Tour de France – Lilian Calmejane colocou a cereja no topo do bolo na chegada a Station des Rousses


Lilian Calmejane deu à Direct Energie a vitória de etapa (objectivo principal da formação francesa para a maior prova da temporada) que os franceses tanto procuraram nesta primeira metade de corrida. A formação francesa não pode estar mais contente da opção que foi tomada quando deixou o seu principal corredor, o sprinter Bryan Coquard em casa para apostar seriamente na possibilidade de ganhar uma etapa na prova através da prossecução de uma fuga. As hipóteses de Coquard ganhar uma etapa ao sprinte, eram, dada a quantidade de sprinters de maior nomeada presentes no evento, reduzidas a uma probabilidade diminuta. Com ciclistas como Calmejane, Voeckler, Perrig Quemeneur, Romain Sicard, Sylvain Chavanel, ou Adrien Petit as hipóteses de vir a conquistar uma etapa eram maiores porque todos estes corredores apresentam um denominador comum: são todos excelentes baroudeurs. Para quem não está familiarizado com o termo que acabei de escrever, um baroudeur é um ciclista aventureiro que corre muito bem quer em fugas, quer em solitário em todos os terrenos.

Lilian Calmejane tem tudo para ser um dos melhores baroudeurs da próxima geração. Aos 23 anos, o ciclista colocou a cereja do topo do bolo ao juntar o fantástico palmarés que já construiu em diversas provas (venceu a geral da Settimana Coppa e Bartali, prova onde também conquistou a camisola dos pontos e uma etapa; venceu a Etoile de Bessèges, prova onde também conquistou uma etapa; venceu a geral do Circuit de La Sarthe, conquistando aí uma vitória de etapa; venceu o Prémio de Montanha da Paris-Nice; conquistou o pódio no GP de Ouverture de Marseille, foi 5º na geral do Tour de Haut Var; no ano passado já tinha vencido uma etapa na Vuelta;) à sua primeira grande vitória no Tour, logo no seu ano de estreia.

E que vitória! O jovem corredor da Direct Energie teve que suar para poder erguer os braços na linha de chegada à Station des Rousses.

Lilian Calmejane

Uma verdadeira epopeia

A ligação entre Dole e Station des Rousses podia, como antevi no post relativo à etapa de ontem, ser disputada pelos homens da geral. No entanto, assim que acordei de manhã e comecei a ler o rol de declarações proferidas por alguns dos contenders percebi que ninguém estava realmente disposto a mexer na corrida durante a etapa de hoje dada a exigência da prova que se seguirá amanhã na primeira incursão aos Alpes. Todos os favoritos decidiram estabelecer uma trégua na subida final para o Cote de la Combe de Laisa – Les Mounes, inclinação de média dificuldade (rampas máximas de 8%). Jakob Fuglsang acertou na mouche quando afirmou que “a etapa de amanhã será naturalmente de espectativa” – de espectativa e de poupança de energia para a etapa de domingo.

Se exceptuarmos um ligeiro ataque (do qual não tivemos muitas imagens durante a prova) promovido por Daniel Martin na parte final para tentar somar alguns segundos e as preciosas bonificações à chegada, no que respeita à geral, o dia provou ser de acalmia: a Sky colocou a sua enorme âncora na frente na corrida na subida final e controlou a prova a seu belo prazer.

laurens tem dam

Lá na frente, a história foi outra. Uma verdadeira troupe de luxo aproveitou o dia para tentar adocicar a gulosa boca dos seus patrocinadores e directores desportivos, sem no entanto esquecer o que se pudesse passar lá atrás porque haviam homens preparados para ajudar um ataque vindo de trás se tal viesse a ser necessário. Não podemos ignorar a bateria de homens que a BMC de Richie Porte colocou na frente nem a presença de 2 dos gregários de Romain Bardet, entre outros gregários presentes na fuga. Numa primeira vaga, saíram do pelotão homens importantes (alguns já somaram largos minutos na geral na subida para a La Planche des Belles Filles) como Greg Van Avermaet, Michael Schar (BMC), Jan Bakelants, Mathias Frank (AG2R La Mondiale), Koen De Kort (Trek-Segafredo), Michael Valgren (Astana), Jens Keukeleire (Orica-Scott), Serge Pauwels (Dimension Data), Emmanuel Buchmann (Bora-Hansgrohe), Thomas De Gendt (Lotto Soudal), Laurens Ten Dam (Sunweb), Calmejane (Direct Energie) e Alberto Bettiol (Cannondale-Drapac) num grupo que continha sensivelmente 50 ciclistas.

A 1:29 da liderança, o jovem Manny Buchmann era o ciclista que mais fazia perigar a camisola amarela de Christopher Froome. O jovem alemão haveria de recuar até ao pelotão assim que o seu director desportivo percebeu que a fuga não iria ganhar o tempo necessário para possibilitar a subida do jovem ciclista germânico à liderança da prova. Havia então que guardar forças para a etapa de amanhã, etapa onde Buchmann poderá muito bem andar na frente em conjunto com o seu chefe-de-fila Rafal Majka.

Grande parte deste primeiro lote de corredores em fuga, ficou pelo caminho assim que o caminho começou a ficar sinuoso. Numa segunda vaga, a 5 km para a segunda categoria do Mont de Viry Marcus Burghardt (BMC), Warren Barguil (Sunweb) e Matteo Trentin (Quickstep) saíram do pelotão para alcançar o grupo da frente. Simon Clarke e Andrew Talansky também tentaram a sua sorte. De um momento para o outro, um par de acelerações durante a subida, colocaram na frente um grupo seleccionado de corredores com Van Avermaet, Jan Bakelants, Michael Valgren, Serge Paawels, Lilian Calmejane, Robert Gesink, Nicolas Roche (BMC).

sky

A Sky manteve a corrida sempre à vista, apesar dos contratempos que abalaram Froome e Geraint Thomas na descida do Mont de Viry. O inglês enganou-se numa trajectória e foi parar à relva enquanto Geraint Thomas foi mesmo ao solo. Mesmo assim, a formação britânica controlou a sua corrida.

calmejane

Lá na frente, o seleccionado grupo que abrilhantou a tirada, iniciava uma sequência de ataques. Roche, Barguil e Paawels foram extremamente interventivos. Gesink tentava responder a todos os ataques para manter intactas as possibilidades de vir a desequilibrar na subida final e Calmejane parecia não ter forças para aguentar a situação. Os restantes acabaram por sucumbir, sendo alcançados posteriormente pelo grupo do camisola amarela.

Com cerca de 1:30 para o grupo do camisola amarela, Lilian Calmejane conseguiu recuperar o físico para lançar um ataque demolidor que deixou toda a concorrência nas covas. Nicolas Roche foi o único que tentou responder directamente ao homem da Direct Energie. Robert Gesink seguia mais atrás. Roche estoirou na subida final, sendo ultrapassado por Gesink. O veterano trepador holandês ficou sempre por perto (na subida final deu a entender que poderia alcançar o homem que rodava 200 metros à sua frente) e até poderia ter beneficiado do azar que se abateu sobre Calmejane no falso plano existente nos 10 km finais (12 km entre o final da subida e a meta) quando o jovem francês teve uma dolorosa Cãibra que o fez perder alguns segundos. O ciclista da Direct Energie foi rápido a restabelecer o músculo à sua origem, sendo nessa fase nítida o esgar de dor que a sua face espelhava para as cameras de televisão. Nessa fase da corrida, Robert Gesink deu tudo para anular os 30 segundos de desvantagem que disponha para o homem que rodava à sua frente mas não conseguiu alcançá-lo. Lilian Calmejane fazia história no Tour.

Lilian Calmejane 2

O ciclista francês alcançou a camisola da montanha. Quem sabe se este poderá ser o seu próximo objectivo para a prova? Não sendo expectável o seu regresso a uma fuga durante o dia de amanhã (parece-me que a camisola irá outra vez mudar de mãos) em virtude do desgaste físico acumulado durante a etapa de hoje, o francês poderá voltar à carga na próxima semana.

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