltou a fazer uma corrida muito aceitável. Tendo sido um dos primeiros do top 10 a descolar, o ciclista da UAE conseguiu fazer uma escalada em crescendo. Aproveitando a preciosa roda de Sebastian Henao e Mikel Nieve, o português subiu 3 lugares na geral.

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