Anadia – um verdadeiro exemplo na formação de jovens futebolistas


 

1, 2, 3, 4, 5, 6!  Há um clube ali prós lados da Bairrada que, viu, num par de dias, sair 6 atletas para os principais emblemas do futebol português. Podem sair mais nos próximos dias. 

Esse clube soube construir, ao longo de muitos anos, com muita boa vontade popular e institucional da região, um projecto sustentado (ainda não sustentável desportivamente no que concerne à sua equipa sénior, por outras razões que não interessam esmiuçar para este caso concreto) de formação brilhante. Conseguiu-o em primeiro lugar, porque começou a casa pelo rés-do-chão ao dotar o seu complexo desportivo de boas infraestruturas. Em segundo lugar, manteve a aposta na prata da casa, atraindo os melhores atletas do concelho Em terceiro lugar, dotou a formação de extraordinários técnicos. Pode-se até mesmo dizer que para além dos bons técnicos locais que já possuía, foi contratar os melhores técnicos de formação dos concelhos vizinhos. Em quarto lugar, as boas condições infraestruturais, logísticas e técnicas oferecidas pelo clube assim como as suas competitivas equipas (nos escalões até aos sub-13, o clube conseguiu nos últimos anos vencer alguns títulos distritais; dos sub-13 até aos sub-19, todas as equipas principais disputam os campeonatos nacionais) começaram a atrair os melhores talentos dos concelhos vizinhos e até dos distritos vizinhos. Em vez de ter que ser o clube a aliciar os talentos a jogar no Anadia, foram os talentos que começaram a “cair” no clube para jogar pelo Anadia.

A fórmula foi, a meu ver, bastante simples, mas, ao mesmo tempo bastante trabalhosa porque demorou anos a edificar. Esta fórmula implicou o esforço de centenas de pessoas, dos dirigentes que passaram pelo clube nos últimos anos aos pais dos atletas, passando pelos responsáveis camarários e pelos próprios sócios do clube. Houve empenho mas também houve rasgo e um piquito de sonho. De sonho dos dirigentes que idealizaram, e dos meninos que todos os anos singraram e puderam subir mais alto na nomenklatura do futebol. Dos treinadores que acreditaram que era possível colocar um clube de bairro a ombrear mano-a-mano contra os grandes do futebol português.

Acima de tudo também houve a percepção que um clube sem uma formação, é um clube sem futuro. Assim como também creio ter havido a percepção que o modelo padrão que é aplicado por 90% dos clubes de futebol portugueses no que concerne ao futebol de formação está completamente errado. Não podem existir resultados nos pseudo projectos que utilizam a formação como o meio financeiro para o fomento e pagamento da sua equipa sénior. Não podem haver resultados quando o nosso futuro (desportivo, cívico, social) é entregue ao “chico da tasca mais próxima” que foi à Associação de Futebol tirar o curso de treinador porque era bom a mandar bitaites na mesa do café. Não podemos entregar o nosso futuro desportivo aquele que é desprovido de ética, aquele que pensa que sabe mas no fundo não sabe, aquele presunçoso que pensa que sabe tudo sobre futebol mas nunca esteve dentro das 4 linhas. Ao carniceiro que não consegue ensinar um único valor ético positivo a uma criança. A tipos que por vezes não são bons nem para os seus próprios filhos. Toda a gente é ávida a criticar os resultados dos processos mas no fundo acho que poucos são aqueles que conhecem os processos pelos quais se atingiram os resultados, e menos ainda são aqueles capazes de pensar, projectar e construir as vias para a obtenção desses mesmos processos. Porque treinar não é colocar uns pinos, meia dúzia de miúdos a passar bolas, os avançados a finalizar jogadas e uma peladinha no final. A modelação é provavelmente o mais penoso trabalho de um treinador. Tentar perceber o que é que determinado jogador deve fazer numa situação dadas as suas características, como é que deve passar, como é que se deve movimentar, como é que deve decidir é algo que pode demorar meses de trabalho. Multipliquem por 24\25 atletas. Dividam por 11 que estão dentro de campo. Multipliquem por 2 fases de transição. Multipliquem por uma diversidade infindável de comportamentos técnicos, tácticos, mentais. Somem as milhares de lacunas que os jogadores possuem e que devem ser trabalhadas. Somem as situações de desmodelação individual e colectiva que são precisas para um treinador poder implantar a sua ideia de jogo. Porque o jogador x vem do escalão anterior ou do clube anterior cheio de rotinas que são muito difíceis de alterar pelo novo treinador.

O Anadia pode rodear-se de bons técnicos. Não vou mencionar o que aprecio porque já o fiz noutro post neste blog. Estes jogadores que agora partem devem muito a esses treinadores. Apostaram, batalharam, insistiram na correcção de vícios negativos. Insistiram na aquisição de todo o tipo de competências. Esses técnicos foram muitas vezes para casa a pensar no que é que poderiam fazer com o jogador x para que o jogador x pudesse sacar o melhor rendimento possível e o melhor rendimento possível de y. Esses técnicos por vezes sonham (estou certo que sonham) com a equipa que vão defrontar. São aquele tipo de técnicos que vão para casa ao domingo massacrar as namoradas com a conversa dos erros que os miúdos fizeram no jogo, depois de uma semana em que não puseram os pés em casa.

Estão todos de parabéns. Podem continuar.

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