Desculpas que não colam


“O objectivo deste treino era colocar os jogadores que não tem actuado em tantos treinos. Esse foi o objectivo, com algumas falhas de jogadores que tivemos de improvisar. Improvisámos com um lateral-direito, porque o Piccini está com um problema e tivemos a expulsão do Coates, improvisando com o João Palhinha como central. O Bruno César fez o que pode como lateral-direito. Depois tive de pôr o Gelson. Porquê? Porque não temos. O André Geraldes está magoado desde que veio da Suíça e o Piccini ressentiu-se de ter jogado os 90 minutos nos últimos três jogos e de não haver ninguém para substituí-lo. Seria importante termos alguém para aquela posição mas o Bruno César fez o que pode” – Jorge Jesus – 26\07\2017

Confesso que só pude ver os últimos 20 minutos do jogo. Não poderei de todo opinar sobre o que não vi. No entanto, as declarações proferidas por Jorge Jesus chocam-me. E chocam-me por 3 motivos muito concretos:

  • A desculpa do “não temos” não cola para a posição citada. Jorge Jesus tem um lateral direito (Ezequiel Schelotto) a treinar à parte desde o início desta pré-temporada. Schelotto é, na minha opinião, um jogador com limitações técnicas e tácticas enormes: é um jogador que cruza mal, é um jogador que não é imaginativo na sua forma de jogar (não tem iniciativa ofensiva, não inicia situações de tabela ou 1×2, não cruza bem, não é capaz de romper com bola para o interior do terreno ou até jogar com os homens do interior; limita-se quase sempre a tomar as decisões básicas de um lateral banal: correr com bola para a frente ou cruzar imediatamente) defende “mal como tudo” porque nunca tem um posicionamento correcto perante as situações concretas que lhe são expostas pelo adversário (ou cola-se em demasia aos centrais ou dá autênticas avenidas para o seu adversário directo embalar) e nem sempre é rápido a recuperar posição sempre que a equipa perde a posse de bola. No entanto, até ver, o argentino é uma opção para a posição de lateral direito e ainda não pudemos ouvir, desde o início da temporada, qualquer justificação ou explicação por parte do treinador ou do presidente do clube em relação ao súbito afastamento de um jogador que foi recompensado no início do ano com uma renovação contratual por iniciativa do clube. Existe portanto essa agravante: não foi o jogador que procurou a renovação com o Sporting. Foi o Sporting que procurou a renovação com o jogador. Se a direcção do clube entendeu renovar com o jogador, acredito que a iniciativa não surgiu por mero acaso ou por obra do destino. No desporto profissional nada pode ser planeado ao acaso embora se possam fazer (com um certo grau de legitimidade) algumas críticas ao tosco planeamento em cima do joelho que tem sido feito pela direcção do Sporting desde que Jorge Jesus assumiu o comando técnico do clube. Se o treinador decidiu anuir a sua renovação, o expectável seria, portanto, a continuidade deste nos seus planos para o futuro. De um momento para o outro tudo se alterou. O que é que aconteceu para tudo se alterar num par de meses? Os Sportinguistas merecem a verdade.
  • Acreditámos todos que a contratação de Cristiano Piccini seria a natural contratação de um concorrente para a titularidade naquela posição. O italiano ainda não convenceu ninguém (pouco acrescentou à equipa em relação a Schelotto) mas eu creio que ainda é muito cedo para tirarmos conclusões precipitadas. Com o início da temporada oficial, o comportamento dos jogadores altera-se significativamente e o italiano tem, na minha opinião, futebol para ser melhor do que aquilo que efectivamente tem sido. Agora, Jorge Jesus não pode simplesmente dizer que não tem “ninguém” para a posição porque tem. O afastamento do argentino “tem história por detrás” – ou muito me engano ou o seu afastamento está relacionado com o facto de ter convidado jogadores do Benfica, entre os quais André Carrillo, para a festa de inauguração do seu restaurante.

As lesões nesta fase da temporada: numa fase tão precoce da temporada, grande parte das lesões sofridas pelos atletas está relacionada com a carga física a que estão sujeitos. Nesta questão não existe nada que deva ser escondido: a necessidade aguçou o engenho. Como o Sporting vai disputar o playoff de qualificação para a Liga dos Campeões, a componente de preparação física dos atletas foi claramente realizada em top spin. Na Suíça, para além do sistema de treinos bi-diários, os jogadores foram obrigados a jogar 4 vezes num curto espaço de dias. É natural que o organismo dos jogadores se venha a ressentir do esforço. Eu creio que Jesus não tinha necessidade de realizar todos aqueles jogos, podendo espaçá-los ligeiramente mais no tempo. Se olharmos para as equipas que também vão participar na ronda final de apuramento, quase todas tem realizados jogos de 3 em 3 dias ou 4 ou 4 dias. Os treinadores vão deixando os aspectos físicos de parte (os aspectos físicos acabam por modelar-se ao sabor da rotina; veja-se o que Luis Castro afirmou no sábado na deliciosa entrevista concedida ao Expresso em relação ao trabalho físico quando afirmou: Era. Ainda hoje tive uma conversa com o professor Vítor Frade e abordámos esse tempo (anotamento meu: o tempo em que a preparação física resumia-se a cargas físicas) Eu, apesar de ser um crítico da forma como treinava enquanto jogador, fazia o mesmo enquanto treinador, porque não sabia fazer mais nada. Aquilo dava-me conforto, e eu fazia igual. Porque nós só fazemos aquilo que sabemos. Portanto, esse período  que existe, porque é que ele é tão largo? Se todos compreendessem da mesma maneira, nós numa semana púnhamos a equipa a jogar. Normalmente ao fim de cinco semanas, 80% do plantel domina a ideia e é capaz de pô-la em prática com eficácia) e tentam concentrar-se ao máximo no trabalho da sua ideia de jogo e na inserção dos novos jogadores a esta ideia de jogo. 

Anúncios

2 thoughts on “Desculpas que não colam”

  1. Não sei se interessa muito… digo-o no seu “cantinho” porque é o espaço atualmente mais plural e onde se aprende realmente. (Pode parecer parvoíce, mas o caro João está num nível “muita forte”. As suas opiniões e postagens são interessantes, educativas e num patamar acima deste lamaçal onde estão metidos os utilizadores virtuais afetos a clubes de futebol profissinal. Eu acho que a malta que só gosta de fazer confusão fica intimidada…).
    Mas indo ao que aqui me trouxe, estou oficialmente farto do meu treinador.

    Há uns dias falava com o meu irmão e ele dizia-me “essa nem é das mais graves… era expectável”, mas só me lembrava do Jesus ter dito no ano passado que o Esgaio ia ser o lateral de futuro do Sporting. No fim da época… Pode-se ou não gostar do jogador, mas o treinador não tem necessidade deste tipo de conversas. Isto só serve para criar ilusões nos adeptos. São este tipo de coisas que me aborrece no Jesus. “A organização não foi muito boa. Tivemos de fazer 2h30 de autocarro entre jogos”. Alguém acredita que ele não sabia ao que ia, quando arrancou para a Suiça?

    É que ele é uma mula casmurra, só faz o que quer e está-se bem a cagar para os adeptos. Admite-se os nossos emigrantes que tiveram de sair do país à procura de uma vida melhor, pagarem 19 euros para ver o jogo com o marselha, naquele campo? O que fez o Sporting? O que o Jesus quis… experiências e jogadores rotos.

    Há 4 anos quando ele foi campeão em carnide falei com o amigo benfiquista que me disse “estou farto do Jesus, adorava que ele se fosse embora”, no meio duma discussão acesa. Fiquei sem palavras… o homem tinha sido campeão.

    Hoje sinto o mesmo, adorava que ele fosse campeão e se fosse embora. É que por defeito de “fabrico” tendo a ser racional e guiar-me pela lógica… quando noto demasiadas incongruências no discurso tento informar-me e a ler outras coisas sobre a pessoa, para poder enquadrar coisas “ao lado”. Fui daqueles que ouviu todas as suas entrevistas e conferências de imprensa. Neste momento não me interessa mais o que ele diz…

    Não lhe desejo mal, nem digo mal dele. É o meu treinador até até à morte! Estou apenas farto… o Jesus é como se tivéssemos um amigo com mau vinho… o nosso amigo é espetacular quando está sóbrio e começamos a convidá-lo para ir a uns jantares e festas lá a casa. Ao principio é uma pessoa encantadora e sozinho faz a festa, até que se entorna e a coisa acaba sempre em agitação. No dia a seguir o amigo telefona a pedir desculpa… não é assim, mas quando bebe um bocado a mais fica alterado. Tem problemas, etc, etc. Ok pensamos nós. Este gajo é porreiro de certeza que “aconteceu” (acontece a todos). O problema é quando se percebe que o amigo é sempre assim… e que invariavelmente as 3, 4, 5, 6 festas em que o convidámos, vão acabar sempre com ele exaltado. O amigo moldou-se ao vinho e não sabe beber… por muito que se lhe diga, ou faça, por muito que ele prometa, há uma altura em que o deixamos de convidar. Já haviam festas antes de convidar este amigo e vão continuar a haver. Quem perde é ele.

    Com o Jesus estou igual. Fui até ao meu limite para o compreender, relativizar e desculpar. Sei que ele sabe muito, sei que ele ensina muita coisa nas conferências de imprensa (basta escutá-las sem procurar calinadas ou polémica), mas já parei de tentar compreende-lo. O homem é assim e não muda… aliás está a ir para a idade.

    Tudo o que é bom é mérito dele, tudo o que está mal, a culpa é sempre de alguém. (Aqui tenho de ressalvar que quando falou do Palhinha no dragão disse que o “argumento foi mal escrito”… vá lá).

    SL

    Gostar

    1. Como dizes e bem, o homem é casmurro. É casmurro e não só: temos vindo a constatar ao longo destes últimos anos que o Jorge Jesus é uma nódoa ao nível de planeamento. Não tem nem faz qualquer projecção de futuro a curto e médio prazo nos planteis\jogadores que treina (a longo prazo é praticamente impossível dadas as limitações financeiras existentes nos clubes portugueses) e os seus caprichos parecem flutuar ao sabor do vento. O jogador a quem hoje atribui futuro dentro de uma equipa passa rapidamente a dispensado no espaço de 6 meses. O jogador que manda regressar do empréstimo (caso do Geraldes) por motivos de necessidade, é encostado durante meia temporada e despachado novamente para outro clube na pré-temporada seguinte sem ter tido tempo para mostrar as suas capacidades (fora da posição a que habitualmente joga por obrigatoriedade\análise\crença em relação às potencialidades do treinador). Pergunta-se portanto: qual era a pressa quando mandaram vir o Geraldes? A pressa resultou numa situação terrível para o jogo. Não só lhe cortaram as pernas quando ele estava num claro período de forma e de aprendizagem como os 6 meses que passou a trabalhar com o plantel principal mas a competir com a equipa B foram um passo atrás na evolução do jogador.

      Por outro lado, continuo a crer que o Jorge Jesus é algo limitado num aspecto: o Jorge Jesus pensa que os jogadores tem uma evolução constante ao longo do tempo. Os mesmos jogadores que ele trouxe para o Sporting eram os jogadores que ele queria há 3\4 anos atrás para o Benfica… o Jorge Jesus não consegue perceber que os jogadores vão perdendo (alguns ganham, é raro, mas pode acontecer) capacidades físicas, técnicas, tácticas ao longo dos anos em virtude dos vícios adquiridos nos clubes que representaram, lesões, momentos psicológicos, avanço da idade… Outros podem até nunca se adequar ao modelo de jogo que ele pretende trabalhar. Ele pode ter a manifesta crença que determinado jogador assimilará rapidamente as suas ideias de jogo ou os aspectos\trabalho funcional que ele pretende para aquela posição, mas, quando chega à hora de trabalhar, esses jogadores não conseguem encaixar-se nos parâmetros idealizados.

      Gostar

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s