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O Tiago Machado terminou mais uma volta. E terminou-a com um sorriso estampado na cara, com um bruto de um bigodaço à Portugais, e com mais uma dose do seu insuperável e incansável esforço na frente do pelotão em prol de Alexander Kristoff. Como já tive oportunidade de escrever aqui, ao longo da prova, na sua página de facebook, o Tiago teve que lidar com o profundo desconhecimento e por vezes com o mau fígado daqueles profundos e severos ignorantes que acham que percebem muito de ciclismo. De ciclismo de sofá. De ciclismo de ocasião, durante o mês de Julho. Daqueles que invariavelmente usam o mês de Julho para ver algo diferente daquilo (bola) que a estação não oferece em abundância.

Esses neandertais da vida portuguesa, tipos que raramente saem do sofá para fazer o quer que seja (até o seu próprio jantar) julgam-se os verdadeiros catedráticos da coisa. Como se julgam os verdadeiros catedráticos da coisa (not) mas não sabem o que é montar um selim desde o estrondoso ano de 1997 em que o pai lhes ofereceu no Natal uma órbita com 21 velocidades shimano e uns travões “do melhor que havia” (para vender em qualquer Continente!) crêem que têm o direito de insultar toda a gente. Em diversos posts diários que o Tiago foi lançando (o ciclista teve até o bom senso e a sobriedade de explicar pormenores internos da equipa que não deveria explicar em público para tentar ajudar os “cansados” que se amontoaram a insultar o seu prodigioso rendimento) dezenas foram aqueles que o chegaram a aconselhar a dedicar-se à pesca, em virtude do facto do Tiago estar naturalmente, como estão centenas de talentos do pelotão nacional, obrigado a seguir uma hierarquia dentro da equipa bem como os objectivos diariamente estabelecidos pelos responsáveis da equipa para as etapas.

O destino é infelizmente, para muitos, uma puta do caralho! Do insucesso que foi a participação de Alexander Kristoff no Tour, salientou-se o rendimento exemplar de Tiago Machado na frente do pelotão. O português foi, desculpem-me novamente o asneirão, do CARALHO nestes 21 dias de prova! Os doutos experts de sofá não compreendem a dureza que estes homens passam diariamente na estrada. Como não compreendem a dureza, porque nunca a viveram (nem nos grandfondos, nem no cicloturismo, nem nos raids de adolescência à serra do Caramulo, périplo que executei durante anos a fio nas férias de verão, diariamente, ao sol, à chuva, sem um remendo para a câmara do pneu caso furasse, sem uma câmara sobresselente, por vezes sem telemóvel para pedir auxilio caso caísse em estradas por onde passam carros de hora a hora) não imaginam o que é marcar ritmo à frente do pelotão durante 100 km! 100 km! Não imaginam o desgaste energético ao qual é submetido diariamente este atleta. Aliás, se imaginassem e se tentassem, creio que muitos não estariam neste mundo para destilar o fel que destilam porque provavelmente cairiam para o lado ao fim de 3 km. 

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