Os prós e os contras da contratação de Fábio Coentrão por parte do Sporting


Florentino Perez confirmou ontem uma notícia que já tem vindo a ser avançada pela imprensa portuguesa nas últimas semanas: Fábio Coentrão será mesmo jogador do Sporting na próxima temporada por empréstimo do Real Madrid por uma temporada mais uma de opção, também por empréstimo, sob determinadas condições. A confirmarem-se os últimos rumores, o Real Madrid irá assumir 80% do ordenado bruto do jogador (3 milhões de euros; o Real assumirá portanto cerca de 2,4 milhões) cabendo ao Sporting o pagamento do valor restante de 600 milhões de euros na próxima temporada. Se os leões quiserem prolongar o empréstimo por uma temporada, terão que desembolsar 50% do ordenado bruto do jogador ou seja, 1,5 milhões de euros por uma temporada.

A contratação do jogador parece-me, na minha humilde opinião envolta num mar de indefinições. Se por um lado o regresso do jogador ao seu país natal depois de 4 anos pouco conseguidos em Madrid e no Mónaco, para “as mãos” daquele que um dia o adaptou a lateral esquerdo com sucesso, carimbando com o jogador uma das primeiras grandes vendas do Benfica no consulado Vieira, parece-me um passo atrás inteligente na carreira (se Coentrão puder efectivamente viver uma fase menos nublada na sua carreira ao nível de lesões e se tiver com vontade de lutar por um lugar nas convocatórias de Fernando Santos), por outro lado existem um conjunto de aspectos onde tenho evidentemente algumas interrogações. Estará o jogador definitivamente arrumado para o futebol dada a quantidade de lesões e problemas físicos que teve ao longo dos últimos anos? A aposta de Jesus no jogador poderá fracassar na mesma medida em que fracassou a sua aposta com Lazar Markovic? Eis os prós e os contras desta contratação.

Prós

-O jogador nunca escondeu a sua veia sportinguista. Apesar de ter um apreço significativo pelo Benfica, o jogador sempre disse que era “sportinguista desde pequenino” e sempre almejou jogar pelo clube de Alvalade.
– O retorno a uma realidade que conhece bem é obviamente uma mais-valia. Qualquer jogador que retorna a casa ganha uma nova alma. A presença da família e a possibilidade de estar mais próximo dos seus amigos joga a favor do jogador. O menor ritmo competitivo do futebol português também poderá promover a “reabilitação física e mental” do jogador.
– Conhece de cor as ideias do treinador. Para além de ser o lateral a todo o comprimento que Jorge Jesus pretende para dinamizar um flanco em que na última temporada sobressaiu acima de tudo, falta de qualidade com Marvin Zeegelaar e Bruno César, Coentrão é um jogador que ofensivamente poderá cumprir os parâmetros dos processos de jogo preferenciais de Jorge Jesus pelos flancos: as triangulações no último terço (na quina da área) no espaço entre o central daquele lado e o lateral. Nesses processos, o lateral entra sempre por fora, facilitando um de dois processos: o jogo interior para o extremo (cruzamento no espaço livre entre o lateral e o central contrário ou a incursão com bola até zona de finalização) ou o seu próprio jogo exterior (incursão à linha final para cruzar sem oposição). Defensivamente, Coentrão é um jogador que agrada à mecânica defensiva de Jesus no seu esquema de defesa subida. Se rapidamente ganhar forma, Coentrão é um jogador rápido a recuperar no terreno quando a equipa perde em definitivo a posse de bola. Logo, é um jogador que ajuda a cortar profundidade ao contragolpe adversário porque não irá dar tanto espaço nas costas ao extremo contrário quanto o abismal espaço que é dado por Marvin. Também defende melhor que o holandês as acções 1×1.
– Capacidade de jogar com o interior e de cruzamento. Marvin é um jogador incapaz de iniciar uma transição com um passe para dentro. Esta é uma das grandes fobias do holandês. Já Coentrão tem facilidade em iniciar transições pelo flanco com passes para dentro. Cruza bastante melhor que o holandês.
– O sonho de poder ser chamado para o Mundial 2018. Afastado da selecção desde 2015, o jogador tem o desiderato de ser convocado para o Mundial da Rússia.
– Os baixos custos do negócio para os cofres de Alvalade. O jogador não é uma solução que poderá acrescentar valor a médio prazo mas é uma boa solução financeira e desportiva a curto prazo, evitando a necessidade de ter que gastar vários milhões de euros na contratação de um jogador que dê imediatamente garantias para a posição ou na contratação de um jogador promissor que não dê garantias desportivas imediatas, mas possa dar rendimento financeiro futuro. O Sporting poderia ter procurado contratar um jogador promissor para a posição, mas, o que se pede neste momento, dados os objectivos da turma leonina, são jogadores capazes de se constituir como titulares indiscutíveis em determinadas posições ou alternativas capazes de ter um rendimento idêntico ou semelhante aos titulares.

Contras

  • As lesões e os problemas físicos Nas últimas 4 temporadas, o jogador realizou 69 partidas oficiais pelo Real Madrid e pelo Mónaco. Nas últimas duas realizou 26 partidas oficiais. Desde que assinou pelo Real Madrid, o jogador já teve 12 situações de lesões\problemas físicos. Dessas 12 situações, o jogador lesionou-se nos adutores, na coxa, no joelho direito e no pé direito. Em 2190 dias de trabalho, o jogador passou 469 na enfermaria dos clubes, perdendo um total de 80 jogos. Nas últimas duas temporadas, o jogador passou 368 dias lesionado. Este é um ponto que joga contra o jogador. Estará o Sporting a contratar um jogador a caminhar para um estado avançado de inaptidão física para o desporto profissional?
  • A depressão pela qual passou o jogador nos últimos 2 anos. As lesões abalaram a auto confiança do jogador. Prova disso foram as declarações que o jogador proferiu, curiosamente, na zona mista de Alvalade, após a sua desastrosa participação na partida a contar pela champions entre o Sporting e o Real Madrid. Em Novembro de 2016, Coentrão assumia que não tinha condições para jogar pelo Real Madrid. Jorge Jesus terá portanto um trabalho muito espinhoso pela frente: devolver confiança a um jogador psicologicamente abalado por uma série de contratempos.
  • A fé absoluta do treinador do Sporting em jogadores com quem já tinha trabalhado no passado. O futebol é um fenómeno em constante mutação. Os jogadores são agentes em constante mutação em virtude das habilidades técnicas, tácticas e mentais que vão adquirindo ao longo dos anos nas experiências que vão tendo com os treinadores com quem vão trabalhando. Para além desse factor, os jogadores também vão sofrendo mutações no seu estado físico que acrescentam novas condicionantes às suas características. Jorge Jesus é aquele tipo de treinador que acredita sempre nas potencialidades (coeteris paribus) dos jogadores com quem trabalhou, indiferentemente das condicionantes que entretanto se colocaram à frente do jogador. Na temporada passada Jesus falhou redondamente com Lazar Markovic. O jogador sérvio passou pelo Sporting sem mostrar um único aspecto positivo do trabalho desenvolvido pelo treinador no passado no Benfica.

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