Um título inteiramente justo


Alex Merlim. Sempre Alex Merlim. Sempre que a equipa precisou de um desequilibrador, o italo-brasileiro esteve sempre lá!

14º título. O Sporting conquistou hoje pela 14ª vez o Campeonato Nacional de Futsal. A vitória no 4º jogo em Braga colocou justiça à melhor temporada da história da modalidade em Alvalade. Os comandados de Nuno Dias conquistaram apenas 2 dos 5 títulos que poderiam ter sido conquistados na presente temporada, mas para trás, deixaram um inigualável rasto de bom futsal. Se fizermos apenas uma excepção ao jogo da final da Uefa Futsal Cup (de longe o pior jogo do Sporting na presente temporada) fico com a sensação que a equipa tinha todas as condições para conquistar todos os títulos internos.

Em primeiro lugar, antes de passar à crónica da partida que fez descer as cortinas no que à temporada 16\17 concerne, quero deixar uma palavra em relação ao Sporting de Braga. Pegando nas declarações do bravo capitão dos arsenalistas André Machado e do seu treinador Paulo Tavares, “ninguém contava (nem o André, segundo o que o próprio veio a admitir) que o Braga chegasse à final da prova”, onde, “também foram tão ou mais campeões que o Sporting” (Paulo Tavares). E a verdade é esta! Na noite de hoje, o Braga saiu novamente pela porta pequena frente ao Sporting (3ª eliminação consecutiva) mas foi um justo vencido pela extraordinária temporada que fez e pela aposta que tem realizado durante os últimos anos em parceria com a Associação Académica da Universidade do Minho. Posso mesmo afiançar que a única diferença entre esta equipa bracarense e a equipa leonina é a distinta qualidade que é apresentada nos respectivos bancos. Enquanto Nuno Dias dispõe de um leque de soluções sem fim no banco de suplentes (e até na bancada; se no jogo 3 Dieguinho foi um dos jogadores que mais tentou resolver, no jogo 4 apareceu Deo; se a eliminatória seguisse para jogo 5, outro jogador seria capaz de aparecer em destaque), Paulo Tavares não dispõe no seu banco de jogadores de muitas alternativas credíveis ao seu 5 titular. Se exceptuarmos a espaços Marafona, Tiago Cruz não se equipara nem de perto nem de longe à qualidade de um jogador como Diego Cavinato.

Os bracarenses tem um excelente treinador, tem uma data de valores seguros da modalidade, tem um mecânica de jogo fortíssima, venceram com justiça um dos quatro jogos realizados porque foram efectivamente mais fortes, eliminaram o Benfica com uma classe extraordinária nas meias finais e devem, para finalizar, continuar ou até melhorar a aposta que tem vindo a realizar na modalidade porque o Futsal português precisa de mais equipas capazes de se bater taco-a-taco contra os grandes, mais equipas capazes de formar ou desenvolver para as selecções nacionais, e mais equipas capazes de oferecer aos seus atletas as condições e as oportunidades (de vida) que o Braga dá aos seus “estudantes-atletas de alta competição” – O Sporting de Braga\AAUM é portanto o melhor de dois mundos: uma escola de aquisição de competências desportivas de alta competição e uma escola de vida!

A derrota em Braga no jogo 2 moldou o carácter deste Sporting. A equipa de Nuno Dias sentiu o toque e não vacilou nos jogos que se seguiram. A equipa conseguiu perceber os erros que cometeu (uma entrada a dormir no jogo; pouca intensidade na pressão; algumas falhas de marcação; perdas de bola fatais no seu meio-campo) no primeiro jogo disputado em Braga e corrigiu-os atempadamente para evitar surpresas de maior. Quer em Odivelas no sábado, quer em Braga no jogo de hoje, com a pressão alta que foi sistematicamente realizada no meio-campo adversário, os leões mataram por completo o ponto forte do adversário: as transições rápidas quer em ataque organizado, quer em contra-ataque. Para além dos louros defensivos que foram obviamente tirados como resultado desta estratégia, a equipa leonina pode obrigar o adversário a cometer muitos erros dentro do seu meio, facto que lhe permitiu dominar a partida do princípio ao fim. Quando assim o é, ou seja, quando uma equipa passa 75% do jogo no meio-campo adversário, os golos terão que aparecer mais cedo ou mais tarde.

Na partida de hoje, a equipa de Nuno Dias voltou a viver das acções individuais no 1×1 dos seus artistas e de outro dos seus pontos fortes: as bolas paradas (remates na sequência de reposições de bola nas laterais, essencialmente). Merlim, voltou a resolver com um movimento algo atípico para os movimentos tradicionais com que costuma resolver as partidas (corte para dentro a partir da esquerda e remate) num remate antecedido por uma arrancada em velocidade para fora sobre o defensor. E Xot, o guardião bracarense foi um verdadeiro estóico na baliza dos arsenalistas com 24 soberbas defesas. A fantástica exibição do guardião bracarense voltou a permitir à equipa a possibilidade de entrar nos 3 minutos finais “completamente dentro” de uma partida em que alguns jogadores (Eli Junior, Marinho) voltaram a ser algo precipitados no capítulo da finalização. O internacional português, por exemplo, realizou duas acções individuais fantásticas que lhe granjearam oportunidades de remate sem marcação nas quais o esférico tomou sempre o mesmo destino: as paredes do pavilhão. Em Odivelas, no jogo 3, falhou de forma inacreditável (à frente da baliza) duas oportunidades que poderiam ter relançado a equipa na partida quando esta perdia por 4-0.

No entanto, também creio que Paulo Tavares poderia ter arriscado no 5×4 mais cedo porque o seu sistema de superioridade numérica é efectivamente, sem sombra para dúvidas, o sistema mais bem pensada (com a matéria-prima que possui) e trabalhada do futsal nacional. Quando fez (após o golo de Diogo a 3 minutos do fim) já era tarde demais.

João Matos, Pedro Cary e Caio Japa – Esteios basilares do futsal de Nuno Dias

Intensidade. Agressividade. Experiência. Paixão pelo jogo. Paixão pelo clube. Liderança. O capitão João Matos, o sub-capitão Pedro Cary e a “formiguinha” Caio Japa foram novamente as pedras basilares de mais um triunfo de Nuno Dias no comando técnico do Sporting. Quando são chamados a produzir, formam um trio de “defensores” imbatível. Se é por um lado justo atribuir uma quota parte generosa dos feitos alcançados nas últimas duas temporadas à ala criativa deste plantel (Diogo, Deo, Merlim, Pany Varela) e à máquina de destruição que o Sporting tem na sua 2ª linha (Fortino, Dieguinho, Diego Cavinato), considero que por outro lado, os títulos que foram conquistados também se devem à intensidade, entrega e agressividade que este verdadeiro trio de veteranos “no seu auge” oferece à equipa. Uma equipa vencedora começa obviamente na solidez defensiva que consegue apresentar dentro da quadra. Nesses aspectos, o trio que acima citei, tem apresentado um comportamento pura e simplesmente exemplar. Exemplar. Matos, Japa e Cary são verdadeiros exemplos para todos os jovens que pretendam ter sucesso nesta modalidade.

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