Situações que não podem de todo acontecer com o novo sistema de videoárbitro apesar da decisão disciplinar ter sido a correcta


No jogo desta tarde entre a Alemanha e os Camarões, uma entrada duríssima cometida pelo lateral direito da selecção Ernest Mabouka sobre o médio alemão Emre Can suscitou um pedido de revisão da jogada (num primeiro momento pelo videoárbitro nomeado pela FIFA para a partida, e nos 2 momentos subsequentes pelo árbitro em virtude do erro que veio a cometer) por parte do árbitro colombiano Wilmer Roldán.

Apesar de considerar que o árbitro da partida poderia estar melhor colocado no lance em questão para analisar e decidir sobre o critério disciplinar a aplicar sem a ajuda de terceiros, e que o fiscal-de-linha daquele lado estava em condições de ajudar o seu colega de equipa, a nova tecnologia foi introduzida precisamente para auxiliar a decisão do árbitro neste tipo de situações em que o contexto não é favorável a uma tomada de decisão assertiva e, acima de tudo, justa. Compreendo perfeitamente todas as limitações que podem eventualmente surgir no decurso de uma partida para um árbitro: para além deste ter que estar com atenção a multiplicidade de factores intrínsecos ao jogo (a visualização das acções rápidas, frenéticas, de 22 actores num cenário de oposição; o controlo permanente dos episódios que vão sendo criados pelos agentes que estão no banco de suplentes, entre outros) nem sempre o posicionamento que este adopta é o melhor para poder observar com clareza determinado lance de forma a poder ajuizá-lo correctamente, assim como, tendo em conta o mesmo objectivo (a ambicionada imparcialidade e justiça na actuação) nem sempre o cérebro humano consegue acompanhar com a mesma rapidez uma acção (real) que se desenvolve ali à frente dos nossos olhos. Quantas vezes é que ao longo das nossas vezes vimos algo bem real a acontecer à nossa frente e não conseguimos tomar, numa curta fracção de tempo, a decisão mais acertada naquele caso concreto? Centenas, se não milhares de vezes.

Wilmer Roldán procedeu correctamente à visualização da jogada em questão para tentar aplicar a sanção disciplinar mais correcta ao lateral da selecção africana: o cartão vermelho. A entrada do lateral camaronês foi de facto assassina. Roldán fez justiça num lance em que muitos colegas de profissão não passariam provavelmente do cartão amarelo. Contudo, a decisão tomada pelo colombiano quando expulsou o médio Sebastien Siani acabou, ironicamente, por tocar noutra das questões para as quais foi criada a figura do VA: a troca de identidades para questões de capítulo técnico e disciplinar. Apesar do videoárbitro também ter sido criado para auxiliar o árbitro principal neste tipo de situações, não se podem admitir o churrilho de erros (por distracção; por desnorte) que foram cometidos pelo colombiano depois de ter visto com clareza, no monitor que lhe foi colocado junto ao relvado, o número da camisola do autor da infracção que motivou o seu pedido de intervenção.

Não se podem admitir porquê? Porque Roldán perdeu demasiados minutos a rever uma situação (em que errou por pura distracção) de fácil resolução em cerca de 30 a 40 segundos, facto que poderia ter prejudicado o espectáculo. Uma situação tão demorada poderá arruinar por completo um bom jogo de futebol e poderá, indiferentemente da decisão, arruinar o ímpeto que uma equipa possa estar naquele preciso momento a ter na partida em detrimento do descanso do adversário. Parece-me bem claro que esta eficaz (como temos visto na esmagadora maioria dos lances em que os VA foram chamados a intervir nesta Taça das Confederações) tecnologia (actualmente em estado experimental) será no futuro rotinada e aperfeiçoada no sentido de promover uma relação positiva entre a qualidade da decisão que é tomada e o tempo gasto na análise.No entanto, até à sua plena eficácia, pede-se a todos os agentes que a venham a utilizar, o bom senso de não complicar a situação sobre prejuízo de a virem a descredibilizar como aconteceu de certa forma com este tipo de situações.

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