Franck Kessiê – o novo meio-campo do Milan


De todas as contratações que o AC Milan tem vindo a realizar para o seu
“novo” meio-campo (Kessiê, Biglia, Andrea Conti, Haçan Calhanoglu) a do poderoso médio costa-marfinense parece-me ser a única que faz sentido. Não tenho nada a apontar ao rigor posicional e ao trabalho de sapa que o experiente médio argentino executa em campo nem ao prodígio técnico do turco, jogador que tem qualidade de passe fabuloso e um inegável talento na cobrança de bolas paradas. Simplesmente não creio que ambos venham trazer mais à equipa do que aquilo que ofereciam o “tractor” Juraj Kucka ou o completo Andrea Bertolacci.

Tenho acompanhado o médio marfinense desde o final da temporada passada. O selo de qualidade do jogador que levou o Milan a pagar 28 milhões de euros à Atalanta é comprovado como original e não engana, apesar de suscitar, ao início algumas dúvidas em virtude de alguma ineficácia no capítulo do passe, capítulo onde Bertolacci era rei. Mas nem só. Em estilos diferentes, a dupla que agora sai do Milan (Bertolacci regressará ao Genoa; de onde vai sair para os eleitos da Itália para o próximo mundial com toda a certeza; Kucka continuará a sua carreira nos turcos do Trabzonspor) era uma dupla fenomenal a todos os níveis: sendo Kucka um jogador de vertente mais física, assegurava exactamente o que Biglia visa assegurar, acrescentando muito mais que o argentino nas transições para o contragolpe, por exemplo, e Bertolacci é, sem sombra para dúvidas um dos médios mais inteligentes “a pensar uma transição” no futebol italiano.

O costa-marfinense Kessiê encaixaria muito bem num tridente formado por Bertolacci e Kucka. Para além do músculo que acrescenta, é também ele um jogador capaz de imprimir velocidade ao jogo na equipa. Quem é que não gosta de um médio capaz de se libertar da pressão adversária e de um médio capaz de queimar por completamente a linha do meio-campo adversário com a facilidade com que Kessiê executa estas acções? Poucos serão os treinadores que não gostem de um jogador que procura sempre dar velocidade, progressão e verticalidade ao jogo da equipa, assim como poucos também serão aqueles que não gostem de um médio com características diferentes do standard instituído no futebol mundial. Kessiê prima portanto pela diferença em virtude de não ser aquele médio certinho nas acções que toma no terreno de jogo. À imagem por exemplo, do que era Kucka no Milan. Já Çalhanoglu e Biglia não são esse tipo de jogadores.

Se olharmos para o plantel dos milaneses, existem jogadores que irão beneficiar com o jogo do costa-marfinense. O primeiro é Carlos Bacca. O avançado colombiano gosta de executar os seus clássicos movimentos de antecipação para vir receber o jogo do meio-campo com espaço para desequilibrar. O outro é Suso. Bacca e Suso não deverão ter necessidade de procurar tanto o jogo: o costa-marfinense encarregar-se-à de lhes fazer chegar o jogo. Mbaye Niang é outra história: quanto mais longe receber, mais eficácia tem nas suas acções o poderoso extremo. O francês é um jogador que gosta de embalar em drible a partir de trás para poder utilizar o seu fabuloso músculo.

 

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