Uma breve declaração de postura


Comparar um trinco com um jogador que joga na posição 8 estragou toda a crítica legitima e justa sobre as estranhas dispensas realizadas por Jorge Jesus desde que chegou ao Sporting. As dispensas podem dar azo a outra crítica legítima: Jorge Jesus não consegue trabalhar vários anos numa casa sem um guião previamente definido. As suas necessidades vão mudando ao sabor do vento. O jogador que hoje serve algum propósito nas suas ideias de jogo, amanhã já não serve. Nenhum clube que se queira assumir como vencedor poderá projectar a sua ambição sem planear correctamente (a curto, a médio e a longo prazo) um caminho para alcançar os resultados que almeja obter. 

Este é um post invulgar para os conteúdos que habitualmente abordo ou promovo neste blog com duas partes completamente distintas que tocam entre si.

De vez em quando lei as crónicas sobre o Sporting de Nicolau Santos. Não sendo de todo o futebol a sua especialidade, e não entrando em pormenores técnicos demasiado exagerados nas suas crónicas, as penadas que o director-adjunto do Expresso nos oferece sobre economia (leio semanalmente e estou em 99% das vezes de acordo com o autor) granjeiam-lhe alguma credibilidade para o ler noutros assuntos. No meio de alguns erros desculpáveis para quem não passa os seus dias a estudar a fundo a modalidade ou o comportamento das equipas, treinadores, jogadores,  Nicolau Santos consegue ser provavelmente um dos raros jornalistas afectos ao Sporting que consegue dar no osso da equipa, do treinador ou até mesmo do presidente quando a mostarda lhe (nos) chega ao nariz. Nos outros clubes não conheço outro jornalista afecto que seja capaz de tirar o cachecol do pescoço por 1 minuto que seja. Neste blog sempre tentei assumir uma postura idêntica. Não estou aqui para escrever artigos a pedido ou feitos à medida das necessidades ou do momento. Sempre que tiver motivo para criticar, não peço licença: faço-o. Sempre que tiver que elogiar determinado jogador ou rendimento tido numa partida, também o farei.

Toda a gente já percebeu que sou Sportinguista. Daqueles doentes. Só eu sei o quão é difícil para mim ver o Sporting a perder seja em que modalidade for. Quando era criança, chorava compulsivamente. Quando o Beto marcou aquele auto-golo (atribuído com malícia ao Cadete; naquela semana em que o Cadete decidiu que “ia comer a relva que não comeu em Alvalade quando era jogador do Sporting) fiquei doente durante uma semana. A gripe já lá estava. Os primeiros 3 dias foram de cura. Os restantes foram de medo. Sim, pedi aos meus pais para não ir à escola para deixar o assunto morrer. Quando cheguei à escola, os meus colegas não tocaram no assunto. Bendita gripe! Quando o Sporting perdeu a final da Taça UEFA para o CSKA descarreguei numa pobre jovem russa que frequentava a minha escola. Assim que ela me apareceu pela frente com o seu cachecol do seu clube, mandei-a às favas. Aquela derrota foi engolida a custo. Todas as derrotas do Sporting foram engolidas a custo. Só a minha namorada sabe o piurso que eu fico quando o Sporting perde. Custa-me jantar, custa-me dormir. O meu sentimento pelo clube é grande, é genuíno, mas não me dá carta branca para aprovar e dizer amén a tudo o que é feito por qualquer pessoa dentro daquela casa. Para além disso, descobri desde muito cedo que todos os ídolos deste mundo tem pés de barro.

O Meu Caderno é um hobby. Sei que por vezes não escrevo a melhor das literaturas. O meu trabalho (porreirinho da silva, como se quer ou não; por mim alimentava-me de futebol e vestia-me de ciclismo; comprava os cromos e as cartas que possuo com um jogo de rugby e levava a minha namorada a jantar com um pouco de ténis) não permite ter o melhor dos discernimentos quando, à noite, me sento no computador para teclar. Por vezes o raciocínio não me sai da forma mais escorreita possível, por mais que, por vezes, a meio da viagem para casa, encadeie mentalmente todas as linhas do meu discurso. O Meu Caderno Desportivo é um hobby que utilizo para me aliviar do stress do quotidiano e para informar todos aqueles que procuram uma informação sincera sobre determinado assunto em que possa ter algum conhecimento  Nestes primeiros 5 meses de actividade confesso que não estava à espera do feed que estou a ter. Já tive outros blogs, já participei em blogs de maior e menor dimensão (como o Aventar) mas, começar algo do zero nem sempre é fácil. Agradeço do fundo de coração aos mais de 50 mil visitantes que, em 5 meses, vieram ao meu pedaço de terra dispensar minutos de vida que decerto não irão recuperar! A minha modéstia obriga-se a ser justo: sem vocês não sou nada! E tudo aquilo que eu escrevo é, sobretudo, para vocês!

Muita gente diz que eu não sou humano. Muitos são aqueles que me realçam a polivalência sobre assuntos tão dispares como a leitura daquele golo do Keita Baldé no Lazio vs Chievo ao ensaio com direito a 2 handoffs na jogada do Kieran Read na ponta com uma breve passagem sobre o ataque milimetricamente executado por Warren Barguil ao km 185,9 km da tirada para o Alpe D´Huez… Contudo, nenhum dos meus leitores me pode acusar de parcialidade.

Vários foram aqueles que me decidiram expulsar dos grupos de facebook afectos ao Sporting em virtude deste post.

Como referi anteriormente, não estou aqui para escrever à medida daquilo que se quer ler. Mesmo que o corte e o play seja uma tremenda mentira que mascara uma realidade. Estou aqui para ser sincero. Sem clubismos à mistura. Eu não gosto do Benfica, mas não consigo ser desonesto quando evito escrever sobre um grande jogo do Benfica ou sobre uma determinada exibição. Eu não gosto do Porto. Eu não gosto de Chris Froome mas reconheço-lhe a estampa. Não gosto do rugby neozelandês mas reconheço-lhe a genialidade, o brilhantismo, o esforço e a política de união de todos em torno de uma causa comum. Não gosto de Jorge Mendes. Bem… Esse é para mandar abaixo porque não faz qualquer falta ao futebol…

Necessitei de vir aqui realizar uma pequena declaração de postura passados que estão 168 dias do arranque deste blog. Está feita. Siga o presente, olhos no futuro. É que isto dá-me um prazer do caraças. Vocês nem sabem o prazer que isto me dá!

 

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