Tour de France – Etapas 1 e 2 – Geraint Thomas vence o crono de abertura com alguma surpresa; Marcel Kittel arrecada a vitória na chegada a Liège


A 104ª edição do Tour de França arrancou oficialmente para a estrada durante a tarde de ontem em Dusseldorf. Naquela cidade alemã, os 180 ciclistas em prova puderam cumprir, numa complicada secção de luta contra o relógio, os primeiros 14 dos 3540 km designados para a prova pela Amaury Sports Organization (ASO). Perante condições atmosféricas muito difíceis que obrigaram os ciclistas à adopção de posturas de corrida muito cautelosas, especialmente nas múltiplas viragens que o perfil de etapa oferecia, o galês Geraint Thomas (Sky) venceu com alguma surpresa (quando toda a gente previa a mais que provável vitória do campeão do mundo Tony Martin) o primeiro contra-relógio dos dois previstos para as 21 etapas, no dia que ficou marcado pela aparatosa queda que retirou Alejandre Valverde de combate. O espanhol acabou por sofrer uma queda muito aparatosa numa viragem. A prova ficou assim sem um dos seus principais agitadores.

Geraint Thomas foi o primeiro camisola amarela deste Tour. Com um tempo canhão (para as condições atmosféricas registadas durante toda a prova) de 16 minutos e 4 segundos, o gregário-mor de Christopher Froome conseguiu dar um baile a toda a elite do contra-relógio que algumas equipas trouxeram a França. Superando homens como o suíço Stephen Kung (por 5 segundos), o seu colega de equipa e antigo campeão do mundo de contra-relógio Vasil Kyrienka (7s), o campeão do mundo da especialidade Tony Martin por 8, e outros especialistas como Froome por 12, Jos Van Emden (15s), Taylor Phinney (17s), Andriy Grivko (17s), Daryl Impey (19s) e Jonathan Castroviejo (20s), o ciclista da Sky pode confirmar novamente a ideia que tem vindo, nos últimos anos, a desenvolver capacidades neste departamento específico de competição. A Sky colocou 4 ciclistas (Thomas, Kyrienka, Froome e Kwiatkowski) nas primeiras 10 posições.

Os 14 km do molhado traçado de Dusseldorf poderiam efectivamente ajudar a traçar as primeiras diferenças (não muito significativas) entre ciclistas. Do lote de candidatos à vitória na prova, Christopher Froome foi aquele que se deu melhor com o piso molhado. Richie Porte, ciclista que apontava nos posts de antevisão como candidato à vitória na 1ª etapa, decidiu fazer uma corrida tranquila sem arriscar. E fez bem… Alejandro Valverde arriscou e deu-se mal. O espanhol sofreu esta queda arrepiante:

O chefe-de-fila da Movistar entrou em excesso de velocidade numa curva que já tinha servido de palco para algumas quedas. Quando tentou corrigir a trajectória, Balaverde não conseguiu segurar a bicicleta. Da aparatosa projecção contra as barreiras, o ciclista da Movistar sofreu uma fractura na rótula do joelho esquerdo, sendo imediatamente transportado de ambulância para um hospital local onde veio a ser operado com sucesso.

O murciano de 37 anos irá ao que tudo indica falhar o resto da temporada, podendo voltar a rodar nas estradas a partir de Fevereiro do próximo ano.

Voltando aos favoritos: Froome ganhou algum tempo a toda a concorrência. Com o 6º lugar alcançado a 12 segundos de Geraint Thomas, o chefe-de-fila da Sky pode ganhar 25 segundos a Simon Yates (29º;Orica), 35 segundos a Richie Porte (49º, BMC), 36 a Nairo Quintana (53º; Movistar), 37 a Rafal Majka (54º; Bora), Daniel Martin (57º; Quickstep), 38 segundos a Thibaut Pinot (60º; FDJ), 39 a Romain Bardet (AG2R), 40 a Primoz Roglic (Lotto-Jumbo) e Fabio Aru (Astana), 42 a Alberto Contador (Trek), 51 a Rigoberto Uran (Cannondale) e 1 minuto a Louis Meintjes (UAE).

2ª etapa

A primeira etapa em linha da prova ligou durante o final da manhã\início da tarde de hoje Dusseldorf a Liège. O transporte entre a Alemanha e a Bélgica (durante o dia de amanhã, a prova chegará finalmente ao seu grande e substantivo palco francês) prometia, em condições normais, a primeira grande oportunidade para a elite de sprinters que se encontra em competição. Num dia marcado novamente pelas terríveis condições atmosféricas (piso molhado, chuva intensa nas primeiras horas de etapa, vento, muito frio) e por uma fuga de 4 elementos na qual 2 (o francês Yoann Offredo da Wanty e o contra-relogista norte-americano Taylor Phinney da Cannondale) quase conseguiram vingar na 5ª chegada da história do Tour aquela cidade da região da Valónia francesa, o alemão Marcel Kittel da equipa belga Quickstep deu uma grande alegria a todos os belgas.

A intensa chuva que se fez sentir e o piso molhado sob o qual decorreu toda a etapa poderiam ter feito muitos estragos. Num dia pontuado por muitas quedas, a mais importante foi aquela que se deu já na parte final da etapa quando Chris Froome e Romain Bardet foram ao tapete:

Enquanto Bardet conseguiu, felizmente, passar incólume à queda, na zona dorsal de Froome eram visíveis algumas marcas (ténues; algumas escoriações) da queda. Ambos precisaram da ajuda da sua equipa para poderem recolar ao pelotão.

Pelotão esse que foi, até aos 5 km algo permissivo para com os homens que rodaram na frente desde os quilómetros iniciais. Taylor Phinney (Cannondale), Thomas Boudat (Direct Energie), Laurent Pichon (Fortuneo) and Yoann Offredo (Wanty). Apesar deste quarteto nunca ter beneficiado de uma ampla vantagem nos cerca de 200 km que andou em fuga, porque efectivamente Tiago Machado (a cumprir ordens específicas do seu director desportivo José Azevedo) nunca deixou que os fugitivos ganhassem uma vantagem confortável (o português esteve seguramente mais de 80 km na dianteira do pelotão), o dito só viria a ser anulado na sua “versão final” (Offredo e Phinney) dentro da longa recta marcada para os 3 km finais. Com 50 segundos de vantagem sobre o pelotão à passagem da única contagem de montanha, ganha por Phinney, no preciso momento em que o ciclista da Cannondale, arriscou um ataque (cuja resposta de Offredo foi perfeita) na tentativa de anular os 17 segundos que tinha de desvantagem para Geraint Thomas de forma a chegar à amarela, poucas eram as equipas interessadas em acometer esforços para preparar uma chegada ao sprint. Com um ou dois ciclistas a passar pontualmente pela frente, a Bora, a Lotto e a Quickstep eram aquelas que se mostravam mais interessadas mas faltava uma enorme definição na perseguição. Essa indefinição permitiu ao duo da frente acreditar que era possível chegar na frente no final.

Nos 5 km finais, a Quickstep teve que colocar toda a carne no assador. Em 2,5 km, os belgas anularam por completo a investida que se verificava na frente. Num sprint bem disputado no qual Sonny Colbrelli apareceu bem lançado (a Bahrein apareceu na dianteira na parte final) a aproveitar o trabalho essencialmente desenvolvido pelos seus e pelos lançadores de Nacer Bouhanni (Sagan também explorou a roda do lançador do sprinter francês) mas perdeu gás nos 200 metros finais. Foi aí que apareceu Marcel Kittel. Num sprint em que Peter Sagan e Michael Matthews acabaram por ficar algo presos junto às barreiras, e em que Mark Cavendish tentou correr por fora para ter liberdade para embalar, o alemão acabou por ser mais forte que o seu compatriota André Greipel (Lotto) e que Arnaud Demare (FDJ).

Como Kittel já tinha feito um bom contra-relógio durante o dia de ontem, o alemão pode subir à liderança da camisola verde.

Classificação geral

Classificação da regularidade\pontos – Marcel Kittel lidera com 63 pontos. Arnaud Demare é 2º com 38. Andre Greipel é 3º com 25.

Geral por equipas – A Sky lidera com 37 segundos de vantagem para a Quickstep e 58 para a Sunweb.

Montanha – Taylor Phinney marcou os únicos 2 pontos disponíveis durante o dia de hoje.

Juventude – O Suíço Stephen Kung (BMC) lidera com mais 20 segundos de vantagem sobre o francês Pierre Roger Latour (AG2R) e com mais 24 segundos sobre o casaque Alexei Lutsenko da Astana.

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