Tour de France – 16ª etapa – Another Great Victory for Michael Matthews!!


“He was just sensational” – quem joga regularmente Pro Cycling Manager conhece perfeitamente o som que é reproduzido pela “voz-off virtual do radio tour” do jogo sempre que o australiano da Sunweb vence “virtualmente” uma etapa. Na chegada a Romans-Sur-Isére, numa etapa que marcou a passagem da caravana pela zona do maciço central francês (região de Rhone-Apes), cumprido que foi durante o dia de ontem o 2º dia de descanso da prova, na aproximação às duas etapas que se irão disputar nos próximos dias nos Alpes, o Australiano bateu ao sprint Edvald Boasson Hagen (Dimension Data) e John Degenkolb à justa em cima da linha de meta.

Na clássica passagem por uma das regiões mais montanhosas do território francês, a ASO decidiu trocar as voltas a todo o pelotão. Ao desenhar um percurso essencialmente corrido em descida, ao invés do que habitualmente acontece (o desenho de uma etapa “rasga pernas” com várias contagens de 2ª e 3ª categoria) a organização decidiu incluir na “rota da etapa” a passagem por vários pontos em que os ventos se alteram (de lado para vento de frente) conforme a direcção corrida pelos ciclistas. A etapa gerou naturalmente um enorme nervosismo no seio do pelotão. Para além quedas que existiram durante a etapa, as equipas dos ciclistas que partiram dentro dos primeiros 10 lugares da geral sentiram-se obrigadas a proteger os seus activos na frente para os salvaguardar dos cortes que o vento poderia provocar no pelotão. Daniel Martin (Quickstep) Alberto Contador (Trek) e Meintjes (UAE) foram os três ciclistas do top 10 que não conseguiram a escapar aos cortes. O ciclista irlandês da Quickstep, corredor que conseguiu na etapa de domingo reaproximar-se da luta pela amarela em virtude dos segundos ganhos a todos os rivais, poderá ter perdido definitivamente, durante a etapa de hoje, a possibilidade de vir a discutir a vitória na geral nas próximas etapas.

John Degenkolb queixou-se da sua nítida falta de sorte. Tendo resistido ao longo das etapas aos cortes que deixaram para trás, num primeiro momento, Marcel Kittel e num segundo momento, Andre Greipel e Nacer Bouhanni, o alemão da Trek acreditou que poderia chegar à vitória de etapa. Ainda não foi desta. Com Michael Matthews, Edvald Boasson Hagen e Greg Van Avermaet no grupo que chegou em conjunto à meta, o alemão teria poucas probabilidades de vencer. Mesmo assim, o ciclista germânico fez um honroso 3º lugar no milimétrico sprint disputado a 3. 

Matthews, Boasson Hagen e Van Avemaet viram a vida facilitada quando Marcel Kittel ficou para trás, ainda a etapa ia no seu preâmbulo. A etapa não oferecia montanha por aí além, mas, o sprinter alemão da Quickstep já vinha a demonstrar algumas deficiências físicas desde a etapa que ligou Blagnac a Rodez. Durante a etapa de hoje o alemão perdeu o contacto com o pelotão na primeira subida do dia numa 4ª categoria. Ganhar 5 etapas não é para todos e tem as suas consequências. Vamos no entanto perceber se todo o esforço desenvolvido por Kittel nas primeiras semanas dará (ou não) os devidos frutos: a vitória na camisola verde na chegada a Paris. Com este triunfo, Michael Matthews aproximou-se perigosamente do líder do Prémio dos Pontos\Regularidade. Ainda faltam 2 etapas de previsível discussão ao sprint, isto se não contarmos com a possibilidade de tanto Kittel como Matthews poderem vir a somar pontos no crono que se irá disputar no sábado em Marselha porque tem condições para tal. Tudo pode acontecer no que concerne ao prémio que premeia o ciclista mais regular nas chegadas da Volta.

Sylvain Chavanel foi em conjunto com Thomas DeGent (sempre presente!) um dos grandes aventureiros do dia. 

Não foi desta que o avô do pelotão conseguiu levar a sua avante. A Sunweb de Michael Matthews começou desde cedo a testar a concorrência do australiano. A formação alemã aproveitou a primeira das duas inócuas contagens de montanha do dia para por à prova a concorrência do australiano. Tanto Kittel como Bouhanni atiraram imediatamente a toalha ao chão e começaram a preparar (fisicamente) o ataque às 2 etapas planas que ainda faltam disputar na prova. Greipel ainda tentou resistir durante alguns km, sendo apenas descolado na “mesma fornada” que haveria de vitimar Meintjes, Contador e Martin.

Simon Geshke e o líder da montanha Warren Barguil provocaram, com alguma inocência, uma etapa de grande nervosismo para as equipas dos homens no top 10. Michael Matthews “limpou” com naturalidade os 20 pontos que a etapa oferecia nos sprints intermédios e o pelotão preparou-se para o que aí vinha: a mudança de direcção dos ventos.

O pelotão começou a perder unidades. Vários ciclistas que não possuíam um foco de interesse na etapa desligaram-se da corrida. Outros, como Alberto Contador, Daniel Martin ou o sul-africano Louis Meintjes não foram suficientemente bem posicionados no grupo principal pelas suas equipas face aos esforços que estavam a ser desenvolvidos na frente pela Sky de Froome. Os 3 acabaram por perder contacto com o pelotão. Iniciou-se portanto aquela vertente do ciclismo em que um novo imput na corrida obriga todos os directores desportivos a pegar no seu caderninho de notas “estratégicas” previamente planeados na véspera para iniciar um processo de revisão face aos contextos ditados pela prova. A decisão tomada pelos vários directores desportivos dos ciclistas de top 10 que permaneceram no pelotão + Eusébio Unzué (Nairo Quintana foi um dos maiores beneficiários dos azares dos homens que lutavam lá atrás pela recolagem; o colombiano pode ascender novamente ao top 10) incidiu na junção de esforços. A descolagem de Martin (5º à geral) interessava especialmente à Sky de Froome e Landa (ainda para mais face ao show de energia com que o irlandês nos brindou nos Pirinéus), à Astana de Aru, à Cannondale de Uran, à Orica de Yates (com Martin a perder tempo, o britânico poderia ultrapassar o irlandês na geral e ainda ganhar tempo a Meintjes, o seu mais directo adversário na geral da Juventude) à AG25 de Bardet. Bardet teve algumas dificuldades para conseguir permanecer no grupo principal. Se não fosse Oliver Naesen, o francês também poderia ter perdido tempo importante à geral. Assim que Naesen colocou o seu chefe-de-fila na frente, todas as equipas trataram em conjunto de reunir esforços para tramar Martin.

A Movistar ainda tentou arriscar quando lançou o italiano Daniele Bennati ao desafio nos 3 km finais. O italiano, ciclista que é de facto muito profícuo no lançamento de ataques na aproximação à meta, ainda entrou no último km na frente. No entanto, a Sunweb não estava a dormir. A formação alemã não queria de maneira alguma entregar o ouro ao bandido depois de todo o esforço que desenvolveu para deixar Kittel para trás. Formando um comboio, a formação de Matthews deixou o seu menino na frente nos perigosos 300 metros finais, metros que ofereciam uma autêntica chicane antes da meta. Matthews não desiludiu. O sprint frente a Boasson Hagen e Degenkolb foi muito aguerrido mas pode ter o desfecho para o qual toda a equipa trabalhou.

Geral individual

  • Os 51 segundos perdidos por Daniel Martin poderão ter sido manifestamente suficientes para lhe arruinar a possibilidade de vir a lutar pela vitória na geral ou por um lugar no pódio. O irlandês terá que suar todas as estopinhas nas duas etapas de montanha que lhe restam para recuperar os segundos que hoje perdeu.
  • Louis Meintjes também deverá ter perdido em definitivo a possibilidade de lutar pela geral da Juventude. Os 3:58m de diferença para Simon Yates parecem-me irrecuperáveis. O britânico está num momento de forma fantástico. Na montanha tem conseguido resistir com muita galhardia junto dos melhores. Só uma hecatombe irá retirar a camisola branca do corpo do ciclista da Orica.
  • Nairo Quintana pode ascender novamente ao top 10 por troca directa com Alberto Contador. Os dois devem no entanto preocupar-se com a poderosa ascensão que Warren Barguil tem realizado na geral. O líder da montanha deverá tentar andar novamente envolvido em fugas durante o dia de amanhã dadas as importantes contagens de montanha que a etapa oferece. Ao francês bastar-lhe-à somente vencer uma das primeiras categorias para garantir a conquista da montanha. Poderá reduzir ainda mais a diferença de 2 minutos que tem para Quintana se conseguir vingar a fuga no final de etapa. A chegada ao top 10 passou a ser um objectivo sério para o francês da Sunweb.
  • Boa etapa de Damiano Caruso. O italiano tem passado os dias autenticamente de fininho. Ninguém esperava a possibilidade de vir a conseguir um lugar no top10. Até mesmo depois do abandono de Richie Porte.

O abandono de George Bennett

A meio da etapa, o neozelandês que chefiou a Lotto-Jumbo na presente edição da prova, decidiu abrir para o lado e entrar para o interior do carro da equipa. Com uma prestação algo irregular na montanha, Bennett, ciclista que ainda estava a lutar por um lugar nos 10 primeiros, justificou o seu abandono devido a problemas físicos sentidos nos últimos dias.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s