Six Stars 2017: uma excelente oportunidade para ver os craques do passado em acção


A Arena O2 em Londres tem recebido nos últimos dias o Six Stars Tournament, torneio de selecções que junta alguma das maiores vedetas do passado. Verdadeiros consagrados da história do futebol mundial como Robert Pirès, Marcel Desailly, Rivaldo, Juninho Paulista, Michael Ballack, Roberto Carlos, Deco, Steven Gerrard, Angelo Di Livio, Youri Djorkaeff, Alessandro Del Piero entre outros tem disputado interessantes duelos (no formato de 6×6 em campo reduzido) no sintético instalado naquela arena londrina. O torneio é uma oportunidade de ouro para rever em acção os grandes craques do passado. Passei toda a noite a ver os highlights dos jogos até agora realizados. Vi com o maior prazer possível. Pelo que vi posso afirmar que alguns destes jogadores ainda teriam lugar em muitos clubes de 1ª divisão dessa Europa. Grande parte dos duelos tem sido disputados a um pace muito tranquilo, com muita brincadeira à mistura. No entanto, a meio de alguns jogos viveram-se alguns momentos de rivalidade. O jogo entre a “selecção inglesa” e a “selecção escocesa” foi um deles.

Brasileiros e italianos levaram a coisa muito a sério

Juninho Paulista voltou a dizer “oi” aos fans que deixou em Inglaterra, mais concretamente no Boro. Com um jogada individual de fino recorte técnico, como sempre foi seu apanágio, o brasileiro abriu um encontro em que Delvecchio não se fez rogado e respondeu à gracinha com outra excelente jogada individual em drible. A contenda foi agressiva para alguns jogadores. Veja-se o esgar de dor que a face de Juliano Belletti ofereceu quando marcou o 2º golo dos brasileiros. Pelo meio da maralha andou o mais oportunista dos avançados da década de 90: Fabrizio Ravanelli. Aos 48 anos, as pernas do cabecinha branca já não são as mesmas daquele tempo em que qualquer lançamento em profundidade para as costas da defesa adversária era mel para o avançado italiano.

O show de Ludovic Giuly frente aos franceses

Os anos parecem não ter passado pelo pequenino extremo que deslumbrou ao serviço do Mónaco e do Barcelona. Ludovic Giuly continua a ser aquele acelerador e aquele desequilibrador nato. Sempre a redondinha lhe chega os pés, o francês continua fiel ao seu futebol: trata de acelerar o jogo e de fazer aquele passe mágico que garante o golo ao colega de equipa.

A equipa nigeriana apresentou-se em Londres com as vedetas que nos fizeram, no passado, adorar o seu futebol. Composto por um misto de jogadores que venceram os Jogos Olímpicos de 1996 e que se apresentaram literalmente em alto estilo no França 98, casos do “princípe Peter Rufai” (quem não se lembra das suas maravilhosas exibições ao serviço do Farense?), de Celestine Babayaro, do excêntrico mas nada assertivo Taribo West (aquelas trancinhas às cores disfarçavam a autêntica porcaria de central que se veio a revelar com o pulsar dos anos!), o mágico Jay Jay Okocha (tratava a bola como se de uma filha se tratasse), Emmanuel Okocha e Daniel Amokachi (daquela geração, Amokachi era o jogador mais promissor, tendo passado de certa forma ao lado de uma carreira de topo), com um conjunto de jogadores da geração seguinte (Aghahowa, Lawal, Uche) Só faltaram à chamada os colossais Nwanko Kanu e Finidi George para termos literalmente a tenda armada.

Os jogadores da formação africana exibiram-se à imagem e semelhança das suas exibições no passado: desalinhados tacticamente e algo preguiçosos no momento defensivo. Rufai teve portanto que aguentar com os remates dos brasileiros, selecção onde o prodigioso Djalminha confirmou que ainda percebe da poda.

O reencontro de velhos conhecidos foi encarado (suponho) para dois dos espanhóis presentes em campo como uma boa oportunidade para vingar aquele extraordinário 3-2 a favor dos nigerianos que abrilhantou e de que maneira o saudoso 13 de Junho de 1998, dia em que completei 11 anos de vida. Confesso que esse jogo, bem como a bola original do mundial que fizeram o favor de me oferecer naquele dia (foi devidamente esgalhada na rua do meu bloco até rebentar, 1 hora antes de todos os convivas seguirem os seus rumos, quando a madrugada já ia alta) foram provavelmente as melhores prendas de aniversário que recebi em toda a minha infância. Foi esse 3-2 que me levou posteriormente a chorar compulsivamente quando os nigerianos foram eliminados nos oitavos-de-final pela Dinamarca de Ebbe Sand, Peter Schmeichel, Brian Laudrup e Thomas Helveg.

Da formação espanhola que se apresentou na O2 Arena, Alfonso e Fernando Morientes faziam parte dessa selecçãode 1998. Os ibéricos não deram qualquer oportunidade aos nigerianos num verdadeiro jogo de pinball junto da baliza de Peter Rufai.

O jogo entre brasileiros e alemães parecia a repetição da final do Mundial da Coreia e do Japão. Dos dois lados do conjunto estiveram em campo alguns dos jogadores que estiveram dos dois lados da barricada daquela final disputada há 15 anos atrás em Yokohama. Presentes no torneio, do lado brasileiro jogaram aquela final no então “moderno” Yokohama Stadium Roberto Carlos, Gilberto Silva, Rivaldo, Juninho Paulista. Djalminha estava nos 23 que o brasileiro levou ao Oriente mas não alinhou na final. No lado germânico, alinhou somente o mecânico (não falhava a porra de um passe!) Dietmar Hamann, porque Michael Ballack cumpriu nessa final o jogo de suspensão a que foi votado no jogo das meias-finais devido a expulsão e Jens Nowotny foi suplente não utilizado por Rudi Voller.

À semelhança do que aconteceu em Yokohama, os brasileiros levaram novamente a melhor sobre os alemães. Num jogo em que a baliza do antigo guardião do Sporting Timo Hildebrand foi assaltada por várias vezes pelos poderosos remates do panzer Júlio Baptista (ainda tinha stamina para jogar facilmente por um Sporting de Braga), o jogo permitiu a Gilberto Silva finalmente libertar-se da missão de equilibrador (de equipas) à qual esteve durante praticamente toda a sua carreira confinado.

Os escoceses também puderam sentir a Fúria Roja em Londres.

Vamos à selecção portuguesa. 

Vitor Baía, Fernando Couto, Bosingwa, Maniche, Deco, Hélder Postiga, Paulo Ferreira, Raúl Meireles, Luis Boa Morte e Nuno Gomes decidiram fazer um verdadeiro remember Porto 2002\2003 e Portugal 1991-2014 frente à selecção alemã.

Frente aos alemães, recuámos 10 anos no tempo. Nos 60 minutos de jogo, deu para matar as saudades da classe e do toque de bola de Deco, dos falhanços de Nuno Gomes, dos remates disparatos e das más recepções de Hélder Postiga, e das defesas espectaculares de São Baía.

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