O golo do dia


Do que tenho visto da participação do Inter na International Champions Cup, ou muito me engano ou Luciano Spaletti está a alimentar um verdadeiro, produto e proficiente “cavalão de corrida” para o contra-ataque.

Jogadores para esse modelo de jogo não lhe faltam. A defesa parece-me mais sólida do que aquela que o Inter teve nas últimas temporadas e no meio-campo, o antigo treinador da Roma conta com a experiência de um médio que sabe literalmente tudo sobre táctica (Borja Valero), com outro que é um verdadeiro poço de força (importantíssimo no capítulo da recuperação de bola; Kondogbia) e com outro que é que de uma enorme finesse técnica (Roberto Gagliardini). Ao nível de organização defensiva em bloco recuado, creio que este Inter de Spalletti já trabalha a um nível muito aceitável.

Surge porém um problema que tem de ser devidamente afinado neste meio-campo: tanto Valero como Gagliardini não são, por vezes, objectivos nas transições para o contra-ataque. Tanto o antigo médio da Fiorentina como o internacional italiano são jogadores que se perdem em pormenores estéreis quando devidamente pressionados, travando até o jogo em diversos momentos. Spalletti é um treinador que adora vertigem no contra-ataque, verticalidade, pragmatismo e objectividade. Na frente, tem jogadores muito dinâmicos (Candreva, Perisic, João Mário, Brozovic, Jovetic). Os dois médios necessitam imenso de procurar imediatamente as linhas de passe que são constantemente oferecidas à frente da linha de pressão adversária pelos jogadores citados. Quando o conseguirem fazer com eficácia, ou seja, quando conseguiram suplantar a primeira linha de pressão adversária, este Inter poderá surpreender.

Velocidade para acelerar o jogo, dinâmica, abertura de linha de passe, passe a sair no tempo correcto para a abertura da linha de passe.

Eis o segredo de uma boa transição para o contra-ataque. Acelerar para evitar que a equipa contrária se organize na transição defensiva. Acelerar para criar superioridade. Acelerar para que alguém possa aproveitar a superioridade existente para abrir uma linha de passe (preferencialmente nos espaços vazios), dinâmica na procura dos espaços vazios e timing de passe no momento ideal para aproveitar o desequilíbrio criado ou para criar desequilíbrio. Nas acções de contra-ataque sem superioridade numérica, um jogador poderá ter que chamar um defesa para criar superioridade numérica. Deverá no entanto chamar o defesa e evitar o seu tackle. Pode evitar o tackle do defesa fintando-o ou libertando a bola no tempo correcto.

Candreva acelera e deixa dois adversários para trás. Situação de 3×2 criada. À esquerda Perisic está pronto a entrar no espaço vazio.

Tanto Candreva como João Mário são jogadores que aceleram o jogo como ninguém nas transições para o contra-ataque e soltam a bola no tempo correcto para o jogador que abre a linha de passe no espaço vazio.

Feita a aceleração, aparece o facilitador (neste caso Jovetic; o facilitador é por norma João Mário, embora o português também possa ser o acelerador). Jovetic facilita a interligação entre Candreva e o homem que vai entrar no espaço vazio para dar progressão à jogada de contra-ataque

Perisic é o jogador dinâmico que incorre imediatamente para o espaço vazio de forma a aproveitar a superioridade. A incursão do extremo para o espaço vazio permite-lhe encontrar o espaço necessário para preparar o remate. Pelo meio, tanto Candreva como Jovetic libertam a bola no tempo correcto.

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