Tour de France – 19ª etapa – Edvald Boasson Hagen salvou a participação da Dimension Data na chegada a Salon-En-Provence


A volta queima os seus últimos cartuchos. À partida para esta etapa seria expectável que todas as equipas que ainda não ganharam qualquer etapa na prova e\ou que não vão levar nenhum ciclista ao pódio final de Paris utilizassem a tirada entre Embrun e Salon-de-Provence para dar outra expressão à sua performance. Qualquer equipa que saia de uma grande volta sem vencer uma etapa, pode considerar como inglórios (em vão) os esforços realizados durante o decurso da mesma. Vencer uma etapa numa grande volta é o principal objectivo estabelecido por grande parte das equipas presentes. A única excepção a esta regra é mesmo a Sky de Christopher Froome. Para a formação britânica, vencer uma etapa (já venceu, por intermédio de Geraint Thomas) sem vencer a geral da prova terá um sabor bastante amargo se atendermos à qualidade do elenco que foi convocado por Nicolas Portal para ajudar o seu chefe-de-fila a chegar ao 4º triunfo na prova.

Numa etapa bastante animada pela fuga do dia, Edvald Boasson Hagen pode aliviar os sobressaltados corações dos responsáveis da Dimension Data. De uma maneira ou de outra, nas etapas disputadas ao sprint ou nas etapas de montanha, Mark Cavendish e corredores como Stephen Cummings ou Serge Paawels (o ciclista belga tentou dar o litro em todas as fugas em que entrou no decurso da prova mas não conseguiu ser feliz) davam todas as garantias ao seu director desportivo. O prognóstico inicial ajuizado pela formação sul-africana acabou por cair num mar de dúvidas quando Mark Cavendish abandonou a prova na 4ª etapa. Quando Cummings e Paawels não conseguiram triunfar nas fugas em que entraram na montanha, ou até mesmo quando Edvald Boasson Hagen foi obrigado a fazer o papel de Cavendish nos sprints, papel que o levou a acumular uma série de 2ºs e 3ºs lugares nos sprints disputados contra Kittel ou Matthews, o mar de dúvidas que reinava no seio da equipa transformou-se num enorme pesadelo.

Na 19ª etapa da prova, a formação sul-africana decidiu alterar a sua estratégia de corrida. Ao lançar Boasson Hagen na numerosa fuga que se estabeleceu na frente, a formação orientada por Brian Smith pretendeu livrar o finalizador noruguês das oportunas garras de Michael Matthews.

O finalizador norueguês alcançou a sua 3ª vitória no Tour. 6 anos depois do “Tour perfeito” que o catapultou para a ribalta do ciclismo, o tri-campeão de estrada norueguês voltou a vencer na prova francesa. Para o conseguir, o experiente ciclista de 30 anos teve que superar um conjunto de obstáculos colocados pelos adversários, em particular, pelos dois homens de topo que Orica colocou na frente (Jens Keukeleire e Michael Albasini) e pelo galopante Thomas DeGent. O belga da Lotto-Soudal não venceu qualquer etapa até ao dia de hoje na prova mas provou ser ao longo desde 19 dias um dos ciclistas mais combativo da 104ª edição da prova francesa.

Várias eram as equipas que até ao início da etapa desta sexta-feira não tinham conquistado qualquer etapa na prova. Fortuneo, Orica, Lotto-Soudal, Dimension Data, Movistar, UAE Team Emirates, Cofidis, Katusha, BMC, Wanty e  Bahrain-Mérida eram à partida as equipas mais pressionadas pelos patrocinadores. O ciclismo tem esse aspecto particular. Uma vitória nas grandes voltas é, por norma, uma das principais exigências dos patrocinadores quando puxam da carteira para patrocinar este verdadeiro luxo desportivo que pode custar, mediante a dimensão dos atletas envolvidos na organização, dos 12 aos 40 milhões de euros por temporada. Deste lote de equipas, todas decidiram comparecer à antepenúltima chamada para a vitória, lançando no terreno todas as cartadas de qualidade que ainda subsistem no seio da prova.

Vários foram os finalizadores que quiseram fintar qualquer probabilidade da etapa ser conduzida para a discussão ao sprint. A Orica lançou dois bons finalizadores (Keukeleire e Albasini), a UAE pode lançar o inglês Ben Swift, a Dimension Data lançou a sua cartada de topo (Boasson Hagen), a Lotto manteve a aposta na dupla Thomas DeGent\Tony Gallopin, a Direct Energie lançou o seu trio de ouro (o “vitorioso” Lilian Calmejane, acompanhado pela dupla Romain Sicard e Sylvain Chavanel), a AG2R lançou o seu melhor baroudeur (Jan Bakelants), a Fortuneo lançou o os incansáveis Romain Hardy e Pierre Luc Perrichon, a Movistar lançou o veterano Daniele Bennati e a Sunweb, vencedora de 4 etapas na prova (!!), lançou o portento de velocidade Niklas Arndt. Esta foi a espinha dorsal da fuga. O pelotão (leia-se a Sky; com Arndt, DeGent, Gallopin e Kiserslovski, as equipas da Sunweb, Lotto-Soudal e Katusha decidiram fazer descansar as suas formações e os seus sprinters, quiçá a pensar na etapa de domingo) deu um livre passe aos homens da frente. A formação britânica apenas colocou a sua formação na frente para se assegurar que nada aconteceria com o seu principal activo.

A etapa foi portanto rodada sob um conjunto de variáveis. Do lote em fuga, havia quem não quisesse levar a discussão para um sprint em grupo (assim se explicaram os ataques de Romain Sicard e Robert Kiserslovski da Katusha na última contagem de 3ª categoria do dia) assim como havia quem não quisesse a presença de um ou mais ciclistas nesse mesmo sprint. Esse foi o leitmotiv que levou os dois corredores da Orica a fracturar o grupo com a extraordinária aceleração de corrida imposta a sensivelmente 20 km da meta (Albasini é um excelente finalizador de etapas mas tinha obviamente a concorrência de outros bons finalizadores) e o critério que fez lançar Bennati e Boasson Hagen ao ataque nos quilómetros finais . Com maior fulgor físico que os restantes atacantes, o ciclista nórdico pode vingar a sua intentona na linha de chegada.

Amanhã disputa-se o contra-relógio final! Quem poderá vencer o exigente e ventoso crono de 21 km em Marselha? 

Na minha modesta opinião, o principal candidato à vitória será Christopher Froome. Apesar de estar carequinha de saber que tanto Uran como Bardet não tem capacidade para lhe fazer frente neste departamento de corrida, o britânico irá assumir uma postura calculista que o levará a lutar pela vitória na etapa para “terminar com as teimas”.

Numa segunda linha de candidatos aparecem, incontornavelmente, os homens da luta contra o relógio. Tony Martin é a minha segunda escolha para a vitória na etapa. Vasil Kyrienka, Daryl Impey (Orica), Taylor Phinney (Cannondale), Andriy Grivko (Astana), Stephen Cummings (Dimension Data), Stephen Kung (BMC), Jonathan Castroviejo (Movistar) e Maciej Bodnar (Bora) também têm condições para poder vencer a etapa. Não tenho dúvidas que grande parte destes ciclistas terminarão no top 10 da tirada.

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