Tour de France – 11ª etapa – Kittel meteu a 5ª na chegada a Pau


Kittel foi mais uma vez, o rei desta porra toda! O sprinter alemão tinha deixado o aviso quando foi “auscultado” pelos jornalistas minutos antes da etapa partir para a estrada: “Eu estou a sentir-me bastante bem. Estou relaxado porque já consegui cumprir todos os objectivos a que me propus na prova. Já ganhei 4 etapas e sinto que tenho capacidades para vencer outra” – não podemos ignorar o estado de graça mental e emocional pelo qual está a passar o ciclista germânico em virtude das 4 vitórias alcançadas nas 6 que foram até agora disputadas em sprint massivo.

Enquanto o alemão está super confiante (tem motivos para isso porque está efectivamente num momento de forma gigante, momento de forma que lhe permite ter a capacidade de saltar de qualquer posição no sprint final sem precisar do “indispensável” comboio de lançamento) os adversários estão, por outro lado, com os níveis de confiança em baixo, sentindo-se de certa forma (nota-se a milhas se atentarmos ao que tem dito John Degenkolb ao longo dos dias) impotentes para travar a sua caminhada por mais esforços que coloquem e\ou que as suas equipas coloquem durante ou no final das etapas. Podemos sempre colocar algumas interrogações em relação a estas conquistas do alemão, se considerarmos que 3 dos principais rivais do alemão já estão fora da prova francesa: teria o alemão vencido tantas etapas se não tivesse existido o episódio entre Peter Sagan e Mark Cavendish? Teria o alemão vencido estas duas últimas etapas se Arnaud Demare não tivesse sido desqualificado na 9ª etapa? Estes pontos de interrogação e debate são e serão sempre válidos se considerarmos que tanto o eslovaco como Demare bateram o alemão nas únicas etapas (disputadas em sprint massivo) que este logrou arrematar! O ciclista inglês da Dimension Data também indiciava estar num belo momento de forma. 

O que é certo é que tanto Kristoff como Matthews como Bouhanni, como Greipel (o sprinter francês da Cofidis tem aparecido muito bem posicionado nos metros finais, não conseguindo porém ter a potência necessária para suplantar toda a concorrência) são, em qualquer altura, em qualquer momento de forma (positivo ou negativo) adversários de respeito em virtude do palmarés conquistado ao longo das suas carreiras. Estamos a falar portanto de sprinters consagrados com um palmarés enorme. Estamos a falar da verdadeira elite do sprint do ciclismo mundial! Kittel tem efectivamente vulgarizado toda a gente. À semelhança do que tem acontecido em todas as vitórias do alemão, este voltou a sair de uma posição recuada no momento do lançamento para bater toda a (lançada) concorrência em cima da linha de meta. A única diferença registada entre o que efectivamente aconteceu na 11ª etapa e o que aconteceu nas etapas anteriores foi a atitude da Quickstep durante os quilómetros da etapa.

Durante a prova, a equipa belga não tem alocado muitos recursos à chamada fase de perseguição às fugas. Os belgas raramente aparecem com duas unidades na frente como apareceram na etapa de hoje, preferindo entregar esse trabalho à Lotto-Soudal, à Katusha ou à Française Des Jeux, quando a equipa francesa possuía todas as unidades em prova. Como a formação francesa perdeu de uma assentada 4 unidades na 9ª etapa, em virtude da chegada fora do controlo de vários ciclistas, entre os quais Arnaud Demare, nas últimas duas etapas, a perseguição às fugas tem sido invariavelmente entregue à Katusha do nosso Tiago Machado (voltou a rolar mais de 50 km na frente do pelotão) e à equipa de André Greipel. A atitude da equipa belga não se deve, na minha opinião, a uma imperativa necessidade motivada por falta de recursos para o efeito mas antes por motivações tácticas. A Quickstep tem optado por não aparecer com muitos homens na frente para obrigar as equipas que ainda não alcançar qualquer vitória a esgotar todos os recursos na perseguição aos fugitivos. Na hora de lançar, a equipa belga acaba por inevitavelmente colocar as suas unidades na frente. Mesmo assim, Kittel não tem obtido as primeiras posições na fase de lançamento. As vitórias do alemão devem portanto ser ainda mais sublinhadas em virtude desse grande aspecto que o tem condicionado.

Maciej Bodnar morreu na praia

O polaco constituiu-se como o leitmotiv que obrigou a equipa belga a ter que alocar duas unidades na frente do pelotão nos 20 km finais. O garboso contra-relogista polaco da formação alemã, ciclista que já alcançou um espantoso 4º lugar na prova de contra-relógio dos campeonatos do mundo de estrada do ano passado e um 6º na prova de contra-relógio dos Jogos Olímpicos do Rio, tornou-se a grande ameaça da equipa belga quando deixou para trás os seus companheiros de fuga Frederik Backaert (Wanty; 3ª aparição numa fuga durante a prova) e Marco Marcato da UAE. Com uma vantagem de 40 segundos sobre o pelotão a sensivelmente 20 km da meta, o rolador polaco viu a janela de oportunidade perfeita para dar mais uma vitória à sua equipa. Para a conquistar, Bodnar só precisava de realizar um autêntico contra-relógio até Pau.

A postura corporal do ciclista foi perfeita. Sem desalinhar uma única parte do seu tronco, Bodnar correu até aos quilómetros finais aquele que poderia ter sido o melhor contra-relógio da sua vida. Lá atrás, no pelotão, as equipas interessadas tiveram que chamar à recepção vários recursos porque o polaco chegou a ganhar algum fôlego quando conseguiu acrescentar mais 40 segundos aos tantos que tinha. Julien Vermote (Quickstep), Tony Martin (Katusha) e Thomas DeGent trataram, como bons contra-relogistas que são, de lhe mostrar a outra face da moeda já dentro do quilómetro final.

As quedas

Alberto Contador e Romain Bardet estiveram envolvidos em dois incidentes que ocorreram na parte final da corrida. O espanhol caiu conjuntamente com o seu colega de equipa Michael Gigl enquanto o francês da AG2R também foi ao tapete. Os dois ciclistas puderam sair ilesos sem qualquer arranhão.

A Caravana segue para as etapas de montanha nos Pirenéus

A ligação na distância de 214.5 km entre Pau e Peyragudes oferece a todos os que lutam pela camisola amarela de Froome uma nova oportunidade para medir forças contra o ciclista britânico. As 3 ascensões presentes nos 45 km finais serão capazes de nos proporcionar um tremendo espectáculo de ciclismo de montanha no qual Fábio Aru e Romain Bardet serão, em virtude das posições que ocupam na geral os ciclistas a quem pertencerá o ónus de procurar lutar pela camisola que está no corpo do ciclista da Sky. Ao italiano bastará conquistar a etapa mais 8 segundos na estrada ou simplesmente 18 segundos em relação ao ciclista da Sky para envergar a tão desejada amarela. O italiano deverá tentar mexer com a corrida para poder conquistar a liderança e provocar um sério estrago no quadro anímico confiante que Froome actualmente apresenta.

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