O dia em que o Mister acertou novamente na mouche


via Mister do Café

Ao longo dos últimos dias tenho vindo a evitar o inevitável tema da ordem do futebol português. Tenho vindo a evitar escrever sobre o mega (creio que já temos todas as provas que necessitamos para o escrever, sem correr o risco de virmos a ter que nos defender futuramente das acusações lavradas) escândalo de corrupção e tráfico de influências protagonizado pelos dirigentes e colaboradores Benfica e por alguns dos principais (e secundários) dirigentes do futebol português, não porque não tenha uma opinião formulada sobre o assunto porque tenho, não porque não tenha total conhecimento do assunto porque vou seguindo a novela a par e passo e vou dando, diariamente, junto das pessoas que me são próximas, a minha opinião sobre o assunto, mas porque, ao longo destes 4 meses, sempre tentei primar a diferença neste blog através de uma estratégia orientada para escrever (narrar, criticar, demonstrar, mostrar) sobre tudo aquilo que “se vai passando dentro das 4 linhas”, deixando todo o conteúdo que é rastilhado fora destas para quem de direito. Esta não é a minha forma de estar no desporto. Ponto.

Contudo, isso não quer dizer que não seja capaz de respeitar a forma de estar de outros bloggers quando têm, literalmente, os tomates no sítio para nos brindar com este tipo de pérolas. O Mister do Café é à semelhança de outros blogues como a leonina Tasca do Cherba (blogue no qual já vi um texto publicado) ou o Artista do Dia, blogue que também sigo diariamente, são blogues que tem prestado um evidente e louvável serviço público ao nosso país na luta contra o verdadeiro cancro (aquartelado na Luz e metastizado na Cidade do Futebol) que ameaça matar com o nosso futebol, e, como se veio a saber, nos últimos dias (depois da cena protagonizada no Hóquei em Patins) com o nosso desporto. Por outro lado, Francisco J Marques também tem prestado um digno e assinalável serviço público à Nação.

O enunciado e explicado caso da suspensão de Bruno Coelho levou-me a reflectir durante todo o dia. Não irei portanto medir as palavras que vou escrever: o desporto português tem vindo a tornar-se nos últimos anos uma verdadeira imundice, um verdadeiro chiqueiro no qual chafurdam os mais abjectos e doentios porcos. Neste chiqueiro em que vem tornando o futebol e o desporto português, as vitórias obtidas a qualquer custo sem atender aos meios são as bolotas que alimentam os insaciáveis animais que andam à solta. O despudor e o descaro atingiram níveis mínimos históricos: os animais andam à solta sem que ninguém, até ao momento, saiba-se-lá porquê, lhes ponha a mão. Nenhuma autoridade deste país (da Judiciária ao Governo) parece interessada em colocar a mão ao Benfica. Estamos em ano de autárquicas, o Governo está a ser fortemente acossado pela oposição em virtude do trágico acontecimento de Pedrógão Grande e do roubo perpetrado em Tancos. Mário Centeno e António Costa, até são, oportunamente, portadores de Red Pass (ou será Red Carpet) na Tribuna Presidencial do Clube da Luz, sentando-se ao lado do maior devedor ao erário público. Pelo meio desta verdadeira caça ao esterco, ficaram gravados na memória todos os momentos em que me senti amplamente lesado enquanto adepto de futebol, em primeiro lugar, e enquanto sportinguista em particular.

Não me posso esquecer do espectáculo viciado que comprei desde a temporada 2013\2014. Não me posso esquecer de toda a campanha de difamação que foi feita contra o meu presidente aquando da revelação do célebre caso dos vouchers. Não me posso olvidar de todo o ódio que foi destilado sempre que Bruno de Carvalho propôs, com toda a sensatez, toda a amálgama de mudanças passíveis de transformar (positivamente) o futebol português. Os processos que o Benfica moveu quer na justiça desportiva quer na justiça civil contra os dirigentes e treinadores do meu clube. Todos os jargões inventados pelo Pedro Guerra que passaram por osmose para o palavreado clássico que andou, durante os últimos 4 anos, na boca dos benfiquistas. Pedro Guerra acusava indiscriminadamente todas as semanas. Veio-se a saber que afinal, quem realizava todo o tipo de práticas de valor ético dúbio era precisa e ironicamente o Pedro Guerra. Os constantes gozos promovidos em virtude da falta de títulos do meu clube. O puro exercício de eugenia (no sentido amplo da teoria de Francis Galton) que eles (os benfiquistas) tentaram promover para provar a sua supremacia moral e desportiva quando afirmaram, em verdadeiro loop, os habituais clichés pré-feitos pelos seus manipuladores de opinião: “nós somos campeões… vocês são a equipa do quase. A equipa dos que nada ganham” – Como me poderei esquecer destes 4 ilusórios anos de gozo? Como me posso esquecer de todas as discussões acaloradas que travei, de todas as amizades sólidas que perdi por causa da merda da bola?

Viemos a compreender nas últimas semanas, que todas as teorias, todos os clichés, todas as verdades absolutas que nos tentaram vender acerca da justiça dos títulos conquistados pelo Benfica nos últimos anos, são, de facto, profundas mentiras. A suposta qualidade de Rui Vitória é uma profunda mentira. Um telefonema ou o envio de um email à pessoa certa é o garante suficiente para a inversão (subversão) de todas as leis, que, como viemos a constatar no caso da alteração da regra dos “jogadores formados localmente” no futsal, ou na ridícula “proibição de mandar saliva” para a cara do presidente rival, foram, nos últimos anos, feitas à medida das pretensões de um determinado clube.

E tudo isto meus caros, tudo isto anda completamente interligado. Marco Ferreira disse um dia que recebeu telefonemas de Vítor Pereira para que “os jogos do Benfica corressem bem” – foi despromovido de categoria. Mais tarde viemos a saber que o Benfica andou pedir a quem de direito a revisão das notas atribuídas a determinados árbitros pelos observadores. Os vouchers, bem, os vouchers existiram e foram uma forma de corrupção. Assim como existiram os bilhetes para o presidente da APAF. Assim como foram atribuídos bilhetes para os membros da secção não-profissional do Conselho de Disciplina. O Benfica mexe por completo na estrutura da Federação. Tivemos a prova disso tudo em todos os mails trocados entre Paulo Gonçalves e Mário Figueiredo. O Benfica espiou o telemóvel do presidente Fernando Gomes. Não seria capaz de ficar admirado se, na próxima grande revelação, ficássemos a saber que o Benfica utilizou essa informação para condicionar a actuação do Presidente da FPF através da utilização de métodos de chantagem.

Escrito o meu estado de alma, resta-me acreditar piamente na justiça portuguesa. Quero acreditar que a inerte justiça portuguesa será finalmente capaz de se libertar das amarras do status-quo herdado do salazarismo (como escreveu e bem aqui o Autor do Artista do Dia) para mexer com quem deve mexer sem olhar a credos. Com o desbloqueador que é desde há muitos anos o maior vigarista e corrupto da cidade de Lisboa. Com aquele que deve um infindável rol de milhões aos contribuintes portugueses nas sacanices cometidas nos bancos entretanto nacionalizados com recurso ao nosso suor. Com o mais digno sucessor de João Vale e Azevedo. Bem, se as tropelias cometidas por João Vale e Azevedo (aquele com quem tentou alguém comparar há uns meses atrás o presidente do Sporting) forem minimamente comparáveis com as que são cometidas diariamente pelo presidente do Sport Lisboa e Benfica. Com todos os agentes que contribuíram directa ou indirectamente para esta verdadeira falcatrua antagónica aos mais salutares e essenciais valores do desporto. Espero que a justiça actue. Rapidamente. Para bem do futebol português em particular e do desporto português em geral.

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2 thoughts on “O dia em que o Mister acertou novamente na mouche”

  1. Não sejamos cegos e desonestos como os lampiões: se diversas pessoas ou organizações se juntarem para combater um bando de criminosos que tomou conta de um clube, isso reflete aquilo em que assenta uma sociedade séria, democrática e organizada. Reprovável e inconcebível é o governo, a polícia, a justiça e os media pactuarem com o modus operandi criminoso desta quadrilha vermelha e não a combaterem verdadeiramente.

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    1. Concordo plenamente 🙂 O que é que se pode esperar de um governo que se senta regularmente na Tribuna Presidencial do Estádio da Luz? O que é que podemos esperar de uma imprensa que é paga a peso de ouro pela Gestifute para valorizar os jogadores do Benfica presentes na sua carteira?

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