Breve nota sobre a eliminação de Portugal no Europeu de sub-21


Um sentimento amargo invade-me o espírito quando me preparo para escrever estas linhas: se por um lado defendi aqui neste blog que não merecemos ganhar aos sérvios e aos espanhóis nos jogos anteriores, porque os sérvios foram muito mais equipa e jogaram muito mais futebol que a turma das quinas, porque os espanhóis conseguiram colocar no seu jogo na partida de terça-feira aquilo que a formação de Rui Jorge não conseguiu colocar em toda a fase de grupos (pragmatismo, eficácia, organização defensiva), por outro reconheço que não merecíamos ter sido eliminados de forma tão injusta frente a estes perdidos, cínicos e sortudos macedónios. A nossa selecção de sub-21 merecia mais pelo jogo que realizou contra a selecção balcânica apesar de não o ter merecido no computo geral da sua participação neste campeonato europeu. Bruma, Podence, Iuri, Ié, João Cancelo e Ruben Neves (o médio fez um jogão soberbo contra a formação de leste; para além de ter recuperado imensas bolas, o jogador do Porto finalmente foi capaz de cumprir com eficácia as funções de distribuidor pelas quais é justamente reconhecido no mundo da bola) não mereciam este desfecho pelo arreganho com que jogaram esta noite e\ou pelo esforço que deixaram em campo nos outros jogos da fase-de-grupos. 

Uma mudança táctica que surtiu efeito

Obrigado a vencer a selecção macedónia por uma diferença igual ou superior a 3 golos (3 golos de diferença garantiam o melhor 2º lugar à condição, ficando a selecção à espera dos resultados dos jogos de amanhã do grupo C para carimbar ou não a passagem para as meias-finais) Rui Jorge jogou todas as suas cartas numa numa mudança de sistema táctico para 4x2x3x1 com a inserção de sangue fresco nesta selecção. A diminuição do número de unidades a meio-campo teve o condão de simplificar os processos na transição para o ataque (Rúben Neves simplificou-os lindamente através da constante colocação de vistosas aberturas do centro para as alas, oferecendo um futebol correctamente profundo que baralhou por completo os laterais macedónios quando foram sistematicamente apanhados desposicionados nas suas costas) sem diminuir a intensidade na pressão (na primeira parte, Portugal utilizou um sistema de pressão alta bem coordenado, com linhas muito juntas, zonas de pressão bem definidas, para obrigar os adversários a cometer erros, permitindo a recuperação da posse em terrenos adiantados e por conseguinte, acções de contra-ataque rápido) a inserção de Iuri Medeiros numa linha de 3 jogadores criativos atrás de uma referência de ataque deu os seus frutos ao longo da partida (Iuri foi por vezes algo lambão na definição das suas jogadas no último terço) e a inserção de Gonçalo Paciência na frente de ataque pretendeu pelo menos dar uma nova solução (clássica, de área) ao caudal ofensivo que foi criado nos corredores. Contra os espanhóis foram vários (eu, incluído) aqueles que indagaram o seleccionador nacional sobre o facto da equipa ter optado por colocar muitos cruzamentos para a área adversária sem ter no seu interior um jogador referência de área que pudesse dar “um destino” às situações de cruzamento com um leque de movimentações sobre os defesas. Gonçalo Paciência não foi o avançado capaz de se movimentar no sentido de aparecer naquele sítio específico que facilita a vida a quem está a cruzar, mas tentou. Não aproveitou como deveria ter aproveitado o nervosismo sentido pelos macedónios nos lances aéreos (logo nos primeiros minutos Portugal teve, para além do golo, uma série de cantos em que os macedónios revelaram verdadeiros momentos de aflição) como deveria ter aproveitado. No entanto, se repararem, maior parte dos cruzamentos realizados pela formação nacional acabaram por ter como destino as entradas de jogadores portugueses ao 2º poste nas costas dos defesas. Podence teve por exemplo 3 situações em que conseguiu cabecear nas costas do lateral Murati. O avançado (Gonçalo Paciência) poderia no entanto ter finalizado com êxito as oportunidades que lhe foram concedidas. Na primeira parte, aos 23″, o jogador do Porto, falhou com algum escabro um golo que lhe foi oferecido por Bruma num lance fantástico em que o extremo, conseguiu tirar o lateral adversário da frente com uma pinta fenomenal só com o movimento de recepção, na sequência de uma variação de flanco promovida através de uma abertura por Rúben Neves

Um jogador endiabrado. 

Bruma foi Bruma. O jogador do Leipzig libertou na partida desta tarde\noite todo o seu perfume de futebol. Expansivo q.b, sempre que o jovem colocou o seu drible sobre o seu adversário directo (Jovan Popzlatanov), deu-lhe um autêntico nó cerebral. Se o lateral direito já estava a ter muitas dificuldades em lidar com as suas constantes falhas posicionais, o facto de ter dado imenso espaço ao extremo português para receber, atacar espaços e partir para o directo 1×1, foi o mesmo que pedir uma autêntica noite de terror. Com simplicidade na execução da sua excêntrica mas vistosa fantasia, o jogador português nunca precisou de muito criar situações passíveis de serem finalizadas ou de assistir para a área macedónia.

No lado direito, o mesmo cenário

Com a inclusão de Iuri no flanco direito a apoiar directamente as acções de Podence e Cancelo, o lateral esquerdo Mevlan Murati também passou 90 minutos a suar por todos os poros.

E Cancelo foi implacável para com o criativo Nikola Gjorgjev

Sempre que o rápido, técnico e driblador extremo do Grasshoppers tentou ganhar no 1×1 ao lateral do Valência, este negou-lhe todos os caminhos. Jogo bastante agressivo defensivo do defesa a contrastar com a passividade existente nos lances dos golos da selecção dos balcãs.

O 1º Golo – Iuri Medeiros não meteu o pé. Renato e Tobias deveriam ter saído imediatamente para fechar.

Iuri foi de facto muito macio face à acção de Enis Bardhi. Para além de não ter metido o pé como deveria ter metido para tentar desarmar o jogador, o criativo do Sporting deveria ter tentado obstaculizar a acção do médio macedónio através do recurso à falta. O livre ainda seria bastante longe da baliza de Bruno Varela.

Num segundo plano, Renato Sanches e Tobias Figueiredo não só não foram rápidos a ler correctamente as intenções do jogador macedónio como não saíram imediatamente na pressão “como jogadores de contenção”, de forma a anular a investida ou a obrigar o adversário a ter que congelar a acção.

O lance do 2º golo – Uma inaceitável situação de desequilíbrio defensivo

Apenas explicada pelo contexto do jogo naquele preciso momento. A equipa portuguesa precisava de marcar um golo para obter o apuramento para as meias. Ao ter que avançar com tudo no terreno para tentar realizar o último assalto à baliza contrária, a turma de Rui Jorge foi obrigada a correr este tipo de riscos. Qualquer perda de bola poderia redundar na colocação imediata de transições rápidas para o contragolpe em situações de vantagem numérica. Os macedónios já tinham ameaçado nos minutos precedentes à obtenção do golo que arrumou com qualquer réstia de esperança que ainda permanecesse acesa no coração dos jogadores portugueses.

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4 thoughts on “Breve nota sobre a eliminação de Portugal no Europeu de sub-21”

  1. Portugal é isto. Este jogo, em condições normais acabava com uma goleada das antigas, por 7 ou 8 golos. Um equipa que quer conquistar a Europa, não pode ser tão displicente À frente da baliza.
    Muitos craques que poderão conquistar o mundo no futuro. João Carvalho, Sanches e Diogo Jota, sobretudo estes, esperava mais. Mas do meio para a frente, o futuro está mais que assegurado-Não será por aqui. O problema está no sector defensivo.
    Os centrais são uma nulidade. Semedo é uma mentira de jogador, e para o ano volta para Portugal; Tobias, perdido em vários lances, com nota especial no 2 golo. Edgar Lê, não me parece que tenha arcaboiço para ser um jogador topo no futuro. Resta-nos o Rúben Dias, mas é assustador o que o futuro nos reserva nesse sector. Haverá Pepe até aos 40? É rezar.
    Guarda-redes, temos Patrício- no Sporting é razoável; na seleção costuma responder. Anthony Lopes e Joel Pereira. Penso que por aí estamos assegurados, já que Bruno Varela demonstrou hoje que será guarda-redes de equipa pequena. Cada tiro, cada melro. Muito fraco no posicionamento e na capacidade de encher a baliza.

    Uma nota para Rui Jorge, que sou grande fã. Hoje esteve, especialmente mal nas subs. Num jogo com aquela intensidade na primeira parte, era imperial refrescar os flancos na segunda, com um jogador que costuma trazer energia e vivacidade sempre que entra, que é o Guedes. Não quis arriscar, mas percebeu-se que o Iuri aos 70, 75 minutos estava arrebentado fisicamente.

    Talento não falta. E é isso que guardo deste Europeu, em suma.

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  2. Meh, acho que o futuro ao nível de centrais não está assim tão agudo. Precisamos simplesmente de girar a amplitude da máquina para ver jogadores como Paulo Oliveira (que ainda tem muito para dar), André Pinto (dependendo do que vier a fazer no Sporting, está claro), Ricardo Ferreira, Frederico Venâncio, Domingos Duarte, e está claro o Ruben Dias. Qualquer um tem potencial e um leque de oportunidades para entrar nesta selecção na próxima temporada (no caso dos dois primeiros) ou a seguir ao Mundial.

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    1. André Pinto é banal. Paulo Oliveira, mataram o potencial dele. Duas épocas em que pouco jogou é muito para um atleta de alta competição. Nunca vai atingir o estrelato. Se tivesse sido aposta, tanto ele como o Llori, hoje estariam a dar cartas.

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