Ainda os aspectos positivos e os aspectos negativos da exibição do Sporting frente ao Mónaco


Na sequência deste post. 

No post de ontem realcei como aspecto positivo “a assertividade dos centrais do Sporting na abordagem a Kylian Mbappé”, sem descurar porém, neste âmbito, um aspecto que considerei negativo:

“Falha no controlo da profundidade. A falta de intensidade no momento de pressão também permitiu aos monegascos colocar uma série de bolas para as entradas de Mbappé nas costas dos centrais leoninos. O timing de passe para as entradas do avançado era oportuno bem como o seu tempo de entrada para escapar à armadilha do fora-de-jogo que Mathieu tentou colocar em diversos lances. No entanto, realço novamente a rapidez com que os centrais do Sporting chegaram ao avançado, anulando-se em 3\4 lances a possibilidade de ficar isolado na cara de Rui Patrício.” 

O vídeo acima postado permite-nos uma análise mais detalhada desses momentos. 

O avançado do Mónaco já tinha tentado ganhar as costas a Piccini em velocidade que desequilibrar junto à linha de fundo. Nesse lance, o lateral do Sporting soube conter o veloz avançado no drible.

Neste frame, Mathieu é apanhado em contra pé pela acção do passador e pela movimentação de Mbappé. Há uma falha no controlo da profundidade. A defesa está ligeiramente mal posicionada e não está em condições de promover a armadilha do fora-de-jogo. O avançado toma as contas ao francês apesar de Coates ainda estar no seguimento da jogada 

O uruguaio é rápido a projectar e a executar a troca na marcação, entendendo-se às mil maravilhas com o seu colega de sector. Assim que o uruguaio encaminha-se para Mbappé (a vermelho), Mathieu prepara-se para entrar no espaço que lhe permitirá deter o controlo da linha de passe na área se Mbappé conseguir dar seguimento à jogada para a área ou até mesmo a dobra ao seu colega de sector. 

Num primeiro momento, o avançado francês ganha em velocidade ao uruguaio mas Coátes não desiste do lance e executa um carrinho que lhe vai (creio que legalmente num primeiro momento; nenhum jogador que executa um carrinho poderá levantar-se sem recurso ao apoio dos braços; qualquer toque da bola com o braço nesse ímpeto realizado pelo jogador, parece-me naturalmente involuntário a não ser que haja um movimento de braço no intuito de afastar a bola) permitir estancar a investida do francês.

Num segundo momento, o defesa central do Sporting comete grande penalidade sobre o francês. A obstrução é evidente. 

Nova falha no controlo da profundidade. Mathieu não é rápido a sair, deixando Mbappé e Falcão em jogo no momento do passe. O lance também revela uma enorme falha na pressão ao passador.

O francês é, contudo, rápido a reagir à situação, fechando a porta ao avançado, acção que permitirá a saída de Patrício. O guarda-redes haveria de cometer uma falha clamorosa ao largar a bola para a frente. Felizmente, Coates conseguiu resolver a falha do seu guardião.

Este lance também denotou uma das falhas que realcei nos aspectos que me desagradam: a existência de muito espaço entre linhas (meio-campo\defesa) nas situações em que o Sporting tentou avançar as suas linhas para pressionar os monegascos na sua saída de jogo.

Voltemos aos erros no controlo da profundidade

Nesta jogada, Radamel Falcão vem atrás buscar jogo. Mathieu acompanha-o, fazendo o indispensável controlo defensivo. O colombiano tem Bruno Fernandes pela frente assim que consegue libertar-se do controlo defensivo do francês com uma rotação.

Tendo um homem a desmarcar-se para as costas da defesa para o espaço em vazio e um jogador pela frente (Bruno Fernandes) o colombiano só tinha uma solução para definir bem o lance: o lançamento para o espaço vazio nas costas da defesa. Se abrisse o jogo para Tielemans, o jogador que aparece solto no meio-campo, Bruno Fernandes poderia, com a magnífica leitura de jogo que tem, interceptar o passe.

A solução tomada pelo colombiano leva-me a crer que assim que Mathieu saiu para o pressionar, a defesa do Sporting deveria ter subido imediatamente. O francês saiu com o intuito de roubar a bola ao adversário ou, no mínimo, conseguir limitar-lhe espaço e tempo para pensar a acção seguinte. Assim que a pressão corta espaço e tempo ao jogador que possui a bola, a defesa tem obrigatoriamente de subir para aproveitar o gap temporal existente entre o pensamento e a execução. Se a defesa subisse, Falcão lançaria Mbappé em posição irregular de fora-de-jogo. Falha de Coates, como podemos ver nesta imagem. 

Bola rápida bombeada para a frente de ataque. Mbappé volta a ganhar as costas a Coates em velocidade. O uruguaio consegue, em conjunto com Mathieu, desarmar o avançado. 

Momento do passe: não existem qualquer pressão sobre o portador. A pressão e a subida da linha defensiva andam portanto de mãos dadas. Quando não existe pressão imediata sobre o portador (armador, neste caso), os homens mais recuados não poderão criar a armadilha do fora-de-jogo.

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