A proeza de Dan Martin


Os últimos exames médicos realizados durante esta semana pelo chefe-de-fila da Quickstep no Tour Daniel Martin confirmaram que o irlandês, 6º classificado na geral individual, correu 12 etapas na prova francesa com as vértebras L2 e L3 partidas, na sequência da aparatosa queda sofrida como consequência da queda de Richie Porte na 9ª etapa.

12 etapas de puro sofrimento em que o ciclista não só continuou a lidar na perfeição com a brutalidade dos esforço realizados durante as etapas e com o natural cansaço que se acumula numa prova desta tipologia, como ainda conseguiu lançar ataques na montanha com duas vértebras partidas. Nas etapas em linha disputadas entre a 9ª etapa e a 21ª, Martin viria apenas a perder tempo em duas ocasiões para os rivais: no dia da queda (1,19m) e curiosamente, na etapa 13ª, tirada em que o vento fez estragos na chegada a Romains-Sur-Isère. No frente-a-frente na montanha o irlandês não perdeu um único segundo para ninguém e ainda conseguiu ser o ciclista de abordagem agressiva a que nos habituámos. 

O feito do irlandês foi completamente surreal. A capacidade de resistência à dor destes seres humanos é inacreditável. Por vezes é até, em alguns casos, inexplicável. O caso do trepador irlandês é um desses casos. Não me venham com o argumento do doping. Não tentem justificar o presente com os erros do passado. A luta contra a dopagem no desporto evoluiu muito nos últimos 20 anos. Estes ciclistas são controlados de surpresa várias vezes por ano à urina e ao sangue, são controlados constantemente em competição e em fora de competição, são obrigados a informar a sua federação bem como a agência nacional anti-dopagem dos sítios onde podem ser encontrados durante 1 hora por dia para serem controlados de surpresa, tem desde 2008 um passaporte biológico no qual são registadas todos os resultados e todas as informações obtidas nos testes realizados aos atletas, e não podem tomar livremente os fármacos que lhes aprouver para debelar determinada situação sem uma Autorização de Utilização Terapêutica das comissões de autorização de utilização terapêutica das suas respectivas autoridades anti-dopagem nacionais.

O comportamento do ciclista resulta essencialmente da sua vontade. Da sua vontade em ousar querer mais e da sua vontade em querer atingir o resultado a que se propôs durante o penoso trabalho de preparação para a prova. O psicológico voltou a sobrepor-se claramente ao físico. Passei claramente a ver o ciclista irlandês com outros olhos. Martin não é só aquele ciclista combativo e agressivo que pude caracterizar ao longo de vários anos. Daniel Martin assemelha-se a um verdadeiro guerreiro celta, desistindo apenas quando não conseguir montar na bicicleta.

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