A vitória da escola espanhola de ténis


A vitória de Garbiñe Muguruza sobre Vénus (a vingança à derrota sofrida na final de 2015 frente à irmã Serena) foi, de facto, na minha opinião, o verdadeiro consumar de todos os ensinamentos que a tenista hispano-venezuelana colheu da escola espanhola.

Muguruza representa na plenitude grande parte dos pontos-chave que caracterizam a escola de nuestros hermanos. 

  • A sua preparação física. Os tenistas espanhóis estão treinados para aguentar pontos longos com longas e intensas trocas de bola. Sempre que não consigam estar estratégica e mentalmente por cima dos adversários, os tenistas espanhóis são ensinados a tentar manter sempre a bola jogável para poderem aproveitar o primeiro deslize do adversário porque é certo que o adversário vai perder força nas pernas se o ponto se arrastar para além dos limites temporais considerados (e treinados) como normais. Os segredos da preparação física que é realizada pelos treinadores com os atletas desde tenra idade residem no reforço muscular de pernas. Quase todos os tenistas espanhóis são atletas dotados de pernas altamente musculadas e potentes. Os deslizamentos de uma ponta à outra do court em poucos segundos é uma obrigatoriedade da escola espanhola. Também é dado muito enfoque à evolução da agilidade e da flexibilidade do atleta.
  • Força mental. Os tenistas espanhóis são ensinados a nunca se renderem com facilidade. Como referi, se os atletas são ensinados a disputar pontos longos, é natural que os treinadores façam um trabalho mental acrescido com os atletas, dotando-os de paciência na conquista do ponto. Por outro lado, raramente vemos um tenista espanhol a ficar irritado com a perda de um ponto. O tenista espanhol ou todo aquele que trabalha nas melhores academias espanholas é ensinado a partir (mentalmente) para o ponto seguinte assim que acaba de perder o que foi disputado.
  • Paciência – A força mental dos tenistas espanhóis leva-os a pensar desta forma dentro do court “Trocarei a bola até ao momento em que o meu adversário erre ou até ao momento em que uma resposta mal gerida do ponto de vista estratégico me dê o momento chave para atacar e ficar por cima mentalmente” – grande parte dos tenistas de países anglo-saxónicos age de forma completamente diferente. Ao invés de trabalhar bem os pontos ou de levar o adversário ao erro, estes são usualmente os tenistas que pretendem terminar o seu trabalho o quanto antes possível.
  • Abuso do TopSpin – incomoda claramente os adversários, retirando-lhes clarividência na devolução, quer em trocas de bola quer no serviço. É uma das armas mais utilizadas por Rafa Nadal, por exemplo.
  • O uso e abuso dos forehands para dominar os pontos. Servir, dar dois passos para a esquerda, abrir no forehand. É a estratégia mais utilizada pelos tenistas da escola espanhola para dominar os pontos. O inside out é o mais utilizado. O forehand em corrida também é muito utilizado.
  • Defesa – Os espanhóis adoram passar minutos a defender. Como são rápidos a deslizar no court, todos os tenistas espanhóis defendem pontos com unhas e dentes. Esse foi um dos segredos que explica a vitória de Muguruza sobre Vénus. Jogar contra um espanhol mais parece jogar contra um tenista e o seu duplo porque ele parece-me multiplicar-se dentro do court. Os adversários ficam naturalmente irritados em virtude da quantidade de winners que os espanhóis são capazes de defender.
  • Defende imenso para depois contra-atacar quando sentir que esse contra-ataque irá causar danos no adversário.. Com um passing shot, com um lob, com uma subita e rápida subida à rede.
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