Bloco de Notas da História #25 – Ainda se lembram? “Remember the name”


A propósito do possível regresso de Wayne Rooney ao Everton. O bom filho à casa torna.

Estávamos na temporada 2002\2003 quando, a meio de uma nebulosa temporada abalada por problemas financeiros (o Everton foi na altura obrigado a vender ou desfazer-se a custo zero de grande parte das suas estrelas; jogadores como Francis Jeffers, Nick Barmby, Richard Dunne, Mark Hughes, Michael Ball, Abel Xavier ou Paul Gascoine), era dada a oportunidade ao escocês David Moyes (vindo do modesto Preston North End; para termos uma ideia do currículo alcançado pelo humilde jogador escocês no preâmbulo da sua carreira enquanto treinador, Moyes conseguiu elevar o falido Preston do 3º escalão para a final dos playoffs da Division One, actual Championship, no espaço de 4 anos) de tentar multiplicar “o pão com a pouca farinha que tinha no emblema da cidade de Liverpool. Pedia-se portanto a Moyes que pudesse fazer um trabalho à imagem daquele que tinha conseguido executar no também falido Preston nas 4 temporadas anteriores. 

O Everton iniciava a temporada 2002\2003 com um plantel onde na verdade, sobressaiam alguns jogadores (o avançado canadiano Tomasz Radzinski, o mítico avançado escocês Duncan Fergunson, o avançado Kevin Campbell, o lateral direito escocês Gary Naismith, o central escocês David Weir) mas, a verdade é que a qualidade do plantel dos toffies era, na sua generalidade, muito fraca e muitas das unidades estavam no dealbar das suas carreiras. Antes de Moyes, ninguém dava um tostão por jogadores como o dinamarquês Thomas Gravesen, o central nigeriano Joseph Yobo, o médio irlandês Lee Carsley, o lateral direito Tony Hibbert, o guarda-redes Paul Gerrard ou o médio Leon Osman. Pelo meio destes andava um senhor chamado Mark Pembridge, mítico corredor de fundo que tinha, uns anos antes, representado a quintinha dos ingleses de Graeme Souness e João Vale e Azevedo. O plantel oferecido a Moyes não oferecia portanto quaisquer garantias: a luta pela manutenção era o único objectivo exequível para a longa e dura temporada que se vislumbrava no horizonte.

Wayne Rooney era em 2002 um jovem canuco de 16 anos. No entanto, logo nos primeiros treinos com a equipa sénior, o jovem avançado colocou todo o plantel boquiaberto quando, numa parte da sessão, recebeu o esférico junto à linha final, tirou um colega do caminho e enfiou a bola no ângulo mais distante com um remate em arco. Moyes e todos os jogadores do plantel não queriam acreditar no que acabavam de ver.

“They all had the same look on their face: Did you see that? Did that really happen? Everyone turned and looked. No one shouted: ‘What a goal!’ Maybe everyone was wondering whether he really meant it. But he did. From that moment we were all thinking: ‘Wow, what a player. What a player we have.’” – David Moyes

. Poucos meses após ter sido convocado pela primeira vez para o banco de suplentes (acabou por não ser utilizado frente ao Southampton a 20 de Abril de 2002), o avançado agarrou com unhas e dentes a oportunidade que lhe foi dada pelo técnico escocês a 20 de Agosto de 2002 no empate a 2 bolas frente ao Tottenham. Na partida contra os Spurs, Wayne Rooney assinou uma das jogadas do encontro quando assistiu Mark Pembridge para o golo que valeu o empate aos toffies. Desde aí, Moyes nunca mais prescindiu dos serviços do avançado que tinha saltado dois escalões (dos sub-15 para os sub-19) na temporada anterior. Rooney pegou de estaca nas opções do escocês e não demorou muito a mostrar serviço: a 2 de Outubro, marcou 2 golos na eliminatória da Taça da Liga Inglesa frente ao Wreham (tornando-se o mais jovem jogador a marcar pela formação de Liverpool) e a 19 de Outubro, 5 dias antes de completar 17 Outonos, saltou definitivamente para a ribalta, quando, com este magnífico golo no último minuto da partida frente ao Arsenal, pode terminar com a formidável série de invencibilidade de 30 jogos do pelotão de fuzilamento comandado por Arsène Wenger. Ao fim de 9 jornadas (7 vitórias e 2 empates), Dennis Bergkamp, Thierry Henry, Frederik Ljungberg, Robert Pirès e Patrick Vieira conheciam finalmente o sabor da derrota.

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