Sporting 2-1 Mónaco: os aspectos positivos e os aspectos negativos da exibição dos leões no seu jogo de apresentação


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Aspectos positivos: 

  • A dinâmica inicial dos 3 homens mais adiantados do meio-campo. Excelente primeira-parte de Gelson. Quer nas diagonais que realizou para o flanco esquerdo (com uma extraordinária deambulação para o flanco esquerdo, ofereceu a estreia de sonho a Marcos Acuña; valeu ao Mónaco Subasic) quer nas acelerações que promoveu no corredor central em drible nos ataques rápidos. Quem viu a condição física, a rapidez e a agressividade com que o internacional português abordou os primeiros 45 minutos, percebeu que o extremo trabalhou bem o físico nas férias. Como entende na perfeição os movimentos e as acções que o treinador lhe pede e as dinâmicas do processo de jogo de Jesus, o extremo só precisou de trabalhar os seus índices físicos.
  • Daniel Podence: um enorme leque das movimentações que se lhe conhecem e aquela vontade de ter a bola nos pés, de acelerar e de criar. Teve 3 ou 4 pormenores de classe que deixaram Fabinho e Jemerson à beira de um ataque de nervos. Tal como previa, o internacional sub-21 está a ganhar a batalha pela titularidade a Alan Ruiz.
  • Bruno Fernandes. Tenho que dar a mão à palmatória em relação a alguns aspectos que escrevi aqui, aqui e aqui. Em 3 semanas, Jorge Jesus está efectivamente a moldar (definitivamente) o jogador à posição 8. O que não invalida que o jogador não possa retornar à posição de segundo avançado se Adrien não sair. O médio revela cada vez mais inteligência na construção de jogadas, fazendo da sua qualidade de passe e da sua visão o seu maior trunfo. Sempre que recebe a bola, o médio tem uma leitura de jogo perfeita, procurando sempre fazer chegar a bola à solução (entenda-se espaço vazio) que permita uma maior progressão à equipa.
    O médio também revelou um pormenor extremamente interessante: no final da primeira parte apareceu em dois momentos na direita a fazer a compensação a uma distracção de Gelson. Ainda lhe falta porém intensidade na pressão. Irei abordar essa questão nos aspectos que considerei negativos.

A aceleração de Gelson no corredor central nos ataques rápidos. A excelente tabela com Bruno Fernandes permite ao extremo cavalgar como gosta pelo terreno antes de soltar a bola no tempo correcto para a via de comunicação que é estabelecida por Bas Dost para o efeito. No entanto, Bruno Fernandes não ficou parado. Ao entrar no espaço existente entre Jemerson e o lateral, o médio cria a situação de superioridade numérica (para além de ter oferecido mais uma solução plausível para a decisão de Gelson). Altruismo de Bas Dost. 

A posição 8 pede a Bruno Fernandes a capacidade de exercer a sua influência de área a área. Não será pela vertente ofensiva que o jogador não se constituirá um óptimo centrocampista.

  • A assertividade dos centrais na abordagem a Kylian Mbappé. Outro pormenor que terei que explicar com mais minúcia nos aspectos negativos.
  • Battaglia –  O argentino é um jogador que gosta efectivamente de avançar com a bola. Esta característica do antigo jogador do Braga permite-lhe a prossecução de um aspecto muito importante no futebol moderno: a possibilidade de assumir o jogo, de queimar linhas e até de entrar no bloco adversário (recuado; será algo bastante importante frente a equipas fechadas que recuam o seu bloco defensivo) quando os colegas não oferecem linhas imediatas para executar o passe. Esta característica será bastante importante nos momentos de recuperação, por exemplo. Ao conduzir muito bem o esférico em velocidade, o argentino poderá tornar as acções de contra-ataque da formação de Alvalade mais velozes, logo, mais susceptíveis de criar o efeito surpresa no adversário, de o desordenar defensivamente e de não permitir que este se reorganize defensivamente no terreno.
  • Marcos Acuña. Eu gostei da exibição do argentino. Aquela cara sisuda indica que Acuña não deve ser muito dado a sorrisos e que não vem para Portugal para fazer muitos amigos. Acuña parece-me ser um jogador de trabalho. Ofensivamente já percebemos que com bola é uma autêntica flecha pelo flanco esquerdo. Defensivamente é um jogador que fecha muito bem, rápido a recuperar (será bastante importante para auxiliar Coentrão) e que batalha imenso pelas divididas. Nas bolas paradas percebemos que o argentino tem um pé esquerdo abençoado. À primeira vista parece-me que o jogador tem uma margem de progressão enorme dentro desta equipa. Não me irei espantar se dentro de dois meses, o argentino começar a escavacar os laterais contrários.
  • William\Adrien: assim que a dupla entrou notaram-se algumas diferenças em relação a Battaglia\Bruno Fernandes no capítulo. Sir William e Adrien são efectivamente jogadores valiosíssimos pela forma em como desautorizam a transição equipa adversária através da pressão e do combate pelo esférico, recuperam a posse e lançam a resposta, superando com muita distinção a natural pressão adversária à perda de bola. 4 recuperações de bola na segunda parte resultaram em 4 lançamentos que só não deram jogadas de perigo porque Doumbia foi apanhado 4 vezes em fora-de-jogo.

Aspectos negativos:

    • A falta de intensidade de Bruno Fernandes e Battaglia durante a primeira parte. Entre os 12 e os 32 minutos, o Mónaco apoderou-se da iniciativa de jogo, o Sporting recuou as linhas e os monegascos puderam fazer uma circulação apurada a toda a largura do terreno. Se Jesus pediu claramente aos extremos para acompanharem as subidas dos laterais contrários (Gelson e Acuña corresponderam) porque uma boa parte do perigo que o Mónaco cria reside precisamente no caudal de jogo que é construído nas faixas através dos laterais (outra quota parte generosa residia na velocidade que era colocada nas transições ou nas inflexões da direita para o meio de Bernardo Silva; as acções em drible da direita para o centro do criativo, tinham o condão de libertar o flanco esquerdo; a seguir ao drible, invariavelmente, Bernardo colocava a bola em Lemar ou nas subidas de Mendy) a equipa precisava de contrariar a distribuição que era feita a meio-campo por Youri Tielemans e por Fabinho. Bruno Fernandes e Battaglia, mais comedidos, não conseguiam ser eficazes na pressão quando os seus adversários directos organizavam criteriosamente a circulação. Jesus ainda tentou alterar a apatia generalizada que se abateu com a equipa com o avanço de linhas (pressão média\alta) no momento da saída de jogo dos monegascos mas até nesse sistema, o Sporting continuava a não pressionar bem e abria um enorme espaço entre linhas (meio-campo\defesa) que foi bem explorado por Radamel Falcão para sair da marcação do central de forma a vir buscar jogo atrás e permitir que a equipa subisse no terreno com bola.
    • Falha no controlo da profundidade. A falta de intensidade no momento de pressão também permitiu aos monegascos colocar uma série de bolas para as entradas de Mbappé nas costas dos centrais leoninos. O timing de passe para as entradas do avançado era oportuno bem como o seu tempo de entrada para escapar à armadilha do fora-de-jogo que Mathieu tentou colocar em diversos lances. No entanto, realço novamente a rapidez com que os centrais do Sporting chegaram ao avançado, anulando-se em 3\4 lances a possibilidade de ficar isolado na cara de Rui Patrício.
    • Cristiano Piccini: Ofensivamente foi nulo e defensivamente tem um vício muito perigoso – encosta-se em demasia aos centrais. Ao nível de marcação, tem o hábito de perseguir o seu adversário directo para todo o lado sem contudo o desarmar. Se não conseguir desarmar o avançado quando o persegue até perto da linha de meio-campo, corre o risco de o ver tocar rapidamente para um dos médios, podendo esse médio abrir imediatamente para a entrada do lateral para as suas costas (dele e do seu colega de sector) se o extremo não estiver (naquele momento) com toda a atenção do mundo. Gelson cumpre bem essa função, mas há que ter toda a cautela. Piccini tem obrigatoriamente que ganhar mais bolas aos adversários.
    • Seydou Doumbia: o jogador ainda se está a habituar às ideias de jogo da equipa. Não é fácil desmodelar de um momento para o outro um jogador mais vocacionado para o jogo em profundidade no contragolpe. O costa-marfinense gosta de ser lançado em profundidade nos espaços vazios. Ao longo da temporada terá muitas oportunidades para ser lançado em profundidade para as costas da defesa. No entanto, o avançado africano terá que refrear aquela veia que o leva a desmarcar-se rapidamente sempre que a equipa recupera a posse no meio-campo adversário e medir melhor os tempos de desmarcação. Quando souber contemporizar (andar a par com a defesa) e desmarcar-se no tempo correcto, teremos um avançado para 20 golos.
  • Rui Patrício e Tobias Figueiredo: o erro cometido pelo guardião no jogo ao pé na primeira parte e a longa demora do central no lance do golo dos monegascos, são erros que jamais podem acontecer porque são erros que ditam de vez em quando a perda de pontos e consequentemente a perda de campeonatos.

2ª bola

No lance de pontapé de canto que resultou no golo invalidado a Rony Lopes (que sarda!) não havia qualquer jogador do Sporting à entrada da área. Este erro também deve ser evitado a todo o custo, em especial, nos jogos para as competições domésticas. Nas bolas paradas, lances que são sempre muito bem trabalhados pelos treinadores (os treinadores da nossa liga costumam dar muito enfoque ao trabalho dos lances de bola parada nas semanas que antecedem os jogos contra os grandes porque sabem que nesses lances pode residir a chave para um eventual triunfo) quase todos colocam os melhores rematadores de meia distância à entrada da área.

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6 opiniões sobre “Sporting 2-1 Mónaco: os aspectos positivos e os aspectos negativos da exibição dos leões no seu jogo de apresentação”

    1. Efectivamente. Bernardo Silva. Não podemos de forma alguma esconder a sua influência na forma de jogar do Mónaco na temporada 16\17. Essa é uma questões que me leva a crer que o Leonardo Jardim é um gajo com tomates. O madeirense elevou o rendimento do clube a uma fasquia alta (campeonato e meias-finais da Champions) com determinados jogadores (importantes na manobra de jogo da equipa) que entretanto saíram. Os resultados obtidos granjearam-lhe uma série de propostas para sair do clube para clubes que oferecem muito dinheiro para gastar e um nível de pressão diminuto em virtude das classificações obtidas na temporada passada. Quero portanto dizer com isto que o Leonardo Jardim poderia ter seguido por um caminho ligeiramente mais fácil do que aquele que veio a seguir. Qualquer um daria o trabalho como terminado. Ele decidiu ficar no clube. Uma quota parte dos jogadores influentes saíram. Será bastante difícil repetir na próxima temporada a temporada passada visto que o novo plantel o obrigará, como vimos em Alvalade, a praticar um futebol ligeiramente diferente daquele que foi praticado. Não existem jogadores iguais. Ele adora desafios e eu gosto imenso dele como treinador porque ele ambienta-se com naturalidade aos novos desafios que colocam, com os excelentes resultados que se conhecem.

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