Tour de France – Etapa 5 – Aru aviou por completo as meninas bonitas!


O bombástico ataque realizado pelo italiano a 2,2 km do alto da Planche des Belles Filles merece mais do que um ousado título pornográfico para este post. A pornografia exibida na monumental cadência com que o italiano atacou a meta, merecia ser exibida na primeira página do Brazzers.com, ainda para mais se atendermos ao contexto de extrema dificuldade (para lançar um ataque) que a máquina de guerra da Sky colocou nos 5,8 km finais da árdua subida para o local de chegada da 5ª etapa. O italiano foi simplesmente sensacional! Fábio Aru subiu na bolsa de apostas. Se no final do Criterium Dauphiné afirmei de viva voz aqui neste blog que tanto o italiano como o seu colega Jakob Fuglsang (vencedor da geral individual do Criterium) seriam as principais ameaças com que Porte e Froome teriam que lidar no Tour devido ao excepcional momento de forma apresentado, no final da etapa de hoje acredito piamente que o italiano poderá conseguir vencer este Tour com as diferenças que será passível de realizar na alta montanha da prova.

Um noneto de sonho em fuga 

Na primeira etapa de abordagem à montanha da 104ª edição do Tour, a ligação entre Vittel e La planche des belles filles na distância de 160,5 km oferecia duas contagens de montanha de dificuldade significativa na parte final. A cerca de 52 km da meta, o Côte de Esmoulières (a 3ª categoria) servia de aperitivo à duríssima chegada a La Planche des Belles Filles, subida na extensão de 5,8 km com uma pendente média de 8,5% e rampas máximas de 13% (no início da subida) e 20% nos 2 km finais.

No início da etapa, o pelotão permitiu a passagem para a frente da corrida a um verdadeiro noneto de luxo composto por Thomas Voeckler (Direct Energie; o mítico ainda mexe!) Jan Bakelants (AG2R La Mondiale), Mickael Delage (FDJ), Edvald Boasson Hagen (Dimension Data), Dylan van Baarle (Cannondale), Pierre-Luc Perichon (Fortuneo), Philippe Gilbert (QuickStep; no dia em que fez 35 verões), Thomas De Gendt (Lotto Soudal). Tsgabu Grmay (Bahrain-Merida). Como Jan Bakelants, o melhor classificado deste grupo de fugitivos iniciou a etapa a 16 segundos do líder Geraint Thomas, o grupo em fuga não conseguiu passar dos 3 minutos e meio de vantagem durante a etapa. Quando os corredores passaram pela 3ª categoria, a vantagem já estava significativamente reduzida para 2 minutos. A BMC não quis arriscar a possibilidade de manter Bakelants na frente porque havia uma significativa probabilidade deste poder vir a ajudar Romain Bardet na subida final se o francês lançasse um ataque no seu início.

Uma breve nota sobre a estratégia tomada pela BMC

A BMC de Richie Porte assumiu a corrida a partir dos 70 km para a meta. A decisão estratégica tomada pelo seu director desportivo foi na minha humilde opinião, a mais errada que poderia ter sido tomada por dois motivos muito simples:

  • Se a liderança da prova pertencia à Sky, o ónus da perseguição deveria, logicamente, pertencer à equipa do camisola amarela porque era aquela que à partida teria um objectivo claro a cumprir: a manutenção da posse da camisola amarela. A BMC desgastou várias unidades na frente nos últimos quilómetros. Quando o grupo do camisola amarela chegou à subida final, os relaxados elementos da formação britânica só tiveram que tomar a dianteira do pelotão para impor um ritmo asfixiante na corrida.
  • Como a Sky tem uma equipa de luxo de várias unidades a trabalhar exclusivamente para Chris Froome, um pensamento lógico impele-me a crer que todas as equipas deverão obrigar a Sky a assumir as despesas da corrida. Creio que todos os rivais de Froome à vitória na geral terão um maior grau de sucesso nas etapas de montanha quão menor for o número de unidades que iniciar a subida ao lado do ciclista britânico. Se as equipas se desgastam na frente e permitem, como foi o caso da etapa de hoje, que a Sky chegue à subida final com 4 unidades (+ Froome), as hipóteses de vir a lançar um ataque serão diminutas porque a formação britânica terá unidades suficientes para manter um ritmo alto constante ao longo das subidas. Tal cenário permitirá situações de eliminação como permitirá ao ciclista britânico de lançar ataques perante uma concorrência desgastada em virtude do ritmo colocado pela verdadeira máquina de guerra que o britânico trouxe ao Tour.

A fuga desmembra-se

Um ataque de Jan Bakelants na 3ª categoria teve o dom de fazer descolar Mickael Delage e Thomas DeGent. A 12 km da meta, quando as pernas de alguns dos fugitivos já estavam a ceder (Boasson Hagen era o mais estoirado dos 7 que seguiam na frente) uma investida de Phillippe Gilbert na companhia de Bakelants (Voeckler ainda tentou responder mas não conseguiu seguir na roda do duo) acabou com a harmonia da fuga que viria a ser anulada totalmente no início da subida para a Planche des Belles Filles

Começa o embate na montanha

Várias foram as equipas que tentaram pegar na corrida na abordagem à subida final. A Astana de Aru e Fuglsang, a Quickstep de Martin, a Trek de Contador e a Sky formaram vários comboios de assalto à dianteira quando a BMC começou a dar mostras de algum cansaço. No início para a subida para a Planche, a formação britânica pegou em definitivo na corrida e endureceu o ritmo através de Michal Kwiatkowski e Mikel Nieve. Um ataque de Lilian Calmejane (Direct Energie) não tirou o sono à formação britânica. Começava a corrida por eliminação onde foram “apanhados” numa primeira fase homens como Esteban Chávez ( com alguma surpresa), Warren Barguilk (Subweb), Thibault Pinot (não restaram quaisquer dúvidas sobre o estado de forma do trepador da FDJ; os 4 minutos averbados irão permitir ao ciclista francês aparecer nas fugas nas próximas etapas de montanha, tornando-se o principal favorito à conquista do prémio da montanha), Primoz Roglic (outra surpresa; sinceramente, pensei que o ciclista esloveno pudesse aparecer num bom momento de forma no Tour), Roman Kreuziger (Orica; deixando Simon Yates na frente sem qualquer apoio), Bauke Mollema (Trek; idem com Contador), Matthias Frank, Roger Pierre Latour e Alexis Vuillermoz (idem, no caso de Romain Bardet), Jakob Fuglsang ou Jon Izaguirre.

O grupo de 40 unidades que iniciou a subida rapidamente foi reduzido a um grupo de 15 onde ainda resistiam ciclistas como Andrew Talansky e Rigoberto Uran (Cannondale), Manny Buchmann e Rafal Majka (Bora), Louis Meintjes (UAE). Assim que Fábio Aru abriu as hostilidades com o seu vigoroso ataque…

o primeiro ciclista que tremeu foi Nairo Quintana. Froome e Porte não foram nem poderiam ir ao choque. Se o fizessem, creio que poderiam rebentar a qualquer momento. Geraint Thomas saltou para a frente do pelotão para diminuir a vantagem de 15 segundos angariada pelo ciclista da Astana e preparar a conveniente resposta de Froome. Froome dividiu o grupo dos candidatos ao meio. Daniel Martin (em excelente forma física), Romain Bardet e Porte responderam de imediato à furiosa aceleração promovida pelo Sky. Contador, Quintana, Yates, Uran, Meintjes e Majka não conseguiram responder. El Pistolero foi rápido porém a tentar unir novamente as águas. Contudo, notou-se a milhas que NairoMan estava a passar por um momento confrangedor.

Enquanto Aru pedalava incessantemente para vitória no alto, Contador conseguiu, com um esforço bastante significativo, voltar a unir os grupos. Sol de pouca dura. Na passagem pela contagem de montanha, Richie Porte lançou-se ao ataque para tentar o melhor de três mundos: apanhar Aru e vencer a etapa; bonificar e se possível conseguir reduzir a desvantagem averbada para Froome no contra-relógio inicial. O australiano teve pouca sorte. O britânico e Dan Martin foram rápidos a reagir e mais fortes no sprint final, bonificando. Para além dos 2 segundos de bonificação ganhos a Froome, Martin ganhou mais 4 na estrada. Bardet perdeu 4 segundos para Froome e Porte. Yates, Contador e Uran perderam 6. Quintana perdeu 14 (36 para Aru). O camisola amarela Geraint Thomas fechou o grupo e entregou a liderança ao suspeito do costume.

A classificação geral ficou assim ordenada após o final da 5ª etapa

Outras classificações

Pontos\Regularidade – A expulsão de Peter Sagan e o abandono de Mark Cavendish facilitaram a vida a Arnaud Demare (FDJ). O francês lidera a camisola verde com 127 pontos, mais 40 que Marcel Kittel. O alemão da Quickstep será o grande rival do francês nesta luta particular. Contudo, Michael Matthews (Sunweb; 3º com 73 pontos) já mostrou que também tem capacidades para vencer uma etapa. Andre Greipel (4º com 63 pontos) também pode surpreender. Os sprinters terão 2 oportunidades nas próximas etapas.

Prémio da Montanha – Fábio Aru é o novo líder. O italiano somou 10 pontos no alto da Planche des Belles Filles. Daniel Martin é o 2º com 8 pontos. Froome é o 3º com 6.

Juventude – Simon Yates ascendeu à liderança do Prémio que se constitui como um dos seus principais objectivos para a prova. O britânico da Orica tem 24 segundos de vantagem sobre Roger Pierre Latour (AG2R) e 41 segundos sobre Louis Meintjes da UAE. Emmanuel Buchmann é 4º a 46 segundos. A luta pela camisola branca será ao que tudo indica uma titânica luta a 4.

Geral por Equipas – A Sky lidera com uma vantagem de 1:59m sobre a BMC e 3:21 sobre a AG2R. A formação britânica não deverá deixar escapar esta liderança até ao final da prova visto que terá sempre várias unidades na montanha.

No dia em que completou 35 anos, Phillip Gilbert foi justamente considerado pela organização o ciclista mais combativo da etapa.

 

 

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s