Inacreditável


Não tenho palavras para descrever o imponente nível das exibições de Roger Federer durante a presente temporada. O suíço parece estar disposto a finar-se (para o ténis profissional) pela porta grande, ou seja, a desafiar e a superar todos os seus limites. E os seus limites são, como se sabe, altos. Em Wimbledon, o suíço voltou a fazer um verdadeiro compêndio do do seu percurso enquanto atleta de alto rendimento: todas as oportunidades, por mais pequenas que sejam, são caminhos válidos para se chegar ao topo. Sem perder um set, o suíço vulgarizou praticamente todos os adversários no seu caminho para a final, partida em que Marin Cilic não teve muitas oportunidades para contrariar os poderosos winners da fabulosa esquerda de Federer bem como os seus vitoriosos forehands. 

Em vários momentos da sua carreira, muitos foram aqueles que deram o suíço como morto. A primeira aconteceu quando, em 2008, no pico mais alto da sua carreira, período em que era praticamente impossível derrotá-lo, a mononucleose atirou-o para fora de competição durante alguns meses. O tenista soube sempre reerguer-se e conseguiu perdurar no topo da hierarquia mundial até 2012. Quando perdeu a liderança do Ranking ATP, muitos foram aqueles que lhe voltaram a vaticinar o início da sua fase de decadência. O suíço contrariou todas as previsões e conseguiu manter-se no top 10 até ao passado mês de Novembro de 2016, saindo apenas do principal radar do ténis mundial quando foi obrigado a submeter-se a duas intervenções cirúrgicas para debelar os problemas físicos que já o tinham afastado da competição entre Janeiro e Abril de 2016. Essa lesão, levou os mesmos do costume, a advogar-lhe, com a falsa propriedade do costume, o fim. Roger Federer recusou-o.

No início desta temporada, o suíço sentiu necessidade de vir a público anunciar o seu planeamento de temporada. Refutando qualquer prazo que lhe foi oferecido por vários jornalistas para a sua retirada, Federer anunciou que durante a temporada de 2017 disputará menos torneios para poder, segundo as suas palavras, “estender a carreira por mais 2 ou 3 anos” – não sei se será bem assim.

O suíço é um daqueles atletas que só irá retirar-se quando sentir que já não tem condições para ganhar. O suíço é um tenista com um quadro psicológico forte. No desporto de alta competição, um atleta que possua um plano mental forte arrisca-se a prolongar a sua carreira por mais tempo do que um atleta fisicamente forte, mas fraco mentalmente, porque o plano mental sobrepõe-se às condições físicas. Arrisco-me porém a afirmar que o único motivo plausível que o fará retirar no espaço de 3 anos, poderá ser a vontade de ver os filhos a crescer. E mesmo assim… É sabido que o suíço tem, desde 2008, dois desideratos: quer voltar a vencer a medalha de ouro dos Jogos Olímpicos e quer ganhar todos os Grand Slams numa única temporada, feito que só foi alcançado por 5 atletas: Donald Budge (1938), Maureen Connolly (1953), Rod Laver (1962 e 1969), Margaret Jean Court (1970) e Stefi Graf (1988).

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